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Clarete de Oliveira Maganhotto [1]

A paisagem cultural pós-moderna dos espaços urbanos está carregada de lugares de significados contrastantes. O Museu Oscar Niemeyer é reflexo desta irreverência, uma estrutura contemporânea que abriga a história de muitas obras e autores, propiciando o encontro do passado, com experiências vivas do presente. Considerado um dos vinte museus mais belos do mundo, segundo site norte-americano especializado em cultura e crítica de arte Flavorwire, pela grandiosidade, beleza e aproveitamento de seus espaços. A originalidade de sua fachada em forma de olho, envidraçado na cor azul, criados e construídos pelo renomado e saudoso arquiteto Oscar Niemeyer, confirmam este merecido título.

O prédio principal, já edificado em 1960, com uma arquitetura moderna e ousada para a época, em concreto suspenso com estilo de linhas retas em forma de caixa, abrigou várias Secretarias de Estado até 2002, quando foi desocupado para ser destinado a um museu. Levava o nome de “Edifício Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco”.

Foram reforçadas as estruturas já existentes com cuidados especiais para as vedações de umidades, segurança, ventilação e iluminação, com a finalidade de proporcionar condições de uso para o que se propunha: um grande museu com seus espaços administrativos adequados à realização de grandes empreendimentos.

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Sua inauguração se deu, apressadamente, em dezembro de 2002 com o nome de Novo Museu, pois era o fim de uma gestão governamental e as obras recém-terminadas ainda estavam sob testes. Uma exposição de inauguração predominantemente de esculturas foi instalada no espaço do olho, durante um período de três meses, com três moças posando nuas, simbolizando as três graças.

Na mudança de governo, em 2003, novos planos de uso e de trabalho foram delineados e no aguardo de definições quanto à sua missão, finalidade e documentação de legitimidade, a Secretaria de Estado da Cultura ficou responsável pela sua administração.

Nessas condições, ainda sem fazer parte do planejamento oficial e anual, que o Dia Internacional dos Museus, em 18 de maio de 2003, foi comemorado em grande estilo no Novo Museu. Foram usados seus espaços externos para apresentações das mais variadas formas de expressão artística. Artistas de todas as áreas apresentaram suas habilidades e performances, interagindo com o público presente durante todo o dia, num revezamento de atividades artísticas, lúdicas e de lazer. Foi um congraçamento das artes. Apresentaram-se desde a Banda da Polícia Militar com um repertório variado de músicas oficiais e populares, até o coral da Faculdade de Artes do Paraná com páginas do cancioneiro brasileiro e paranaense. Nas Artes Visuais, o Museu Alfredo Andersen esteve à frente com ensinamentos de pintura, desenho e cerâmica. O Museu da Imagem e do Som levou filmes de curta duração e projetou ao público ininterruptamente. Malabares e circenses alegravam as crianças com suas apresentações, enquanto outras crianças eram seduzidas por maquiadores de festas com suas pinturas de flores e bichinhos nos rostos.

Um mês depois, em junho, o Museu se estabeleceu com toda a infraestrutura que permanece até os dias de hoje. Passou a se chamar Museu Oscar Niemeyer - MON - por sugestão do governador da época, que achou bem merecida esta homenagem ao ilustre arquiteto. É conduzido por uma organização social que capta recursos para alguns empreendimentos, mas ainda divide com o governo as despesas de sua administração. É dirigido por um presidente e administrado por diretores setoriais.

Para sua reinauguração já com seu nome novo e definitivo foi realizada uma grande exposição organizada por uma conceituada empresa de São Paulo, que ocupou parte de seus imensos salões e trouxe, para deleite do público paranaense e visitantes uma exposição de cunho internacional.

A partir daí exposições de grande porte já fizeram uso de suas salas climatizadas e desumidificadas como Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Frida Kahlo, Pablo Picasso, Tarsila do Amaral e outros de igual envergadura. Sem contar o número inestimável de artistas locais que merecidamente fazem uso de seus espaços expositivos.

Seu acervo é composto de, aproximadamente, dois mil itens, entre pinturas, desenhos, gravuras, fotografias e objetos. Telas de grande valor como Alfredo Andersen, Miguel Bakun, Djanira, Cícero Dias, Di Cavalcanti, Ianelli, Pancetti, Iberê Camargo, entre outros, fazem parte deste acervo.

O museu tem 35.000m² de área construída, sendo 17.000m² destinadas às exposições. Possui três pavimentos e um anexo, o olho, ligado ao prédio principal por um túnel. Em seu entorno, um grande espelho d’água embeleza sua fachada e 2 grandes estacionamentos dividem a paisagem com verdes jardins que hoje são usados aos finais de semana pela população para lazer, em companhia dos seus cachorros de estimação. É popularmente chamado de “cachorródromo”.

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A área subterrânea abriga salas administrativas; sala da diretoria; setores educativos e culturais; portaria com sala para os seguranças; miniauditório; o espaço Oscar Niemeyer onde são expostos, permanentemente, obras, desenhos, croquis e maquetes do arquiteto; o pátio para esculturas expostas; espaço de confraternização tipo bar/café, onde é usado para vernissage e outras solenidades; a reserva técnica, eficaz por excelência, totalmente climatizada com controladores de temperatura e umidade, possui armários e traineis com roldanas que se movem e se adaptam aos tamanhos e espessuras das obras, possui portal de amplas dimensões para acesso de obras de grande porte; um laboratório para conservação e higienização das obras, bem como para pequenos reparos de restauração.

Pelo subsolo há um túnel de ligação ao espaço do “olho” que está há 10m de altura e um elevador ou escada conduz o visitante até o local que possui 1.708,14m² e é ligado à Torre da Fotografia com três salas de 84m² cada uma. Para criação deste anexo Oscar Niemeyer se inspirou nas araucárias, símbolo do Estado do Paraná. Porém, pela semelhança que ficou a um olho, ele hoje é conhecido popularmente como o Museu do Olho.

No andar térreo estão as portarias de entrada e saída do museu. Uma grande área aberta e coberta que pode ser usada para atividades culturais, circunda um auditório com 484,15m², com capacidade para 372 pessoas; um salão com 802,50m² que eventualmente é usado como restaurante ou salão de festas, com capacidade para 500 pessoas; um café aberto diariamente ao público; a bilheteria e a loja com produtos de souvenir, decoração, livros de arte e outros.

No andar superior estão nove grandes salões para exposições, impecavelmente apropriados para exibição de obras das mais variadas técnicas, dimensões ou formas.

Entre as mais de quarenta atrações turísticas que há em Curitiba, o Museu Oscar Niemeyer está em primeiro lugar na preferência do público, segundo pesquisa realizada pelo site Trip Advisor. Isto se deve ao encantamento que provoca em seus visitantes as interessantes exposições oferecidas ao público e o constante programa de interação que faz com que o visitante se sinta parte integrante de seu conteúdo cultural, além do prazer e bem estar que causa admirar sua magnífica paisagem composta por uma edificação espetacular, circundada por seus jardins e bosques.

Atualmente, o MON recebe cerca de quinze mil pessoas todos os meses e propicia experiências inusitadas nas mais renomadas exposições aos visitantes que circulam neste espaço do patrimônio do Paraná. E nestes treze anos de existência, ele vem contribuindo para colocar o Estado do Paraná na rota dos grandes expositores internacionais e corroborar para que Curitiba transpareça por meio deste reconhecido monumento arquitetônico, como uma belíssima paisagem cultural, transformada num original cartão postal da cidade.

[1] Graduada em Educação Artística, habilitação em Artes Plásticas pela Faculdade de Artes do Paraná (1979) Reg. no MEC 4262.
Museóloga Rg. 002 IV - COREM 5ª R - 1986.
Diretora de Museus do Estado do Paraná (1983 a 1992).
Coordenadora do Sistema Estadual de Museus do Paraná (2003 a 2006).
Presidente do Conselho Federal de Museologia - COFEM - (1993).
Presidente do COREM 5ª R (1994 e 2002).
Atualmente, aposentada e membro do COFEM, participando da Comissão de Legislação e Normas.

 

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