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Anelise Pacheco [1]

O advento das novas tecnologias da comunicação e da informação fez com que o ritmo do mundo passasse a sofrer uma grande aceleração. Devido a transformações cada vez mais rápidas, nossa relação com o tempo se modificou radicalmente. O futuro não é mais previsível para além de um curtíssimo prazo e a representação do passado foi encurtada significativamente. À medida que o futuro se tornou incerto, tornamo-nos nostálgicos de um passado cada vez mais recente.

Vivemos em um período espantoso de mudanças tecnológicas. E, enquanto a sociedade está se transformando por meio das inovações disruptivas nesta transição, cabe a cada indivíduo saber como se adaptar para ser bem sucedido neste novo estado de coisas.

A cada 24 horas, existem aproximadamente 4 milhões de smartphones sendo vendidos no mundo, cerca de 8 bilhões de hits postados no Youtube, 700 milhões de tweets realizados, 130 milhões de uploads  no Instagram, e 200 milhões de emails enviados. Atualmente, o número de iPhones vendidos por dia é maior do que o número de crianças que nascem. O mundo possui mais de 4 bilhões de usuários de internet acessando a 1.2 bilhões de websites. O Facebook, por sua vez, possui 1.4 bilhões de usuários. Ou seja, um em cada sete habitantes do planeta tem uma conta no Facebook. E se estes usuários formassem um país, seria o segundo país mais populoso do mundo.

O smartphone, por seu lado, tem transformado radicalmente o nosso corpo, o nosso tecido social, e as nossas relações humanas. E síndromes como a Fomo (Fear of Missing Out) começaram a ser descritas pela primeira vez em 2000, como o medo de que outras pessoas tenham boas experiências que você não tem.

Neste novo cenário, as escolas não estão mais preocupadas em fazer com que os alunos apenas acumulem informações e saibam resolver problemas. Mas em educar os alunos para terem paixão, curiosidade, imaginação, pensamento crítico e persistência. E como fica o papel dos museus neste mundo hiperconectado?

A digitalização de acervos e a criação de bases de dados on-line possibilitaram uma democratização sem precedentes das coleções dos museus. As redes sociais permitiram também que obras intra-muros pudessem circular, por meio de telas de smartphones, a qualquer hora do dia e em qualquer parte do planeta.

Observamos ainda que as novas tecnologias trouxeram consigo a noção de experimentação e co-realização. O usuário passou a demandar uma participação mais ativa na visita aos museus. E, mais do que isto, ele está cada vez mais ávido por espaços que lhe proporcionem experiências únicas. Verificamos esta característica na demanda cada vez maior, principalmente por parte do público jovem, por exposições que façam uso de realidade virtual, realidade aumentada e robótica.

Mas, curiosamente, aumentaram também as relações dos museus com as comunidades do seu entorno. O Museu da Maré, no Rio de Janeiro, alcançou uma visibilidade muito grande não só local, como também internacional, por ter sido capaz de se constituir e crescer a partir do envolvimento da comunidade.

O fato é que as novas tecnologias não param de nos assombrar com as possibilidades que oferecem de difundir os acervos das instituições para os mais diversos públicos, seja através de bases de dados online, seja através de aplicativos, seja através de redes sociais. Tecnologias como a realidade virtual tendem a oferecer experiências únicas de imersão em espaços museológicos. E quando o local se funde com o global, em lugar de presenciarmos um desaparecimento do local, observamos uma tendência crescente de museus comunitários, que valorizam as trocas sociais e integram o homem com o seu ambiente. 

Talvez o que esteja em jogo hoje seja oferecer um pouco de humanidade e sentido para esta geração que já nasceu com os aparatos tecnológicos como extensões de seus corpos. E se apresenta para nós como os cyborgs do amanhã. 


[1] Bacharel em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1985), mestre em Ciência da Computação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1988), mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994) e doutora em Comunicação e Sistemas de Pensamento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999). Foi Diretora do Museu da República de 1993 a 2003. E, atualmente, ocupa o cargo de diretora do Museu de Astronomia e Ciências Afins.


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