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Fernanda Miranda de Vasconcellos Motta [2]

A gestão do conhecimento conecta-se às transformações da sociedade contemporânea na medida em que considera conhecimento, comunicação, sistemas de significado e usos da linguagem como objetos de pesquisa e domínios de intervenção tecnológica. O pano de fundo, de acordo com Schwab (2016), é o fenômeno da revolução digital, materializado pela internet, pela estrutura em rede e por avanços tecnológicos como bigdata, computação cognitiva e internet das coisas. O autor ressalta que a revolução em curso não se restringe ao campo das inovações tecnológicas. A fusão das tecnologias e sua interação redefinem domínios físicos, biológicos e digitais da vida humana. Diante deste novo paradigma, a instuição museu passa por reconfigurações que envolvem a adoção de altos níveis de inovação. Eles têm relação direta com as oportunidades criadas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC´s - e associam-se, também, às transformações culturais, econômicas e políticas em curso, favorecendo o engajamento da comunidade, a inclusão de grupos sociais à margem e a instauração de processos de democratização do conhecimento.

O museu é desafiado a criar experiências significativas para a sociedade contemporânea.“Os espaços expositivos que apresentam tecnologias digitais com ou sem inserção de objetos museais convidam o usuário-público-visitante a entrar em conexão, a integrar e a participar do que se propõe” (BARBOSA, 2017, p.199). O museu configura um campo aberto de possibilidades de imaginação, co-criação, colaboração e compartilhamento de conhecimento. Appiotti & Sandri (2017) indicam três cenários integrados que representam o conceito contemporâneo de museu. O primeiro é o cenário digital, que propõe o investimento em dispositivos tecnológicos para a mediação da experiência. O segundo é o cenário da imagem, da reprodução digital, cada vez mais presente nos espaços físicos e virtuais, que democratiza e potencializa o acesso e compartilhamento de conhecimento. E o terceiro é o cenário da exploração da criatividade, da participação ativa das pessoas, a partir das estratégias de inovação colaborativa. O museu passa a apresentar-se como centro de produção criativa, de virtualização de experiências, mediado por comunidades em rede.

Com o propósito de enriquecer o debate, é abordado o projeto #MuseumWeek, que ilustra este movimento de hiperconexão entre as instituições culturais e suas comunidades físicas e virtuais. Ele é realizado, desde 2014, pela organização sem fins lucrativos “Culture for Causes”, patrocinado pela Fundação Chanel e apoiado pela UNESCO. Sua configuração é a de um evento cultural global e em rede, sob o lema “7 dias, 7 temas, 7 hashtags”. Instituições ao redor do mundo organizam e compartilham conteúdos culturais e interagem com o público, por meio de redes sociais como Twitter, Facebook, Instagram e Periscope. Em 2018, a 5a. Edição do #MuseumWeek propôs a temática: “Vivendo juntos: cidadania e tolerância”, que foi desmembrada em sete sub-temas: #womenMW, #cityMW, #heritageMW, #professionsMW, #kidsMW, #natureMW, #differenceMW.

Moura (2009) esclarece que as hashtags são ferramentas que classificam, agrupam e direcionam as informações contidas na web, possibilitando o engajamento dos usuários, através da escolha e utilização de palavras-chave para organização e representação da informação. O #MuseumWeek baseia-se neste processo colaborativo de indexação da informação, centrado no usuário e inerente à dinâmica das redes sociais. Observa-se um processo de expansão do conhecimento, cuja representação passa a não depender apenas da indexação baseada em linguagem controlada, orientada por especialistas, englobando, também, uma linguagem livre, universal, construída de forma colaborativa com os usuários.

Quanto às conexões com a gestão do conhecimento, a manifestação do fenômeno digital nos museus envolve o fomento às estuturas em rede, baseadas em comunidades, o uso estratégico das tecnologias de informação, os processos de inovação colaborativa, de codificação aberta e o compartilhamento viral de informações. Criam-se espaços museais baseados em processos de gestão estratégica da informação que, segundo Choo (2003), envolvem a criação de sentido (sensemaking), a geração de conhecimento por meio da aprendizagem coletiva e a facilitação do processo de tomada de decisões instituicionais.


[1] Este artigo é parte integrante da Tese de Doutoramento da autora.

[2] Graduada em Comunicação Social. Mestre em Administração. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento da Escola de Ciência da Informação - Universidade Federal de Minas Gerais. Bolsista Fapemig. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Bibliografia Consultada

  • APPIOTTI, Sébastien; SANDRI, Eva. Définir le musée par ses injonctions. In: MAIRESSE, François (org.). Définir le Musée du XXI Siècle. Matériaux pour une discussion. [Online]. Paris: ICOFOM, 2017. Disponível em http://network.icom.museum/fileadmin/user_upload/minisites/icofom/images/LIVRE_FINAL_DEFINITION_Icofom_Definition_couv_cahier.pdf . Acesso em: 20/04/2018.
  • BARBOSA, Cátia Rodrigues. O universo do digital: espaços expositivos e os museus. In: GOBIRA, Pablo; MUCELI, Tadeus (orgs.). Configurações do pós-digital: arte e cultura tecnológicas. [Online]. Belo Horizonte: EdUEMG, 2017.
  • CHOO, Chun Wei. A organização do conhecimento: como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2003.
  • SCHWAB, Klaus. The fourth industrial revolution. New York: Crown Business, 2016.
  • MOURA, Maria Aparecida. Folksonomias, redes sociais e a formação para o tagging literacy: desafios para a organização da informação em ambientes colaborativos virtuais. Informação & Informação. [Online], Volume 14, Número 1esp, 2009. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/2196 . Acesso em: 20/04/2018.
  • MUSEUMWEEK. [Online]. Disponível em http://museum-week.org/ . Acesso em: 20/04/2018.

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