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Luiz Antônio Bolcato Custódio [1]

Os museus, ao longo de sua trajetória, se transformam, ou se adaptam, adquirindo diferentes papéis no sentido acompanhar as dinâmicas das sociedades. De locais de depositários patrimoniais ou de locais de referência ou representação de culturas e tradições, passam, contemporaneamente a incorporar novas práticas e novas atitudes.

Evocam e comunicam temas ou situações, que de alguma maneira tem a ver com suas comunidades. Ou, buscam ampliar audiências acolhendo diferentes públicos ou promovendo atividades que ampliam sua missão de lugares de memória para lugares de vivências, lugares de convivências.

O tema escolhido para celebrar o Dia Internacional de Museus em 2019propõe os museus como núcleos culturais, numa alusão a sistemas de redes e centros de conexões, e pode corresponder ao papel que muitas destas instituições vêm buscando representar para suas comunidades ou localidades.

Buscam enfrentar desigualdades, acolher diversidades, ou seja, tratar de temas que estão em pautas contemporâneas,locais ou globais, e que, muitas vezes, não têm espaço para reflexões ou ações. Por mais que possa parecer abstrato, os vínculos (e as redes) se estruturam, quando as afinidades, necessidades ou oportunidades se apresentam. Ou quando são criadas.

O Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, instituição que reúne acervos históricos e arqueológicos da trajetória local e uma rica coleção fotográfica que documenta sua evolução, vem trabalhando na linha de ampliar sua relação com o entorno imediato, e com as diferentes pautas da cidade contemporânea. Localiza-se na Cidade Baixa, um bairro tradicional, com uma dinâmica que vem reunindo nas últimas décadas, juventude e boemia.

As novas práticas, às vezes reúnem centenas de freqüentadores, quando o pátio do Museu se transforma em parque de atividades culturais aos fins de semana. Ou quando foca em públicos especiais, nas visitas orientadas, com acessibilidade para deficientes visuais. Ou quando aborda temas contemporâneos, como inclusão social, sempre usando nas referências, as coleções do Museu. Isto, a despeito das reconhecidas e recorrentes carências de recursos humanos e financeiros da área cultural.

E estas abordagens e dinâmicas que de alguma maneira tratam os museus como núcleos de relações culturais, pouco a pouco se ampliam em distintas instituições, com diferentes visões, mas com objetivos semelhantes de ampliar, reunir, agregar e melhor dialogar com as comunidades onde se inserem e que são a razão de sua existência.

Será este o futuro da tradição?

 


[1] Arquiteto. Professor do Centro Universitário Uniritter. Ex-presidente do Comitê Brasileiro do ICOM.


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