BRASIL, Brasília - É oficial: a candidatura do Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, Rio de Janeiro (RJ), será analisada durante a 44ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, em 2020.

Em outubro de 2018, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,4 milhões para o projeto de requalificação do Sítio Roberto Burle Marx (Fotos: Michel Corbou/Iphan)

A confirmação chegou por meio de carta para a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, delegada do Brasil para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A próxima etapa será a realização da missão de avaliação técnica do sítio por especialistas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos).

O sítio onde Burle Marx morou até o final de sua vida está sob a gestão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania. Guarda uma exuberante coleção botânico-paisagística, com mais de 3,5 mil espécies de plantas tropicais cultivadas. A propriedade constitui o maior e mais importante registro de memória da vida e obra do artista, mundialmente reconhecido por sua extensa produção no campo das artes visuais. O conceito de jardim tropical moderno, que é sua criação, representou mudança de paradigma no paisagismo mundial, rompendo com a tradição de jardins clássicos e românticos do século XIX e início do XX.

“Quem conhece a obra de Roberto Burle Marx não tem dúvidas a respeito do valor universal do Sítio como Patrimônio Cultural, diante da qualidade da obra do paisagista, de grande visibilidade e reconhecimento no Brasil e no mundo. Alguns visitantes fazem contato do exterior, solicitando o agendamento de visitas, com meses de antecedência. A inscrição na lista do Patrimônio Mundial representará o reconhecimento da importância do Sítio para a humanidade, o que, além de reforçar sua preservação, trará ainda mais visitantes para este local extraordinário, que o Iphan cuida há tanto tempo”, declara a diretora do Sítio, Claudia Storino.

Projeto museológico
Em outubro de 2018, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 5,4 milhões para o projeto de requalificação do Sítio Roberto Burle Marx. Os recursos são destinados para a produção de uma série de projetos de museologia, design, sustentabilidade, arquitetura e outros. A proposta é melhorar o atendimento ao público e implementar as condições de trabalho para a equipe. O investimento contempla os projetos executivos de reforma do prédio administrativo e de construção de um novo bloco, com refeitório, vestiários, almoxarifados, além de espaço específico para a pesquisa botânica, com herbário, laboratórios e salas de trabalho.

O Sítio vai ganhar um novo projeto museológico, com educação patrimonial, acessibilidade, comunicação, conservação de acervos e redefinição dos percursos de visitação. O público poderá ter acesso a materiais de apoio à visitação, como audioguias, recursos destinados à acessibilidade, como um mapa tátil, e reproduções de obras para manuseio. O investimento vai garantir também a produção de um livro sobre o Sítio, para que o visitante possa levar para casa como recordação.

Ainda em 2019, a casa principal onde morava Burle Marx receberá novo tratamento museográfico, possibilitando aos visitantes percorrer a casa livremente. O espaço vai ganhar nova iluminação, além de recursos visuais e sonoros, para garantir ao público uma nova experiência em contato com a casa.

Valor universal
O dossiê de candidatura do Sítio Roberto Burle Marx como Patrimônio Mundial, desenvolvido pelo Iphan, defende o seu valor universal excepcional. O Sítio é um testemunho do intercâmbio de valores humanos, um exemplo representativo do paisagismo moderno e do pioneirismo de Burle Marx na preservação ambiental.

O Sítio Roberto Burle Marx é exemplo para o mundo de um espaço em que o estudo e a experiência paisagística da flora e da fitoecologia tropical serviram de base para um intercâmbio de valores humanos que influenciaram a direção da modernidade e a visão de paisagismo no Brasil e no mundo. A partir desse espaço único, difundiram-se importantes ideias sobre coleção botânica, paisagismo, design de jardins, horticultura, preservação arquitetônica, planejamento urbano, articulação entre diferentes manifestações artísticas e pensamento ecológico.

A concepção de jardim tropical moderno foi desenvolvida por Burle Marx a partir de suas experiências no local, passando pela compreensão da natureza como, a um só tempo, espaço físico heterogêneo e criação cultural, exuberância natural e forma moderna. O Sítio Burle Marx é, assim, um laboratório que modificou a história do paisagismo internacional.

Fonte: Iphan/ Ministério da Cidadania

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