BRASIL, Brasília - Desde a colonização sul-americana, a Bacia do Prata é território estratégico na América Latina.


Fortaleza de Santa Cruz, na ilha de Anhatomirim, em Santa Catarina, é uma das fortificações brasileiras que podem se tornar Patrimônio Cultural do Mercosul (Foto: Edu Lyra/Iphan)

Local de escoamento de prata minerada na região, ali as coroas espanhola e portuguesa edificaram importantes sistemas defensivos que se tornaram marcos históricos. Agora, as quatro nações construídas ao redor da bacia hidrográfica – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – pretendem unir esforços para preservar e valorizar os fortes e fortalezas da região.

O Conjunto de Remanescentes das Fortificações da Bacia do Rio da Prata é o mais novo candidato a Patrimônio Cultural do Mercosul. A candidatura foi formalizada durante a última reunião da Comissão de Patrimônio Cultural do Mercosul, realizada em Buenos Aires, na Argentina, em 28 e 29 de maio. “A intenção é proteger e valorizar os remanescentes. Quando um bem ganha reconhecimento internacional, isso mobiliza esforços em prol da sua preservação”, celebra Marcelo Brito, diretor de Cooperação e Fomento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), instituição vinculada ao Ministério da Cidadania.

A candidatura integra monumentos de Buenos Aires, na Argentina; Assunção, no Paraguai; as fortalezas de Montevidéu, Colônia do Sacramento, Castilhos, Luanda e Maldonado, no Uruguai; além de fortificações brasileiras no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. As edificações marcam o período entre o início da União Ibérica, em 1580, até o Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, que encerrou a disputa entre Espanha e Portugal pela posse da colônia sul-americana de Sacramento.

São monumentos que se destacam no território e demonstram o histórico esforço para a sua ocupação, defesa e integração da Bacia do Prata, que é o maior estuário do mundo. Guardam, também, valores associados a processos históricos comuns de expressão da região perante o mundo.

Patrimônio do Mercosul
Há quatro bens brasileiros reconhecidos como Patrimônio Cultural do Mercosul. O primeiro foi a Ponte Internacional Barão de Mauá, na fronteira do Brasil com o Uruguai, que, além de grande valor histórico e arquitetônico, guarda também um peso simbólico por expressar esforços de união entre os países. As Missões Jesuíticas Guaranis, Moxos e Chiquitos também foram protegidas pela organização latino-americana. A Serra da Barriga, em Alagoas, região do Quilombo dos Palmares, foi inscrita como bem cultural do Mercosul em 2017. No ano seguinte, foi o reconhecimento da Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani, devido à presença ancestral dos Guarani no território Yvy Rupá, que hoje integra o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

A cada processo de reconhecimento, é formulado um plano de gestão compartilhado, firmado entre as nações envolvidas, para preservar e valorizar aqueles bens.

Mercosul Cultural
O Mercosul Cultural reúne ministros da Cultura para tratar dos assuntos relacionados à área em uma perspectiva integradora do bloco. Estruturado a partir de 2012, com o estabelecimento de suas comissões especializadas, a Comissão de Patrimônio Cultural tem exercido papel importante e estratégico na construção de diálogos e no desenvolvimento de iniciativas de promoção do patrimônio cultural da região. O Mercosul Cultural tem como membros Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, e os países associados são Bolívia, Chile, Equador, Peru e Colômbia.

Fonte: Iphan/ Ministério da Cidadania

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