BRASIL, Brasília - O secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, embarcou para Baku, no Azerbaijão, onde irá acompanhar a reunião do Comitê da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).


Se aprovado pelo Comitê da Unesco, o local será considerado o primeiro sítio misto do Brasil (Foto: Oscar Liberal)

Na reunião, Paraty e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, poderão ser reconhecidas pelo seu excepcional valor para a humanidade e inscritas na lista do Patrimônio Mundial da entidade. “A nossa expectativa nessa viagem até o Azerbaijão é que depois dessas 30 horas de voo a gente consiga voltar de lá com o título para Paraty considerada patrimônio mundial”, comentou o secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania. “Além da questão arquitetônica de Paraty que é conhecida por todos, a área é bem maior e engloba toda aquela área de montanha no entorno. Nessas quatro áreas que foram demarcadas, existem pelo menos 36 espécies bastante raras, incluindo o palmito-juçara, que é uma raridade e que também consta nesse patrimônio”, ressaltou Pires.

Região de vasta riqueza cultural e que também encanta por sua beleza natural, Paraty e Ilha Grande disputam com outros 28 pedidos de reconhecimento de sítios mundiais, sendo dois sítios mistos, ou seja, locais que são reconhecidos ao mesmo tempo como Patrimônio Cultural e Natural Mundial. Paraty e Ilha Grande concorrem diretamente com a região do Lago de Ocrida, na Albânia-Macedônia. “Nós estamos bastante otimistas com essa candidatura de Paraty a patrimônio mundial”, afirmou o secretário. O encontro do comitê da Unesco, que ocorre até 10 de julho, pode selar o 22º bem brasileiro a levar o título da entidade. Atualmente, há 14 sítios inscritos como Patrimônio Mundial Cultural e outros sete como Patrimônio Mundial Natural no Brasil.

O sítio misto abrange um território de quase 149 mil hectares, em que o centro histórico se cerca de quatro áreas de conservação ambiental. Ali, estão o Parque Nacional da Serra da Bocaina, o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e a Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. Desde a Baía da Ilha Grande, são 187 ilhas, muitas cobertas de vegetação primária. “Foram quatro áreas devidamente registradas com fauna e flora raras. Tudo isso forma um conjunto significativo, são milhares de hectares e se isso ocorrer vamos ter bastante motivo para comemorar”, explicou Henrique Pires. “Neste aspecto, Paraty passa a ser, na medida em que venha a receber essa premiação, um destino inigualável no mundo, que vai atrair muitos turistas, pesquisadores e gerar muito emprego ali na região”, finalizou o secretário.

Parceria
Na área que envolve a cidade de Paraty e a Ilha Grande – ilha localizada no litoral sul do estado do Rio de Janeiro, integrante do município de Angra dos Reis -, encontra-se um sistema cultural baseado nas comunidades tradicionais, no qual se vê estreita relação entre cultura e biodiversidade. Em função disso, a candidatura ao título da Unesco é fruto de parceria entre os ministérios da Cidadania e do Meio Ambiente, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); as prefeituras municipais de Paraty e de Angra dos Reis e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Um dos principais aspectos do sítio, que faz do local incomparável no mundo, é o alto grau de espécies endêmicas da fauna e da flora, assim como espécies raras do bioma Mata Atlântica. São 36 espécies vegetais consideradas raras, sendo 29 endêmicas. A área abrange cerca de 45% das aves da Mata Atlântica e 34% dos anuros (sapos e pererecas) desse bioma. Há registros de mamíferos raros e predadores, como a onça-pintada e o muriqui, o maior primata das Américas.

Delegação
A delegação brasileira que está em Baku é composta pelo secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires; pela presidente do Iphan, Kátia Bogéa; pelo diretor de Cooperação e Fomento do Iphan, Marcelo Brito; pela assessora internacional do Ministério da Cidadania, Juliana Santini de Oliveira; e por membros das prefeituras de Paraty e Angra dos Reis.

O Brasil é membro do Comitê do Patrimônio Mundial e tem direito a voto. Participam também Angola, Austrália, Azerbaijão, Bahrein, Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, China, Cuba, Guatemala, Hungria, Indonésia, Kuwait, Quirguistão, Noruega, Saint Kitts e Nevis, Espanha, Tunísia, Uganda, Tanzânia e Zimbábue.

Paraty e Ilha Grande em números
• Área total: 148.831 ha
• Área de entorno: 407.752 ha
• Centro histórico de Paraty (46 ha) e Morro da Vila Velha (13 ha)
• Altitude máxima: 2.088 metros no Pico do Tira Chapéu, na Serra da Bocaina
• 187 ilhas, muitas cobertas de vegetação primária, e rica diversidade marinha
• 4 unidades de conservação: Parque Nacional da Serra da Bocaina, Parque Estadual da Ilha Grande, Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e Área de Proteção Ambiental de Cairuçu
• 6 municípios: Paraty (RJ), Angra dos Reis (RJ), Ubatuba (SP), Cunha (SP), São José do Barreiro (SP) e Areais (SP)
• Centro histórico de Paraty: tombamento pelo Iphan em 1958 (61 anos), fundação em 28 de fevereiro de 1667 (352 anos)

Fonte: Assessoria de Comunicação/ Secretaria Especial da Cultura/ Ministério da Cidadania

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