BRASIL, Porto Alegre - Apontada pela Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul para assumir a curadoria-geral da Bienal 12, a escritora, professora e pesquisadora argentina Andrea Giunta definiu os curadores-adjuntos responsáveis pela próxima edição da mostra de arte contemporânea.


A argentina Andrea Giunta é a curadora-geral da Bienal 12 (Crédito da foto: Rob Verf)

A polonesa Dorota Biczel e os brasileiros Fabiana Lopes e Igor Simões se unem à Andrea na equipe curatorial do evento, que será realizado em Porto Alegre de 16 de abril a 5 de julho de 2020.

Os curadores já definiram o título da Bienal 12, que será Feminino(s). Visualidades, Ações e Afetos. A mostra terá como centro as propostas de artistas mulheres e de todas as sensibilidades não binarias, fluidas e não normativas, sobretudo daquelas que se expressam em oposição às mais diversas formas de violência, e que compartilham o desejo de uma ordem social menos opressiva e discriminatória em termos de gênero. A curadoria pretende destacar a relevância da criatividade para friccionar limites e condicionamentos, enriquecer-se com a criação daqueles que trabalham com materiais e técnicas tradicionalmente atribuídos às artes do feminino e compartilhar o exercício coletivo de inventar novas formas de fazer, dizer, pensar e criar na vida democrática.

A equipe curatorial tem se reunido em visitas técnicas na capital gaúcha, em espaços como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o Memorial do Rio Grande do Sul, a Praça da Alfândega, o Centro Histórico-Cultural Santa Casa e a Fundação Iberê Camargo, que vão abrigar o evento em 2020. Os curadores também têm realizado atividades paralelas e preparatórias para a Bienal 12. Entre elas, está o Território Kehinde, uma ação do projeto educativo da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul formada por debates e rodas de conversa que propõem a construção coletiva de saberes. As atividades se iniciaram em outubro deste ano e seguem até novembro, com encontros gratuitos nas cidades de Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas. Confira a programação completa em www.fundacaobienal.art.br.

A Bienal 12 tem patrocínio do Santander, copatrocínio do Banrisul, apoio de Unimed e Unicred, apoio institucional de Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Memorial do RS, MARGS, UERGS, CHC Santa Casa, Fundação Iberê Camargo e Theatro São Pedro, realização do programa educativo pela Fecomércio / SESC RS e realização da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul.

Declaração curatorial
FEMININO(S).
VISUALIDADES, AÇÕES E AFETOS

O título desta bienal instala uma interrogação que remete à fricção central da cultura democrática contemporânea: a participação da sociedade desde o conceito de diferença entendida como multiplicidade e não como separação, tal como o expressou Denise Ferreira da Silva. Toma também como ponto de partida as perguntas que propôs a teórica Nelly Richard em seu livro Masculino / Femenino (1993), feitas no contexto latino-americano das transições democráticas. As suas interrogações remetem ao lugar social do feminino, suas construções, suas incompatibilidades e o salto sobre as lógicas binárias excludentes. As perguntas têm plena vigência. Particularmente no momento em que o feminino retoma agendas não realizadas desde os anos sessenta, recupera os questionamentos dos noventa e amplia suas urgências como consequência das aumentadas violências contra as mulheres e os coletivos LGBTTQ+; o aumento da pobreza e dos sistemas de exclusão e discriminação; a observação crítica e atenta dos programas que atacam os recursos naturais do planeta.

A bienal propõe elaborar um contrato sensível, uma zona de intercâmbios de visualidades, ações e afetos que permita confirmar a riqueza da vida democrática sem eludir sua complexidade.

Feminino(s) destaca a relevância da criatividade para friccionar limites e condicionamentos. Inspira-se, nesse sentido, em uma frase poética de Carolina Maria de Jesus, camponesa, poeta e cronista afrobrasileira, que abriu interstícios entre o trabalho e o cuidado de seus filhos para escrever. Ela escrevia na riqueza da favela e apesar das limitações impostas por violências raciais (pós)coloniais. Escrevia "Até passar a chuva". As palavras e as imagens se depositaram em seus papéis desenhando territórios que apontam para uma liberdade possível. Porque a escrita explora os limites que as circunstâncias apontam sobre a linguagem. A essas condições da criação provavelmente aludia Clarice Lispector quando se referia à tarefa de sulcar impossibilidades: "Tudo o que sei não posso escrever", escrevia, ao nomear o "luxo do silêncio". Mais do que a obviedade dos sentidos, deslocados em um tempo no qual se veem reduzidos a lugares comuns, em uma comunicação plana, o diagrama expositivo da bienal aponta para a leitura atenta de uma comunidade interpretativa capaz de abordar um tecido de sensibilidades e discursos que admitem o dissenso como mola da argumentação e da deliberação. Porque, sabemos, é necessário dizer, e explorar as diferentes maneiras de nomear para evitar as classificações uniformes.

Feminino(s) centra-se nas propostas de artistas mulheres e de todas as sensibilidades não binárias, fluidas, não normativas. Sobretudo aquelas que se expressam em sua oposição às mais diversas formas da violência. Trata-se de envolver-se com as aspirações das maiorias a que muitas obras nos direcionam, e que compreendem artistas afrodescendentes e indígenas, cuja presença segue evocando reflexões críticas no mundo da arte, que, no entanto, é excludente. Trata-se de escutar em detalhe e abordar a sério tudo aquilo que os estereótipos marginalizam. Todas as vozes, desde sua heterogeneidade de respostas e propostas, constituem a cultura.

Feminino(s) expande-se com as propostas de artistas sócios ou aliados, que compartilham o desejo de uma ordem social menos opressiva e discriminatória em termos de gênero. São muitas as poéticas que inspiram o desenho de um novo horizonte simbólico e cultural em que as diferenças de gênero não se traduzam em desigualdades ou subalternidades. Todas as histórias necessitam ser relatadas e comunicadas para que as narrativas tornem-se plurais.

Feminino(s) enriquece-se com a criação daqueles que trabalham com materiais e técnicas tradicionalmente atribuídos às artes do feminino. Existe uma criatividade nas formas de conceber o comum desde experiências de vida e relatos cotidianos que devem ser escutadas como vozes de uma diversidade sem diferenças. As experiências que expandem a expressão da comunidade contribuem para a conversa, o intercâmbio e a necessária reconstrução de uma trama social ferida pelo abuso e a precariedade. Essa interação gera intercâmbios a partir dos quais podemos imaginar outras formas de conhecimento. Todas as linguagens nos pertencem sem hierarquias de valor nem segregação de conteúdos.

Feminino(s) aspira a compartilhar o exercício coletivo de inventar novas formas de fazer, dizer, pensar e criar. Uma plataforma que atue como um foro e como um coro de expressões e escutas. Quer funcionar como um espaço que mude a estrutura tradicionalmente excludente das representações simbólicas e culturais que regem o mundo da arte. A dimensão educativa é central para criar territórios de intercâmbios, debates e encontros entre os diferentes públicos que criarão suas próprias bienais. A bienal propõe-se como um espaço de celebração coletiva do pensar e criar juntos para enfrentar com imaginação crítica os desafios de fortalecer um pacto democrático que amplie e diversifique os contornos da cidadania.


Dorota Biczel (Polônia/EUA) - Equipe Curatorial

Curadora-geral e equipe curatorial
Andrea Giunta é escritora, curadora e professora da Universidade de Buenos Aires, onde obteve seu doutorado. Ela é pesquisadora principal do CONICET, Argentina, e pesquisadora visitante da Universidade do Texas em Austin. É autora de vários livros sobre arte latino-americana, incluindo Avant-garde, Internationalism and Politics: Argentine Art in the Sixties (Durham: Duke University Press, 2007). Em 2018, ela publicou Feminismo y arte latinoamericano: Historias de artistas que emanciparon el cuerpo (Buenos Aires: Siglo XXI, 2018, a ser publicado pela University of California Press). Foi cocuradora de Radical Women: Latin American Art, 1960–1985 (2017–2018, Hammer Museum, em Los Angeles, Brooklyn Museum, em Nova York, e Pinacoteca de São Paulo).

Dorota Biczel (Polônia/EUA) é PhD pela Universidade do Texas em Austin e atualmente atua como professor assistente visitante em História da Arte na Universidade de Houston. Seus projetos de pesquisa, redação e curadoria concentram-se na arte latino-americana contemporânea vista no contexto global, particularmente nas interseções de experimentação material, prática social e política. Publicou artigos e ensaios em revistas acadêmicas como Caiana, Buildings & Landscapes, Art Journal, ARARA e alter / nativas e em catálogos de exposições. Foi curadora de Moving Mountains: Extractive Landscapes of Peru, no Centro de Artes Visuais da Universidade do Texas (2016), e cocuradora de cronologia de Teresa Burga's Chronology: Reports, Diagrams, Intervals (2011, Württembergischer Kunstverein Stuttgart), entre outros projetos.


Fabiana Lopes - Equipe Curatorial


Fabiana Lopes é curadora independente radicada em Nova York e São Paulo e doutoranda em Estudos de Performance pela New York University, onde é uma Corrigan Doctoral Fellow. Sua pesquisa está centrada na produção contemporânea de artistas da diáspora africana no Brasil e nas Américas. Seus textos foram publicados na Harper's Bazaar Art, O Menelick 2o Ato, ARTE!Brasileiros, Contemporary And (C&) e em catálogos de exposições, entre os quais Rosana Paulino: Costura da Memória, Pinacoteca, São Paulo (2018), Lucia Laguna: Vizinhança, MASP, São Paulo (2018), Of Darkness and of Light, Minnette Vári, Johanesburgo (2016), e Territórios: Artistas Afrodescendentes no Acervo da Pinacoteca, Pinacoteca, São Paulo (2015).

Igor Simões é doutor em Artes Visuais-História, Teoria e crítica da Arte-PPGAV-UFRGS. Professor adjunto de História, Teoria e Crítica da arte e Metodologia e Prática do ensino da arte (UERGS). Membro do comitê de curadoria da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas-ANPAP, Membro do Núcleo Educativo UERGS-MARGS. Membro do comitê de acervo do Museu de Arte do RS-MARGS. Trabalha com as articulações entre exposição, montagem fílmica, histórias da arte e racialização na arte brasileira e visibilidade de sujeitos negros nas artes visuais. Autor da tese Montagem Fílmica e Exposição: Vozes Negras no Cubo Branco da Arte Brasileira. Membro do Flume-Grupo de Pesquisa em Educação e Artes Visuais.


Igor Simões - Equipe Curatorial



Sobre a Fundação Bienal do Mercosul
Criada em 1996, a Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como missão desenvolver projetos culturais e educacionais na área de artes visuais, adotando as melhores práticas de gestão e favorecendo o diálogo entre as propostas artísticas contemporâneas e a comunidade. Ao longo de sua trajetória, a Fundação Bienal do Mercosul sempre teve como missão a ênfase nas ações educativas e os seguintes princípios norteadores: foco na contribuição social, buscando reais benefícios para os seus públicos, parceiros e apoiadores; contínua aproximação com a criação artística contemporânea e seu discurso crítico; transparência na gestão e em todas as suas ações; prioridade de investimento em educação e consolidação da Bienal como referência nos campos da arte, da educação e pesquisa nessas áreas.

Em 22 anos de existência, a Fundação Bienal do Mercosul realizou 11 edições da mostra de artes visuais, somando 615 dias de exposições abertas ao público, 74 diferentes exposições, participação de 1.759 artistas, com 4.849 obras expostas, intervenções urbanas de caráter efêmero e 16 obras monumentais deixadas para a cidade. Foram 6.061.698 visitas com acesso totalmente franqueado, 1.283.269 agendamentos escolares e 207.477 metros quadrados de espaços expositivos preparados, áreas urbanas e edifícios redescobertos e revitalizados. A Bienal do Mercosul contabiliza ainda 76.500 exemplares distribuídos dos catálogos das mostras, 298.000 exemplares de material didático produzido para alunos, professores e instituições de ensino, 216 patrocinadores e apoiadores ao longo da história e mais de 12.825 empregos diretos e indiretos gerados – além de seminários, conversa com o público, oficinas, curso para professores, formação e trabalho como mediadores para 1.893 jovens.

A Diretoria e os Conselhos de Administração e Fiscal da Fundação Bienal do Mercosul atuam de forma voluntária. Todos os eventos e ações da Fundação são oferecidos gratuitamente ao público, com recursos incentivados por uma grande rede de patrocinadores, parceiros e apoiadores.

Serviço
Bienal 12
De 16 de abril a 5 de julho de 2020
Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil

Patrocínio: Santander
Copatrocínio: Banrisul
Apoio: Unimed e Unicred
Apoio institucional: Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Memorial do RS, MARGS, UERGS, CHC Santa Casa, Fundação Iberê Camargo e Theatro São Pedro
Realização do programa educativo: Fecomércio / SESC RS
Realização: Lei Federal de Incentivo à Cultura e Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul

Fonte: divulgação por e-mail

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