PARANÁ, Curitiba - No cotidiano de bairros localizados para além da região central curitibana, vez por outra o som de atabaques, palmas e vozes destacam-se e diluem-se no burburinho da noite. Sons que comunicam conhecimentos e tradições ancestrais da cultura afro-brasileira, muitas vezes incompreendidos e silenciados por práticas marcadas pela intolerância religiosa e pelo racismo. Conhecer e reconhecer os lugares de expressões da religiosidade de matriz africana, portanto, torna-se central em um contexto no qual a promoção de direitos humanos – que, entre outras questões, garante a liberdade de culto – é vital aos processos democráticos. 

É nesse contexto que surgiu o projeto Lugares de Axé: inventário dos terreiros de candomblé de Curitiba e região metropolitana, que teve entre seus objetivos realizar a identificação, mapeamento e documentação referente aos espaços onde são realizadas as práticas religiosas afro-brasileiras na cidade de Curitiba (PR). As iniciativas são realizadas em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a partir de experiências de identificação e salvaguarda desenvolvidas com terreiros das cidades de Salvador (BA), Belo Horizonte e Porto Alegre (RS).

A cultura de matriz africana em Curitiba passa por um processo de invisibilidade. Dessa maneira, os esforços da pesquisa têm a finalidade de juntar documentação histórica, ainda muito escassa, que se encontra em agências públicas de fiscalização relacionadas à área cultural e, principalmente, na oralidade daqueles que ainda mantêm a tradição das casas de candomblé mais antigas da cidade. Neste inventário preliminar, a equipe trabalhou com seis casas, abertas entre as décadas de 1960 e início de 1980. Além desses lugares, os pesquisadores encontraram na fala de seus interlocutores o indicativo de lugares de axé localizados em logradouros públicos, como a Praça Tiradentes e cachoeiras na Serra da Graciosa.

O conteúdo da pesquisa, com textos, fotos e vídeos, está disponível no site do projeto, que será lançado no próximo dia 22 de janeiro, no Memorial de Curitiba. A data é propícia, uma vez que no dia 21 de janeiro é lembrado o Dia de Combate à Intolerância Religiosa, questão que vem trazendo problemas cotidianos às religiões de matriz africanas. 

Na ocasião, com a presença de representantes das casas inventariadas, será entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o pedido de registro dos Irôkos da Praça Tiradentes como patrimônio imaterial brasileiro que, caso aceito, entrará em processo para inscrição no Livro de Lugares, sendo inserido nas políticas de salvaguarda desenvolvidas pela instituição. Também estarão presentes no lançamento representantes da Superintendência Iphan/PR; da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR); do Fórum de Religiões de Matrizes Africanas; e da Fundação Cultural de Curitiba (FCC). 

O Instituto desenvolve uma forte atuação na salvaguarda e proteção dos bens culturais de matriz africana. Em 2013, foi criado o Grupo de Trabalho Interdepartamental para Preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros (GTIT). A iniciativa se fez necessária, devida a inexistência de políticas de patrimônio cultural voltadas às manifestações e a crescente identificação e proteção relativas aos bens culturais desses povos e comunidades. A primeira etapa do GT tem sido executada, desde junho de 2015, com a capacitação interna de gestores.

A política desenvolvida pelo Iphan efetua, também, a produção de conhecimento, mapeamento e inventários referente a esses lugares de culto, como a publicação do livro Inventário Nacional de Referência Culturais Terreiros do Distrito Federal e Entorno. Outro projeto implementado, recentemente, pela superintendência do Iphan/TO é a pesquisa de campo junto às Casas de Religião de Matriz Africana no município de Palmas. Este levantamento irá identificar, quantificar, situar, registrar os dirigentes e historiar estes espaços. A médio prazo, o projeto será estendido a outras regiões de Tocantins. Quando finalizado, o mapeamento dará visibilidade às Casas e contribuirá para a valorização do bem cultural de natureza imaterial relacionado ao universo das religiões de matriz africana, bem como subsidiará o desenvolvimento de políticas públicas para o fortalecimento deste patrimônio.

Serviço: Seminário Lugares de Axé: resultados e perspectivas de ações para a salvaguarda do patrimônio afro-brasileiro em Curitiba

Quando: 22 de janeiro, às 18h

Local: Teatro Londrina – Rua Claudino dos Santos, 79, Memorial de Curitiba, Largo da Ordem. Curitiba-PR

 

Fonte: Iphan

(Nota do editor: notícia originalmente publicada em 20/01/2016 - 22 visitas até 13:42h)

DISTRITO FEDERAL, Brasília - Há 7 anos, foi assinada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei de criação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC). Cabe ao Ibram a administração direta de 29 instituições e a construção de políticas públicas de valorização, proteção e normatização do campo museológico.

O Ibram promove, divulga e consolida a presença dos museus na vida cultural do país. Ampliar a visitação e diversificar o público, metas importantes do Instituto, registraram notáveis resultados nestes sete anos. Semana Nacional e Primavera dos Museus proporcionaram aumento considerável na visitação nos últimos anos, conforme pesquisas realizadas pelo Ibram.

Os museus vinculados ao Instituto também têm passado por processo de requalificação. Para o presidente do Ibram, Carlos Roberto Brandão, o trabalho de de modernização da gestão que começou no ano passado, com mais investimentos nos museus e desconcentração das atividades do Ibram, será continuado, “acreditamos que quanto mais estruturados, os museus tornam-se mais atraentes e capazes de disseminar informação qualificada para a sociedade”.

Em 2013, houve a publicação do decreto nº 8.124/13, que regulamenta o Estatuto de Museus. A partir do decreto, dentre outras ações, o Ibram implantou o Formulário de Visitação Anual. Em 2016, ele será aplicado pela 2ª vez. Os resultados dão um panorama dos números de visitantes nas instituições museais em todo o país.

Desde a sua criação, o Ibram já realizou três fóruns nacionais de museus. Em cada um deles, foi possível refletir, avaliar e propor diretrizes para a Política Nacional de Museus e para o Sistema Brasileiro de Museus. É o momento que o campo tem para se reunir, discutir ações, propor medidas. É um espaço de diálogo fundamental para o fortalecimento das políticas públicas para o setor.

Lançada recentemente, a Rede Nacional de Identificação de Museus, plataforma que substituiu o Cadastro Nacional de Museus é indispensável para se conhecer a realidade museal brasileira e que tem muito a contribuir com as políticas públicas para o setor. É prioridade para este ano, fortalecer a rede.

No âmbito internacional, o Ibram tem realizado diversas ações. Destaque para a parceria com a Escola do Louvre, que tem proporcionado intercâmbio de profissionais e para a aprovação, em 2015, pela UNESCO da recomendação sobre promoção e proteção de museus e coleções. Para este ano, o Ibram se comprometeu em divulgar o instrumento junto a organizações e países amigos. Queremos que o setor conheça e se aproprie cada vez mais desta recomendação.

Nestes sete anos de Ibram, muito já foi feito, mas ainda temos um longo caminho pela frente. E cada um de vocês é importante. A equipe do Ibram agradece a todos que fizeram parte desta caminhada. Muito obrigado!

 

Fonte: Ibram

(Nota do editor: notícia originalmente publicada em 20/01/2016 - 21 visitas até 13:47h)

RIO GRANDE DO SUL, Porto Alegre - A Fundação Cultura Palmares (FCP), entidade vinculada ao Ministério da Cultura, realiza nesta sexta-feira, 22, às 15h, em Porto Alegre (RS), um painel para discutir a construção de um Fórum Estadual de Cultural Afro-brasileira na capital gaúcha. O painel integra a programação do Fórum Social Mundial, que comemora sua 15ª edição.

"Vai ser uma primeira reunião. A ideia é juntar os representantes de movimentos sociais, de governos e de organizações não governamentais para identificar as principais ações e verificar as possibilidades que temos para ampliar e fortalecer a cultura afro-brasileira na Região Sul", explicou Renata Rodrigues, chefe da recém-criada Representação Regional da Palmares no Rio Grande do Sul.

Com sede em Brasília, a Palmares conta ainda com seis representações regionais nos estados de Alagoas, Bahia, Maranhã, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. 

Empossada em dezembro do ano passado, Renata Rodrigues terá como a missão organizar, mobilizar e fomentar o trabalho de produtores e artistas locais das mais diversas manifestações artístico-culturais ligadas à cultura afro-brasileira. Para melhor articular essas atividades, de acordo com ela, a criação de um fórum estadual será a instância utilizada para unir sociedade civil e o Poder Público em prol da construção e avaliação de propostas de políticas públicas para cultura. 

Serviço: 

Construção do Fórum Estadual de Culturas Afro-brasileiras

Horário: 15h 

Local: Largo Zumbi - Tenda 1

Obs: Não há necessidade de inscrição e a entrada é gratuita.

 

Fonte: MinC

(Nota do editor: notícia originalmente publicada em 20/01/2016 - 15 visitas até 14:01h)

SÃO PAULO, São Paulo - Agora é possível visitar o acervo do Museu Afro Brasil sem sair de casa

A partir das 8h de amanhã, 21 de janeiro de 2016, mais de 100 obras da coleção do Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, poderão ser vistas por milhões de pessoas em todo o mundo. Isto somente é possível através da parceria realizada com o Google Cultural Institute.

Alguém que vive em qualquer lugar do mundo poderá agora visitar o Museu Afro Brasil através do Street View, podendo movimentar-se virtualmente dentro do museu e através de suas exposições, podendo inclusive selecionar alguma obra do seu interesse, que esteja disponível e com apenas um clique descobrir muito mais.

O equipamento “trolley” especialmente desenvolvido para o Street View capturou imagens em 360 graus de coleções pré-selecionadas, um trabalho conjunto entre as duas instituições, permitindo uma navegação tranquila em aproximadamente 10 mil m2 de área expositiva, especialmente as dedicadas às exposições temporárias e à exposição de longa duração, que ocupam os 3 pisos do Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, do arquiteto Oscar Niemeyer, dentro do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Algumas exposições temporárias que já estiveram em exibição passaram por uma curadoria especial para continuar disponíveis virtualmente, podendo ser vistas a qualquer hora, como é o caso de “Espírito da África - Os reis africanos” que exibe fotografias de Alfred Weidinger, o conhecido fotógrafo austríaco especializado em África, que buscou os remanescentes das monarquias dos maiores reinados africanos.

Além dela, outras Exposições Virtuais poderão ser apreciadas com o tempo e a atenção que merecem, como “Arte, Adorno, Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão”, uma exposição temporária que ficou em exibição por mais de 2 anos devido ao seu grande sucesso de público e ganhou nova montagem no Dia da Consciência Negra de 2015. Agora a mostra poderá ser apreciada online por qualquer visitante a qualquer momento.

A mostra é composta por objetos de ofícios urbanos e rurais, muitos deles usados em fazendas e engenhos de açúcar, formando um conjunto que realça as contribuições dos negros para a ciência e a tecnologia no Brasil, como mesas de lapidação, moendas de milho, forjas de ferreiro, prensas de folha de tabaco e outros objetos dos séculos XVIII e XIX.

“O Banzo, o Amor e a Cozinha de casa”, uma mostra individual do artista Sidney Amaral é outra exposição virtual que está disponível e que venceu o Prêmio Funarte de Arte Negra 2012.

Além, claro, do próprio acervo do “Museu Afro Brasil”, que ganhou destaque nas galerias virtuais do Google Cultural Institute.

“É grande a importância para o Museu Afro Brasil, a ampliação do acesso a essas coleções que esta tecnologia permite. É incrível poder levar a qualquer pessoa, onde quer que ela esteja, a qualquer hora, com apenas alguns cliques, usando a internet, obras e coleções de tamanha relevância para a cultura brasileira.”, comenta Natalia Moriyama, Coordenadora de Desenvolvimento Institucional do Museu Afro Brasil.

As duas instituições ainda tem muito trabalho conjunto pela frente e promete novidades ainda para 2016.

Sobre o Museu Afro Brasil

Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do fundador e atual Diretor Executivo Curatorial Emanoel Araujo, o Museu Afro Brasil construiu, ao longo de 11 anos, uma trajetória de contribuições decisivas para a valorização do universo cultural brasileiro ao revelar a inventividade e ousadia de artistas brasileiros e internacionais, desde o século XVIII até a contemporaneidade.

O Museu Afro Brasil é uma instituição pública, subordinada à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e administrado pela Associação Museu Afro Brasil - Organização Social de Cultura. Ele conserva, em 11 mil m2 um acervo com mais de 6 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII e os dias de hoje. O acervo abarca diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiros, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a escravidão, entre outros temas ao registrar a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira.

Sobre o Google Cultural Institute

O Google Cultural Institute e seus parceiros estão disponibilizando tesouros culturais do mundo na ponta dos dedos dos usuários de internet e construindo ferramentas que permitem que o setor cultural compartilhe online mais do seu patrimônio diversificado.

O Google Cultural Institute realizou parcerias com mais de 1000 instituições fornecendo uma plataforma total de 6 milhões de fotos, videos, manuscritos e outros documentos de arte, cultura e história.

SERVIÇO:

Google Cultural Institute

www.google.com/culturalinstitute/collection/museu-afro-brasil 

Museu Afro Brasil

Av. Pedro Álvares Cabral, s/n 

Parque Ibirapuera - Portão 10 

São Paulo / SP - 04094 050

Fone: 55 11 3320-8900

www.museuafrobrasil.org.br 

 

Fonte: divulgação por e-mail

(Nota do editor: notícia originalmente publicada em 20/01/2016 - 24 visitas até 13:54h)

 

RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - No sábado, como ocorre todo dia 23, haverá missa em homenagem a São Jorge na paróquia do santo, na Praça da República, no centro do Rio. Pela primeira vez, a missa de janeiro será diferenciada, porque a celebração contará com uma bateria de escola de samba. Os ritmistas da Estácio de Sá, que no desfile do Grupo Especial deste ano desenvolverá o enredo Salve Jorge! O guerreiro na fé, participarão da missa.

O padre Wagner, vigário episcopal do Vicariato Urbano da região portuária e do centro do Rio, é quem sempre celebra as missas, mas no sábado ele será acompanhado pelo padre Efren, pároco da igreja. De acordo com padre Wagner, a missa do dia 23, que antecede o carnaval, é uma celebração especial dedicada aos sambistas. Segundo ele, que também é capelão do Corpo dos Bombeiros, o enredo presta um grande serviço à Igreja.

Após a celebração, os fiéis seguirão, ao som da bateria, da paróquia até a quadra da Estácio de Sá, também no centro, vestidos com abadás com a imagem do santo. “Vai ter a caminhada e a gente vai animar cantando lá."

No dia 23 de dezembro, houve uma demonstração antecipada da ligação entre a Estácio e a Igreja. O pavilhão da escola foi levado até o altar e se juntou ao manto da imagem de São Jorge. “A bandeira é o orgulho de uma escola. Entretanto, ela tem um significado muito maior, que é a vida das comunidades do Morro de São Carlos [origem da fundação da escola], a esperança de investimentos. São tantas coisas estão escondidas naquela bandeira, que, ao contar a história de São Jorge, eles precisavam de uma benção inicial para ostentar a bandeira na avenida”, afirmou o padre.

A ligação da igreja católica com as escolas de samba nem sempre foi tão amistosa. Em 1989, a Beija-Flor foi proibida de mostrar a imagem do Cristo Redentor no enredo Ratos e urubus larguem a minha fantasia e desfilou com uma alegoria coberta por sacos de lixo pretos e exibiu a faixa com a mensagem Mesmo Proibido Olhai por nós!.

Em 2000, a Unidos da Tijuca enfrentou dificuldades no enredo Terra dos papagaios... Navegar foi preciso. Embora tenha conseguido manter uma cruz para falar dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o carnavalesco Chico Spinoza teve de cobrir um quadro com a imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança.

No desfile de 2016, o carnavalesco está novamente envolvido na ligação da Igreja com escolas de samba, mas de forma bem diferente.

Autor do enredo sobre São Jorge, Spinoza trabalha com os carnavalescos Tarcísio Zanon e Amauri Santos. “A seriedade que eles estão tratando está sendo muito interessante”, acrescentou o padre.

Assim que o projeto do enredo ficou pronto, os carnavalescos se reuniram com o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta e pediram o apoio da Igreja.

“Vamos da Capadócia ao martírio que ele sofreu e como se popularizou pelo mundo. Depois, vamos contar como ele se transformou em lenda até chegar ao Rio de Janeiro. Ddom Orani achou isso o máximo, porque é um viés cultural”, disse o carnavalesco Tarcísio Zanon.

 

Fonte: Agência Brasil - Cristina Indio do Brasil

(Nota do editor: notícia originalmente publicada em 20/01/2016 - 13 visitas até 14:05h)

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