DISTRITO FEDERAL, Brasília - Um percurso pelos diversos ofícios humanos do período pré-industrial. Essa é a proposta do Museu de Artes e Ofícios (MAO), inaugurado em 2005, nos edifícios tombados da antiga Estação Ferroviária Central, no centro de Belo Horizonte (MG).

A visita ao espaço foi o primeiro compromisso desta quinta-feira (18) do ministro da Cultura, Marcelo Calero, na cidade mineira.

Na visita aos espaços do museu, o ministro destacou a singularidade do local: "Esse museu é único no Brasil. Nos mostra nossa trajetória enquanto experiência industrial e, mais do que isso, revela aspectos da nossa experiência civilizatória da escravidão até o processo de construção da nação mais humana e justa. É resultado de uma parceria, mais do que isso, de uma doação de Angela Gutierrez", disse. Calero abordou a importância da construção de parcerias com iniciativas privadas. "É importante que a iniciativa privada possa também constituir fundos para que doe à sociedade em forma de instituição pública, e esse é o caso aqui", completou.

O acervo do museu promove um lugar de encontro do trabalhador consigo mesmo, com sua história e com seu tempo. Nele estão representados os mais variados ofícios do homem brasileiro: são ferramentas, utensílios, máquinas e equipamentos diversos que, individualmente ou em conjunto, conduzem cada visitante a uma identificação com o universo do trabalho ali referenciado. A observação do acervo também revela que, mesmo quando desenvolve uma peça voltada para suprir uma necessidade de trabalho, o homem usa sua capacidade criativa e se expressa com arte e sensibilidade.

A coleção que deu origem ao museu foi iniciada há cerca de 50 anos pelo engenheiro Flávio Gutierrez, pai de Angela Gutierrez, idealizadora do museu e presidente do Instituto Cultural Flávio Gutierrez. Antes de serem doadas para compor o acervo do museu, em 2005, as peças passaram por um processo de restauração, conservação e pesquisa, um investimento da própria colecionadora.

Presente durante a visita, Angela Gutierrez salientou a presença de Calero no espaço durante a primeira visita oficial do ministro a terras mineiras. "É a primeira vinda dele como ministro em um museu que é o único no Brasil que conta a história do trabalho até o período pré-industrial", pontuou.

Em 2015, o museu chegou a receber 200 mil visitantes – só de público escolar, foram 60 mil. "Recebemos crianças a partir de 4 anos, até estudantes de pós-graduação. O universo do trabalho permeia todo o escopo social brasileiro", contou o educador Rafael Pereira.

Reunião com a classe artística
Além da visita ao museu, Marcelo Calero se reuniu, durante a tarde, com representantes do Sindicato de Produtores de Artes Cênicas e Artistas da capital mineira, no Teatro da Cidade. Na ocasião, o ministro traçou um breve panorama da situação política atual e falou sobre desafios e prioridades de sua gestão no Ministério da Cultura.
 
"Estamos conscientes de que o momento que o País atravessa é delicado, de paixões exacerbadas e dificuldades de apontar rumos para o futuro. Isso é muito ruim para um projeto de futuro de nação, mas não podemos legar apenas conflito", destacou. "Minha proposta é de diálogo, mas que haja uma base sólida para construir políticas públicas efetivas", completou.

Calero argumentou que é necessário atuar independente do colorido político em busca de uma gestão mais eficiente e transparente. Ele mencionou o processo de valorização dos servidores do MinC, que recebeu mais de 180 inscrições para preenchimento de 50 cargos de liderança e de confiança. "Fizemos dois movimentos importantes que causaram ruídos, mas são brigas que quisemos enfrentar e que apontam para novos paradigmas. Exoneramos quem não tinha vínculo com MinC. Queremos que o servidor assuma posições de liderança porque são os servidores de carreira que ficam responsáveis pelas políticas perenes", afirmou.   
 
Um dos pontos que trouxe questionamentos e demandas por parte dos presentes foi a Lei Rouanet. Em relação a isso, o ministro enfatizou, novamente, que é preciso não satanizá-la e que, embora necessite de ajustes e reformas, é responsável pelo financiamento de mais de 3,1 mil projetos culturais no País.
 
"A Lei Rouanet é concentrada porque reflete concentração existente no País, mas a culpa não é da lei. Ela precisa de ajustes porque é de 25 anos atrás, o fazer cultural da época era outro, mas isso não significa jogar tudo na lata do lixo", disse. "É o que sustenta milhares de projetos culturais. Aos trancos e barrancos, mas é o que sustenta", ponderou.
 
Outras demandas foram feitas em relação à valorização da profissão do artista, que embora seja regulamentada por lei, ainda é vista e tratada como um "não profissional".  Sobre esse aspecto, o ministro foi enfático ao defender os artistas, que precisam não mais ser vistos como pessoas "missionárias", mas que vivem do seu fazer.

Outro desafio citado pelo ministro é a reformulação da Fundação Nacional de Artes (Funarte) que, ao longo do tempo, "perdeu sua operacionalidade" e sofreu cortes orçamentários.

Fonte: MinC

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