RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - No século XVI, floresceram em bibliotecas da Europa os chamados gabinetes de curiosidades, que reuniam, além de obras raras, objetos inusitados, como animais empalhados, fósseis, instrumentos musicais, esqueletos, plantas conservadas em frascos e autômatos, entre outros. Tudo o que incitasse a curiosidade e a descoberta tinha lugar nos gabinetes.

Até 30 de novembro, os corredores da Biblioteca Nacional (BN), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), se transformarão em um gabinete de curiosidade. Parte do acervo de obras raras da BN está à mostra na exposição Gabinete de Obras Máximas e Singulares. Com entrada franca, a exposição, com 507 peças originais, pode ser visitada de segunda a sexta, das 10h às 17h, e aos sábados, das 10h30 às 14h.

Entre as principais obras presentes na exposição está o mapa aquarelado Typus orbis universalis (1552), no qual o Oceano Pacífico (Mare pacificum) aparece nomeado pela primeira vez. Seu autor, o matemático e geógrafo alemão Sebastian Münster [1489-1552], possuía conhecimento enciclopédico detalhado do mundo conhecido e desconhecido.

O público também pode conferir a edição de 1529 do Livro das Maravilhas, escrito pelo famoso viajante veneziano Marco Polo [1254-1323], no qual são relatadas as maravilhas vistas nas terras orientais das Índias, Armênia, Arábia, Pérsia e Tartária.

Outra obra exposta é o Historia Naturalis Brasiliae, de 1648, escrito pelo médico e naturalista holandês Willem Piso (1611-1678), integrante da missão científica que veio ao Brasil com Maurício de Nassau. Pioneira em medicina tropical, é a mais extensa documentação sobre a  flora e a fauna brasileiras do século XVII. Piso contou com a colaboração de outro integrante da missão: o naturalista alemão George Marcgraf (1610-1644).

Outras curiosidades da exposição são fichas manuscritas de inscrições do poeta Carlos Drummond de Andrade [1902-1987], do advogado e bibliófilo Plínio Doyle Silva [1906-2000] e do ator Grande Otelo [1915-1993] como leitores da Biblioteca Nacional.

Gabinetes de curiosidades
Segundo a curadora da exposição, Cláudia Fares, os gabinetes de curiosidades tinham um critério aparentemente caótico na forma de dispor os objetos de seus acervos e isso incentivou a organização da exposição em cartaz na BN.

"A organização dos gabinetes refletia a visão de mundo alargada, comunicante, orgânica, nas antípodas da ciência moderna, que separa tudo para classificar. Vale lembrar que os gabinetes se situam no período barroco, em que imperavam o exagero e a acumulação, e em que polos opostos como ciência e fé, o real e o fabuloso, andavam de mãos dadas. O espaço físico dos gabinetes refletia esse espírito", explicou. "Assim reunidos, esses objetos, que emanavam uma profusão de sentidos e associações temáticas e visuais, compunham um Teatro do Mundo, provocando no espectador um verdadeiro estado de maravilhamento", destaca.

Para Cláudia, a exposição dará ao público uma ideia da riqueza e da diversidade do acervo da Biblioteca. "A maneira de mostrar dos gabinetes de curiosidades se revelou um caminho interessante para expor essas obras. Que caminho mais livre para expor as obras da BN senão o sugerido pela organização dos gabinetes de curiosidades? Esta não é uma exposição temática e sim caleidoscópica, porque sugestiva, uma vez ser impossível esgotar tamanho universo. Nenhum dos temas, distribuídos em dezoito vitrines e uma sala, está encerrado, mas anunciado, entrevisto e sugerido em cada uma das obras que o ilustram", afirma.

Serviço:
Exposição "Gabinete de Obras Máximas e Singulares"
Até 30/11/2016
Segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. Sábado, das 10h30 às 14h.
Entrada franca
Local: Biblioteca Nacional (Av. Rio Branco 219, Rio de Janeiro)

Fonte: MinC

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