RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - O Centro de Artes Visuais da Funarte / MinC realiza, a partir de 1º de setembro de 2016, a exposição “Ponto Transição”, que reúne trabalhos de 30 artistas e coletivos contemporâneos de diversas linguagens e tendências, articulados em um circuito de espaços no interior da Fundição Progresso.

As obras foram selecionadas pelos curadores artísticos Luiza Interlenghi, Sonia Salcedo del Castillo e Xico Chaves, do Centro de Artes Visuais da Funarte/MinC, a partir do grande universo de artistas que participaram nos últimos doze anos de editais da instituição, em um amplo processo de mapeamento da produção de artes visuais que envolveu críticos de todo o país. “Ponto Transição” integra a programação cultural dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro, e os trabalhos expostos compreendem intervenções urbanas, poemas visuais, fotografia, audiovisuais, videoinstalações, esculturas, objetos, trabalhos de coletivos artísticos e outras formas de múltipla expressão.  Haverá ainda uma intensa programação de performances e conversas abertas ao público, com artistas e pensadores.

Muitas obras foram feitas especialmente para esta exposição, como é o caso dos artistas Alex Hamburger, Alexandre Dacosta, Ana Muglia, Franklin Cassaro, Helena Trindade, Hugo Houayek, João Modé, Raul Mourão, Ricardo Basbaum, com João Camillo Penna, Thomas Jeferson, Coletivo Vade Retro Abacaxi, Valéria Costa Pinto, Victor Arruda e Wlademir Dias-Pino, com Regina Pouchain. Outros artistas irão recriar trabalhos emblemáticos, como Ana Vitória Mussi, Armando Queiroz, Chang Chi Chai, Eduardo Coimbra, Elisa de Magalhães, Irmãos Guimarães, Marcio Zardo, Marcos Bonisson, Marcos Chaves, Martha Niklaus, Ricardo Aleixo, Ronald Duarte, Suzana Queiroga, Tchello d`Barros e Tina Velho. A Galeria Transparente, projeto com curadoria de Frederico Dalton, terá um território na exposição para uma programação própria de performances, com os artistas Nivaldo Carneiro, Tetsuo Takita, Rodrigo Munhoz, Pedro Paulo Domingues, Helena Wassersten, Crioulos de Criação, Coletivo S.T.A.R., Clarisse Tarran & Edu Mariz, Monica Barki, Lilian Amaral e André Sheik.
 
Para Xico Chaves, Diretor do Centro de Artes Visuais da Funarte, “a exposição traduz um momento de transição das artes visuais, que o Brasil representa bem”. “Estamos em uma transição mundial, global. As artes visuais estão acolhendo experimentações que não podem ser realizadas no campo de outras linguagens. Nas artes visuais essas manifestações encontram uma liberdade e um espaço de concepção e amplitude irreversíveis”, afirma. “Neste momento de transição, você vai encontrar uma diversidade múltipla, e não uma sequência de performances similares”. Ele destaca que a Funarte “tem como função estimular o que não está no mercado”. “Institucionalmente tem que atender a esses processos de experimentação”.

“Ponto Transição” também coloca em evidência o trabalho curatorial. Xico Chaves acentua que “esta é uma oportunidade de trazer a curadoria de volta à instituição, que conta com profissionais altamente qualificados”. “A Funarte criou um campo de expansão permanente, aceleradíssimo, em que foi tudo incorporado: poesia visual, performances, intervenções urbanas, coletivos, uma nova abordagem sobre o objeto, novas tecnologias, obras que não se classificam de uma forma só, sem excluir as expressões artísticas convencionais.

ARTE EM CAMPO INSTÁVEL
Luiza Interlenghi situa a exposição em um recorte da arte em campo instável, área que pesquisa há quatro anos. “Buscamos mostrar as poéticas de artistas que se posicionam em uma transição, entre espaços tradicionais da arte e os não artísticos, galerias e ruas, subvertendo a relação do trabalho com as instituições”, explica. “Outra discussão que está presente em trabalhos de vários artistas é a liquidez de fluxo, de sociedade de transição, de uma cultura movente, que demanda sempre um posicionamento individual a cada momento”. Ela ressalta que esta é uma discussão já travada nas ciências sociais por Zygmunt Bauman e Anthony Giddens, mas “que permite um olhar para esta produção contemporânea que lida com este fato de uma maneira poética, lúdica, às vezes crítica”. “A curadoria acolheu a transição, os processos, as linguagens dos artistas, e dialogou com o espaço da Fundição. Vai haver um espaço de reflexão, de conversa, de estar, uma sala multiuso, com vídeos, publicações de arte, disponíveis para o público”, destaca.

POESIA EXPANDIDA
Sonia Salcedo acentua que as obras da exposição lidam com essa questão da arte fora do cubo hermético, branco. “Buscamos reunir elementos das artes visuais que tratassem desse aspecto, esta confluência dessas linguagens mais transitórias, que deu origem a esta proposta de ‘Ponto Transição’, ao invés de objetos de arte convencionais”. Ela acentua que a expografia não será apenas uma arquitetura expositiva, e sim “uma extensão, no espaço, do conceito curatorial”. “A exposição lida com essas camadas de um processo de hibridização da arte, no qual as categorias, os modos antes evocados para uma classificação, essas barreiras são destituídas, desmoronam, e nos estilhaços há uma migração de linguagem, meios, suportes, em que se encontra um terreno muito profícuo da poesia expandida, que é pra onde converge meu entendimento do fazer curatorial”, explica. Ela acrescenta que a curadoria buscou “familiarizar o espaço com a poética que cada artista está desenvolvendo”. “Não existe um roteiro, uma circulação linear”, diz.

ARTISTAS
Alex Hamburger [1948, Belgrado, vive no Rio de Janeiro]
Alexandre Dacosta [1959, Rio de Janeiro]
Ana Muglia [1951, Muriaé, Minas]
Ana Vitória Mussi [1943, Laguna, Santa Catarina]
Armando Queiroz [1968, Belém]
Chang Chi Chai [1963, Taiwan, China, vive no Rio de Janeiro]
Eduardo Coimbra [1955, Rio de Janeiro]
Elisa de Magalhães [1962, Rio de Janeiro]
Franklin Cassaro [1962, Rio de Janeiro]
Coletivo Galeria Transparente [2014, Rio de Janeiro]
Helena Trindade [1960, Rio de Janeiro]
Hugo Houayek [1979, Rio de Janeiro]
Coletivo Irmãos Guimarães [1989, Brasília]
João Modé [1961, Resende, RJ]
Marcio Zardo [1952, Arroio Trinta, Santa Catarina]
Marcos Bonisson [1958, Rio de Janeiro]
Marcos Chaves [1961, Rio de Janeiro]
Martha Niklaus [1960, Rio de Janeiro]
Raul Mourão [1967, Rio de Janeiro]
Ricardo Aleixo [1960,    Belo Horizonte]
Ricardo Basbaum [1961, São Paulo]
Ronald Duarte [1963,    Barra Mansa, RJ]
Suzana Queiroga [1961, Rio de Janeiro]
Tchello d`Barros [1967, Brunópolis, Santa Catarina, vive em Alagoas]
Thomas Jeferson [1978]    
Tina Velho [1960, Rio de Janeiro]
Coletivo Vade Retro Abacaxi    [carnaval de 2003, Rio de Janeiro]
Valéria Costa Pinto [1952, Rio de Janeiro]
Victor Arruda [1947, Cuiabá]
Wlademir Dias-Pino [1927, Rio de Janeiro]

Serviço
Exposição “Ponto Transição”
Centro de Artes Visuais da Funarte/MinC
1º a 18 de setembro de 2016
Fundição Progresso
Térreo, 1º andar, mezanino e terraço
13h às 22h
Entrada gratuita
Rua dos Arcos, 24, Lapa, Rio de Janeiro, RJ
Tel: 21.3212.0800

Fonte: divulgação por e-mail

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