DISTRITO FEDERAL, Brasília - O jardim da Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, sempre foi um lugar muito querido na região.

No dia 17 de novembro, após 11 meses em obras, o espaço de aproximadamente 6.000 metros quadrados será reaberto ao público, revitalizado e ainda mais acolhedor. A reforma é fruto de uma parceria entre a Fundação Casa de Rui Barbosa e a Fundação Darcy Ribeiro e contou com recursos do Fundo Nacional de Cultura e apoio financeiro do BNDES. De acordo com Marta de Senna, presidente da instituição, esse é um momento de grande importância para a Casa.

"Costumo dizer que a Casa de Rui Barbosa é um verdadeiro oásis em Botafogo, no sentido real e metafórico do termo. Durante os meses de obra, sentimos uma falta brutal do jardim, nós e o público. Mais do que reforma, foi feita uma revitalização. Políticos, estudiosos e convidados nos contam que brincavam no jardim, ele foi e é o playground das crianças de Botafogo. Com certeza o público será mais bem atendido depois das obras, que seguiram os parâmetros de respeito à configuração histórica do espaço", ressalta a presidente.

Devido à composição arquitetônica e vegetal, o espaço passou ser considerado um jardim histórico a partir da década de 1980, por isso as mudanças realizadas não foram tão grandes, com o intuito de respeitar as características locais. A obra foi dividida em duas partes.

A primeira recuperou elementos artísticos como o quiosque, utilizado no verão como chuveiro para banho pela família de Rui Barbosa, e o parreiral, estrutura construída para que plantas trepadeiras pudessem crescer. Nesta etapa, também foram restauradas esculturas e peças menores, como luminárias e vasos de mármore. Essa fase foi fundamental para resgatar as características originais que estavam perdidas em camadas de intervenções feitas ao longo dos anos.

Já o segundo momento foi dedicado ao projeto paisagístico. As partes hidráulica, elétrica, de irrigação e de segurança foram modernizadas. Também foi implantado projeto de acessibilidade e comunicação visual. O parreiral e os elementos arquitetônicos receberam nova iluminação. Com isso, serão realizados eventos noturnos e a visitação será estendida até às 20h.

"As mudanças foram feitas para atender o público, porque antes era o jardim de uma casa, e hoje é uma das principais áreas verdes de Botafogo, recebendo um público muito grande. Mudamos os bancos, que não eram originais, por outros mais confortáveis. Trocamos a iluminação por uma mais moderna, que consome menos energia e amplia a atividade do espaço externo. A iluminação não pode ser muito feérica, porque o jardim abriga uma fauna, a intenção é valorizar os elementos. Houve uma total substituição da terra dos canteiros, e já estamos vendo o resultado agora, com as mangueiras carregadas", conta a arquiteta responsável pela obra, Claudia Carvalho.

Em paralelo ao jardim, foi restaurada a fachada da antiga residência em que jurista viveu por 28 anos, onde hoje é o Museu, considerado o primeiro Museu Casa do país. O espaço tem seus ambientes basicamente fiéis ao original, com as pinturas, os lustres, tapetes e móveis, oferecendo ao visitante uma visão da residência à época em que era ocupada por seu último proprietário. E será que ele ficaria feliz com a revitalização do jardim? Marta acredita que sim.
 
"Acho que ele ficaria felicíssimo. Queremos que fique mais bonito do que no tempo dele. A Casa de Rui Barbosa é um oásis literal, oásis no meio de certo desalento com o serviço público em geral, porque todo mundo que trabalha aqui, gosta muito. Fazer a Casa ser mais visitada deixa todo mundo mais feliz", revela a presidente.

Inspiração francesa
De acordo com informações do blog criado especialmente para relatar o dia a dia das obras, o terreno que hoje compreende o museu e o jardim histórico da Casa de Rui Barbosa foi construído em 1850 pelo Barão da Lagoa, e funcionou como espaço privado de três famílias até ser adquirido em 1927 pelo governo federal. Apesar da falta de dados que comprovem a autoria do paisagista Auguste Glaziou, especialistas acreditam que o traçado do jardim apresenta inspiração no trabalho do famoso paisagista francês.

Adquirido por Rui Barbosa em 1893 pelo valor de 130 contos de réis, o terreno passou por melhorias realizadas pelo construtor Antonio Jannuzzi. A partir de então, este espaço passou a ser o retrato de uma família inserida em seu tempo, onde filhos e netos de Rui cresceram, e onde ele também pôde exercer seu amor pela jardinagem.

Após a morte de Rui Barbosa, o jardim foi modificado para que pudesse funcionar como espaço público. Em 13 de agosto de 1930, o presidente Washington Luís abriu para o público as portas do local onde o jurista havia passado os últimos 28 anos de sua vida.

Casa Rui Barbosa em 2017
Há dois meses à frente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Marta de Senna revela os planos para a instituição no ano que vem. "Vamos correr atrás de parcerias com outras instituições públicas e privadas. Queremos fazer um grande seminário internacional em agosto, que mostre a Casa de Rui Barbosa a si mesma, ao público externo universitário e ao público em geral. A Casa produz à beça, não é só um jardim bonito, é um centro de altos estudos. Temos uma porcentagem enorme de doutores em história, ciência política, administração... somos um polo de pensamento e produção de conhecimento", completa a presidente.

Fonte: MinC

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