RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) promove, nos dias 24 e 25 de novembro, o XII Encontro Nacional de Acervo Raro (Enar), no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional.

O tema deste ano será Acervos Raros no Brasil: Coleções Fundadoras e Políticas de Desenvolvimento de Coleções. O evento, realizado a cada dois anos, é organizado pelo Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras (Planor), um setor da Biblioteca Nacional que identifica, coleta, reúne e dissemina informações sobre acervos raros existentes no Brasil.

De acordo com Rosângela Rocha Von Helde, gerente do Planor, foram oferecidas 130 vagas para participação de bibliotecários, estudantes de biblioteconomia e representantes de bibliotecas de todo o Brasil. "Este é um evento muito esperado e disputado. Há uma carência muito grande de formação e informação. Como lidar com o acervo, o que é raro, o que não é, como gerir, como fazer a segurança...", exemplifica.

O Planor foi criado em 1983, inicialmente com o intuito de implementar laboratórios de restauração nas instituições curadoras de acervos raros. Segundo Rosângela, com o passar do tempo, a missão passou a ser recuperar e auxiliar no tratamento técnico e conservação de acervos. O setor também é responsável pelo Catálogo do Patrimônio Bibliográfico Nacional, uma base de dados com o acervo raro das instituições brasileiras.
 
"A importância dessas iniciativas é trazer a informação do patrimônio raro nacional. A cada ano, o catálogo cresce em decorrência da formação de profissionais pelo Planor ou outras instituições. Por meio do catálogo, os interessados podem descobrir que o material que precisam está mais perto do que imaginam", destaca Rosângela. "O catálogo reúne livros do século XV ao XIX. Os critérios de raridade para fazer parte do catálogo são vários, como obras que tenham autógrafos de pessoas ilustres; presença de iluminuras; ex-libris (marca de propriedade). Damos assistência por telefone, por e-mail. Pessoas e instituições entram em contato conosco para contar que tem um acervo raro em algum lugar e reconhecem nosso trabalho", comemora.

Para a chefe da divisão de obras raras da Biblioteca Nacional, Ana Virginia Pinheiro, o Encontro Nacional de Acervo Raro faz, por meio do Planor, um trabalho de educação e formação do bibliotecário em uma área que muito recentemente era desconsiderada: a biblioteconomia de livros raros.

"Os livros raros se inscrevem no mercado de obras raras. Encontramos livros raros em bibliotecas públicas, tecnológicas... A ideia é qualificar os bibliotecários estabelecendo essas escolas invisíveis, que permitem o encontro de profissionais e a troca informações. O Brasil é o guardião de uma memória bibliográfica que conta nossa história. O objetivo é difundir práticas que sejam modelares para outras bibliotecas", frisa.

Política de cuidado e preservação dos livros raros
A divisão de obras raras da Biblioteca Nacional foi criada em 1850 e reúne um material diversificado, proveniente de diversas coleções da própria instituição. Em destaque, estão os incunábulos, os primeiros documentos gerados pelo processo de tipos móveis. Ao todo, são mais de dois mil metros lineares de itens em estantes, gavetas e cofres, abrigados em um espaço que, por guardar esse rico tesouro, é considerado uma sala-cofre. O local ganhou o nome de seu patrono, João Antônio Marques, bibliófilo fluminense residente em Portugal que doou sua valiosa coleção de incunábulos, edições princeps (primeiras edições), camonianas e outros impressos e manuscritos relativos ao período colonial.

De acordo com Ana, o interesse do público pelas obras raras está crescendo. "Hoje, o pesquisador da ciência não quer fazer mais citação da citação, quer citar a fonte original, há um comprometimento com a informação fidedigna. Livro raro antigamente era um espaço de pesquisa do latinista, do helenista, atualmente é do pesquisador de moda, do advogado, de quem trabalha com gastronomia. Não temos só livros de religião ou filosofia. Pense num assunto e ele estará sendo atendido pela Biblioteca Nacional", ressalta.

Segundo Ana, a Biblioteca Nacional tem políticas de preservação regulares e os livros são higienizados continuamente. "Temos uma máquina de higienização e um técnico que faz a limpeza página por página. Temos uma rotina de restauro, mas não por razão estética, e sim para dar condições de manuseio às obras. Também fazemos digitalização e microfilmagem. A digitalização ajuda o pesquisador remoto e reduz o manuseio, além de captar detalhes que a lupa não capta", explica.

O futuro dos livros
Para Ana Virginia, ainda não foi criado um novo formato que substitua os livros de papel. "O papel terá que ser substituído, e não será pelos formatos que temos atualmente. Em termos de mercado, a venda de e-books até diminuiu. As árvores não suportam mais o número de livros que estão sendo produzidos. Mesmo com o replantio, a qualidade do papel é inferior. Já escrevemos sobre pedra, barro, pergaminho, agora é sobre fibras de celulose. Os livros realmente não vão acabar, mas a humanidade precisa de outro suporte. Ao longo dos séculos, os livros foram queimados, escondidos, mesmo em péssimo estado, eles sobreviveram. Nossa obrigação é fazer com que alcancem a próxima geração", destaca.

Fonte: MinC

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