DISTRITO FEDERAL, Brasília - Uma mesa de conferência utilizada por Juscelino Kubistchek, assinada pela arquiteta Ana Maria Niemeyer, e duas outras escrivaninhas, sob a assinatura do designer, Jorge Zalszupin da L`atelier, estão sendo restauradas e deverão voltar a ocupar o Gabinete da Presidência da República, no Palácio do Planalto.

Para o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Distrito Federal (Iphan-DF), Carlos Madson Reis, este é um dos melhores presentes para comemorar os 57 anos de Brasília. Ele explica que o trabalho é o resultado de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Iphan e o Instituto Federal de Brasília (IFB), para a recuperação dos móveis criados para a inauguração da cidade.

O restauro está sendo realizado pelos alunos de Produção Moveleira do IFB – Campus Samambaia, do nível avançado do Curso Técnico em Móveis. Além do repasse de recursos, técnicos do Iphan-DF ministraram palestras para os alunos do curso de mobiliário moderno. De acordo com o professor Fred Hudson, o trabalho é minucioso e acompanhado, também, pela equipe de docentes. Ele alerta que, como as peças a serem restauradas são assinadas por designers modernistas, o curso exige integração, organização e muito conhecimento histórico e técnico.

Alunos de Produção Moveleira do IFB – Campus Samambaia, do nível avançado do Curso Técnico em Móveis (Foto: IFB)

O superintendente Carlos Madson Reis ressalta que “essa parceria entre Iphan e IFB é importantíssima sob vários aspectos, especialmente porque possibilita a formação de profissionais com sensibilidade para intervir nesse valioso patrimônio e, ao mesmo tempo, promove a geração de emprego e renda e a inserção no mercado de trabalho. Esse acordo une a preocupação do Iphan com a preservação desse rico acervo, que possui muitas peças projetadas especialmente para os palácios e instituições públicas a que pertencem, com a expertise do IFB na área de ensino e pesquisa sobre o tema. É o trabalho de preservação, cumprindo sua função social”.

alunos de Produção Moveleira do IFB – Campus Samambaia, do nível avançado do Curso Técnico em MóveisJá o professor Fred Hudson explica que “o objetivo central desse acordo é a realização de cursos de capacitação em conservação e restauro de mobiliário moderno, uma vez que a recuperação desse acervo é uma preocupação comum ao IFB e ao Iphan. Um acordo mais recente, firmado entre o IFB e a Presidência da República, trouxe para o projeto as peças de mobiliário moderno do Palácio do Planalto”.

O processo de restauração que será feito em cerca de 100 peças, envolve pericia do mobiliário, seleção por categoria, ficha catalográfica. Toda a pesquisa sobre este acervo modernista de Brasília vai subsidiar o lançamento de um livro, previsto para o final de 2017, registrando, também todas as fases da recuperação, como a higienização, lixamento, envernizamento e, em alguns casos, a recomposição de peças danificadas. Para os especialistas, do ponto de vista histórico e cultural, o acervo de Brasília é muito valioso e a maioria das peças é assinada por designers modernistas, como Sérgio Rodrigues, Bernardo Figueiredo, Ana Maria Niemeyer, Joaquim Tenreiro, Elvin Dubugras, entre outros.

O acordo entre o Iphan e o IFB foi assinado em outubro de 2016, prevendo atividades de capacitação (cursos de formação inicial e continuada) a serem realizadas ao longo de 2017. Essas atividades refletem positivamente em outras parcerias do IFB, como a restauração de cerca de 40 móveis da Universidade de Brasília (UnB), que vão compor a Biblioteca do Ministério do Meio Ambiente. O trabalho foi dividido em duas etapas, sendo que a primeira foi entregue no ato da inauguração, em dezembro de 2016, e a segunda que esta prevista para agosto de 2017, após o termino da oficina que vem sendo realizada no IFB.

Também está sendo articulada a realização de uma exposição para a comemoração dos 50 anos do Palácio do Itamaraty, no segundo semestre deste ano, reunindo cem peças que estão sendo restauradas a partir de Acordo de Cooperação Técnica entre IFB e Ministério das Relações Exteriores (MRE), assinado em março de 2017. Além dessa exposição, a proposta é estabelecer um programa permanente, por meio de uma rede de pesquisa e preservação desse Patrimônio, integrando outras instituições ligadas ao tema.

O próximo acordo a ser firmado envolverá o Museu Vivo da História da Memória Candanga, da Secretaria de Cultura do GDF, para o restauro de dez peças, incluindo camas, penteadeiras e outros móveis que foram resgatados do Brasília Palace Hotel, na ocasião do incêndio.

Fonte: Iphan

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