RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - A parcela da doação que coube à Biblioteca Nacional consiste de 100 mil itens, aproximadamente, entre livros, publicações seriadas, mapas, partituras, desenhos, estampas, fotografias e outros documentos impressos e manuscritos.

A seu pedido, foi denominada Coleção D. Thereza Christina Maria, em homenagem à imperatriz.

D. Pedro II formou a coleção, principalmente, através da contratação do trabalho de muitos profissionais - alguns ganharam até o título de "Photographo da Casa Imperial" – e da aquisição de fotografias estrangeiras, principalmente durante as viagens ao exterior do casal imperial. O resultado é a maior e mais abrangente coleção de documentos fotográficos brasileiros e estrangeiros do século XIX existente numa instituição pública de nosso país.

É composta por imagens referentes ao Brasil e ao mundo do século XIX, que retratam a realidade do período e refletem a personalidade do imperador e seus interesses.

O reconhecimento internacional do valor cultural desta coleção foi obtido através de sua inscrição no Registro Internacional da Memória do Mundo da UNESCO, em 2003. Assim, esta coleção tornou-se o primeiro conjunto documental brasileiro a integrar este programa da UNESCO.

A mostra da Biblioteca Nacional, com 119 imagens, que tem curadoria de Joaquim Marçal, levará ao público originais fotográficos que ficaram guardados, sem qualquer manuseio ou exposição à luz, por aproximadamente um século.

Dividida em dois módulos, evoca a antiguidade a partir das ruínas do Egito Antigo e de Pompéia e, simultaneamente, alguns aspectos importantes da história das imagens e de sua reprodutibilidade – com destaque para a fotografia, mas sem deixar de levar em conta os processos que a antecederam e com ela coexistiram. A ideia é exibir as diversas técnicas de reprodução experimentadas no século XIX.



Trechos de diários e imagens das viagens do imperador ao Egito e Pompéia revelam o seu fascínio pelo Oriente Médio e pela fotografia:

“Desembarcando às 6 ½ [da manhã], parti montado em burrico, de modo muito característico – o cavalo e o camelo só figuram nos monumentos egípcios depois da décima dinastia (3000 a. C.)”

“[...] às 7 [da noite] ancoramos perto da margem esquerda e um pouco a montante de Manfalout. Esteve admirável o crepúsculo com os seus matizes esverdeados e vermelho-claro. 7h40m: As estrelas brilham como diamantes no meio de carvão. Antes de dormir, estudo a gramática hieroglífica de Brugsch. Confesso que muito se tem progredido em matéria de interpretação de hieróglifos, mas é preciso dizer que muita coisa tem sido quase adivinhada”.

Obras do egiptólogo Auguste Mariette-Bey, fundador do Museu do Cairo, com quem D. Pedro II travou relações e do fotógrafo e documentarista inglês, pioneiro na edição de livros fotográficos, Francis Frith, são os destaques da exposição.

Também chamam atenção o conjunto de fotos de Pompeia, do fotógrafo italiano Michele Amodio, e os maravilhosos trabalhos do arquiteto inglês Owen Jones no livro A gramática do ornamento, um compêndio das linguagens visuais adotadas nos ornamentos de diversas culturas desde o Egito Antigo.

O curador Joaquim Marçal diz ter encarado com grande alegria a oportunidade de atuar na exposição, que é absolutamente singular. Viagem ao mundo antigo é uma valiosa oportunidade para darmos a ver um dos muitos segmentos de fotografia estrangeira da Coleção D. Thereza Christina Maria. Aquelas ruínas [das fotos] encerram sete mil anos de história e ninguém fica indiferente, diante dessas imagens.

Em breve, a Biblioteca Nacional vai lançar um catálogo da exposição, com reprodução de todas as obras, referências completas, um texto do curador e outro da historiadora da arte Maria Eduarda Marques, coordenadora de Cooperação e Difusão da Fundação Biblioteca Nacional.

Para a presidente Helena Severo, a exposição, que reinaugura o espaço Eliseu Visconti após as obras de restauração das fachadas do prédio da Biblioteca Nacional, oferece oportunidade ímpar aos visitantes, que poderão usufruir originais raros e preciosos, testemunhos de momentos marcantes da história da humanidade, legados por D. Pedro II.

Foto: Acervo FBN (divulgação)

A mostra
EGITO
O primeiro módulo da exposição é referente ao Egito, onde os povos estabelecidos à margem do Rio Nilo, por volta dos 5000 A.C. desenvolveram a primeira civilização conhecida da humanidade. Estão expostas 20 pranchas de fotogravuras do álbum Viagem ao Alto Egito, Mariette-Bey. Embora se trate de imagens estampadas com o emprego de tintas, o resultado é impressionante e belo, estando muito próximo de um original fotográfico.

Também está neste módulo a segunda edição, de 1872, de Itinéraire de la Haute-Égypte, de Mariette, escrito em 1869 por ocasião das festas de inauguração do Canal de Suez, em edição fora do comércio, especial para os convidados.

Pompeia
Em sua terceira e última viagem ao estrangeiro, D. Pedro II atendeu ao desejo da imperatriz e foi a Pompeia, tema do segundo módulo da exposição.

D. Thereza Christina sempre nutriu especial interesse pelo tema – tendo inclusive intercedido para que fossem enviadas ao Brasil diversas peças recuperadas das escavações. Naquela oportunidade, o imperador subiu à cratera do Vesúvio e o casal percorreu as ruas de Pompeia – até hoje, um dos sítios arqueológicos mais visitados do planeta.

Ficha Técnica
'Viagem ao mundo antigo – Egito e Pompeia nas fotografias da Coleção D. Thereza Christina Maria'
Curadoria - Joaquim Marçal Ferreira de Andrade
Assistente de Curadoria - Késiah Pinheiro Viana
Coordenação Geral - Suely Dias
Museografia e Design - Marcela Perroni | Ventura Design
Cenotécnica - Marcio Burity
Multimídia/Projeção - Renato Moulin, Rodrigo Ramalho, Luiz Louzada
Iluminação - Milton Giglio
Molduras - Ian Cantarino | Metara
Revisão - Aline Canejo
Tradução - Ricardo Silveira
Produção - ABMP Promoções e Eventos

Local
ESPAÇO CULTURAL ELISEU VISCONTI
Rua México s/n
Rio de Janeiro, RJ
20031-144

Fonte: FBN

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