BAHIA, Salvador - Fichte gostava de sexo. E gostava de viajar. Gostava particularmente do Brasil e dos brasileiros. Um dos maiores autores cults alemães, poeta maldito e cronista do submundo de Hamburgo, Hubert Fichte (1935-86) ganha exposições de arte e edições de sua obra em diversos países.

Um grande projeto internacional, concebido por AnselmFranke e DiedrichDiederichsen, lançado na Alemanha pela Haus der Kulturen der Welt(HKW) em parceria com o Goethe-Institut, leva o legado de Fichte às cidades que ele visitou e sobre as quais escrevia: Lisboa, Salvador, Rio de Janeiro, Dakar, Nova Iorque, Santiago do Chile, entre outras. No Brasil, a mostra 'Implosão: Trans(relacion)ando Hubert Fichte', com curadoria do filósofo Max Jorge Hinderer Cruz e do artista AmilcarPacker, será aberta na capital baiana em 7 de novembro, no Museu de Arte Moderna da Bahia, seguindo até 17 de dezembro; e, nas terras cariocas, no dia 25 de novembro, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, onde permanece até 13 de janeiro de 2018. Em ambas as cidades, será lançado um dos livros seminais para compreensão do trabalho do autor, “Explosão. Romance da Etnologia”, com tradução para o português de Marcelo Backes e selo da editora Hedra.

A mostra 'Implosão: Trans(relacion)ando Hubert Fichte' reúne trabalhos de artistas contemporâneos, principalmente brasileiros, convidados a incursionar no universo de Fichte, desdobrando-o em criações inéditas ao lado de trabalhos históricos. A exposição propõe um questionamento sobre os olhares, posições, preconceitos e lugares de fala do poeta libertário alemão, judeu, homossexual, que procurou no Brasil novas alianças minoritárias, tanto nos terreiros quanto nos banheiros públicos. Participam Ayrson Heráclito (BA), Coletivo Bonobando (RJ), Letícia Barreto (SP), Michelle Mattiuzzi (SP/BA), Negro Leo (MA), Pan African Space Station (África do Sul) e Rodrigo Bueno (SP). Além disso, a mostra apresentará instalações e obras de arquivo que se alinham com o próprio olhar de Fichte em seu contexto histórico, assinadas por Hélio Oiticica, Leonore Mau e Alair Gomes.

Juntamente à edição do livro de Fichte em português, será também lançada uma publicação de título homônimo à exposição, editada por meio de uma colaboração entre a dupla de curadores da mostra e a pesquisadora Cíntia Guedes. São reunidos textos, conversas e entrevistas com alguns dos artistas participantes, assim como com figuras relevantes do cenário político e intelectual brasileiro, como Indianara Siqueira, a performer e ensaísta Jota Mombaça, Mateus Ah, a fotógrafa e diretora de cinema Vanessa Oliveira, o antropólogo Sérgio Ferreti, o Coletivo Bonobando, a antropóloga e diretora de teatro Adriana Schneider e o músico Negro Leo.

Em Salvador, o projeto ainda se vincula ao XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, onde irá exibir quatro foto-filmes de Fichte e Leonore Mau, no dia 9 de novembro. A sessão será acompanhada de mais um momento de lançamento do livro “Explosão. Romance da Etnologia”, com uma leitura do Coletivo Bonobando.

O Museu de Arte Moderna da Bahia é um espaço vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Ficha técnica
Curadoria: AmilcarPacker e Max Jorge Hinderer Cruz
Artistas Convidados: Ayrson Heráclito (BA), Coletivo Bonobando (RJ), Letícia Barreto (SP), Michelle Mattiuzzi (SP/BA), Negro Leo (MA), PanAfrican Space Station (África do Sul) e Rodrigo Bueno (SP)
Obras históricas: Alair Gomes, Hélio Oiticica e Leonore Mau
Coordenação de produção: LuisaHardman
Coedição: Cintia Guedes
Realização: Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo) e Goethe-Institut
Parceria: Forberg-Schneider Stiftung S. Fischer Stiftung

Serviço
Local: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) (Av. Contorno, s/n – Solar do Unhão)
Data de abertura: 7 de novembro de 2017,às 18h
Performance: Michelle Matiuzzi, Negro Leo e convidados, Coletivo Bonobando
Exibição: Obra “Neyrótika”, de Hélio Oiticica
Período expositivo: 8 de novembro a 17 de dezembro de 2017
Entrada gratuita
Classificação etária: 12 anos
Apoio institucional: Museu de Arte Moderna da Bahia/ Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia/ Secretaria de Cultura do Governo da Bahia

Fonte: Secult BA

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