MINAS GERAIS, Ouro Preto - A Bazar do Tempo abre as portas do histórico Escritório de Dr. Rodrigo Melo Franco de Andrade, na rua Direita em Ouro Preto, para o lançamento dos livros 'Bens Culturais do Brasil: um desenho projetivo para a nação', de Aloisio Magalhães, e 'Tudo Em Volta Está Deserto: encontros com a literatura e a música no tempo da ditadura', de Eduardo Jardim.

O evento acontece no sábado, dia 25 de novembro, às 18h, com bate-papo e sessão de autógrafos, além de música e projeção de imagens raras. A celebração soma-se ao programa do Fórum das Letras de Ouro Preto onde Eduardo Jardim e João de Souza Leite participam de uma mesa no domingo, dia 26 pela manhã. Às 18h o escritório reúne o secretário de Estado de Cultura Angelo Oswaldo, João de Souza Leite e Pedro Drummond em Uma conversa sobre Ouro Preto, musa do Brasil: da descoberta modernista a patrimônio da humanidade.

O livro 'Bens Culturais do Brasil', organizado pelo designer João de Souza Leite, marca o lançamento da Coleção Patrimônio Brasileiro, que vem promover o diálogo entre temas essenciais do passado e a necessidade contemporânea de uma reflexão sobre identidade cultural, memória do país. O lançamento da obra acontece na casa do fundador e primeiro diretor do Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Dr. Rodrigo Melo Franco de Andrade, no mês em que o designer Aloisio Magalhães, também ex-diretor do Iphan, completaria 90 anos.

Bate-papo e sessão de autógrafos
Às 20h o escritório reúne Eduardo Jardim e Sérgio Alcides em Uma conversa sobre Antonio Callado, Gal Costa e Ana Cristina Cesar. Bate-papo seguido de autógrafos e de apresentação musical de Maíra Lana com projeção de imagens raras de Gal Costa filmadas pelo cineasta Leon Hirszman nos anos 70.

BENS CULTURAIS DO BRASIL: um desenho projetivo para a nação
Autor: Aloisio Magalhães
Organizador: João de Souza Leite
Número de páginas: 524
Ano: 2017

BENS CULTURAIS DO BRASIL: um desenho projetivo para a nação oferece uma abrangente visão do pensamento político-cultural do designer Aloisio Magalhães (1927-1982), de surpreendente atualidade. Com organização de João de Souza Leite, o livro reúne uma série de entrevistas, artigos e conferências que mostram a evolução de um debate modernizador sobre a questão do patrimônio brasileiro, situando o lugar estratégico dos bens culturais para a formação de um projeto de nação. A edição apresenta documentos inéditos e textos que originaram o livro E Triunfo? A questão dos bens culturais no Brasil, lançado em 1985, agora apresentados na íntegra, formando um conjunto representativo da atuação de Aloisio Magalhães no campo da política cultural. Uma trajetória que começa nos tempos do Recife, na década de 1950, ainda antes de assumir o cargo de diretor do Centro de Referência Nacional de Cultura (CNRC), até seu último dia de atividade como Secretário de Cultura do MEC, quando proferiu um discurso na Itália, em 1982, pouco antes de morrer. Uma cronologia, apresentada ao fim do livro, contextualiza do pensamento de Aloisio Magalhães no curso do tempo e dos cargos que ocupou, e também suas propostas e ações sempre voltadas para o desenvolvimento harmônico do país.

Autor
Aloísio Magalhães, pernambucano de Recife, nascido em 1927, atuou em múltiplas frentes como homem público da política cultural, designer, pintor. Combinando lucidez e senso de perspectiva histórica a conhecimento cultural e sensibilidade artística, Aloisio refletiu profundamente sobre seu tempo e o papel da cultura no projeto de desenvolvimento nacional.

Formado em advocacia, tornou-se designer em 1960 e transmutou-se em político como um dos mais destacados pensadores da cultura no Brasil, defendendo nos âmbitos nacional e internacional o valor do patrimônio imaterial e a cultura popular brasileira.

Na área do design, realizou projetos icônicos como a criação das logomarcas de grandes empresas (Petrobras, Light, Unibanco) e do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, além da série de cédulas monetárias do Cruzeiro Novo. Como político cultural fundou o Centro Nacional de Referência Cultural (CNRC), que dirigiu desde sua fundação, em 1976, até sua fusão ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 1979 assumiu o cargo de Diretor-Geral do Iphan, ao qual associou o Instituto Pró-Memória, que fundou e presidiu até 1981, quando tornou-se secretário de Cultura. Faleceu aos 55 anos, em 1982, no auge de sua atividade política, representando o Brasil, em Veneza, Itália.

Organizador
João de Souza Leite é designer, doutor em Ciências Sociais e professor-adjunto do programa de
pós-graduação da Escola Superior de Desenho Industrial / UERJ, onde lidera o grupo de pesquisa em história e teoria de design – HTDesign. Por muitos anos trabalhou com o designer Aloisio Magalhães, concebendo programas de identidade visual e projetos editoriais.Em 1980, integrou a equipe de revitalização do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional e do Paço Imperial, onde criou e coordenou pesquisas, projetos editoriais e exposições.Organizou o livro A herança do olhar: o design de Aloisio Magalhães, que recebeu o prêmio Design do Museu da Casa Brasileira em 2004.

TUDO EM VOLTA ESTÁ DESERTO: encontros com a literatura e a música no tempo da ditadura
Autor: Eduardo Jardim
Número de páginas: 128
Ano: 2017
Eduardo Jardim, autor de Eu sou trezentos, biografia de Mário de Andrade (prêmio Jabuti 2016), lançará em Ouro Preto o livro ‘’TUDO EM VOLTA ESTÁ DESERTO: encontros com a literatura e a música no tempo da ditadura”. Ele organiza seu ensaio sobre o que era fazer literatura e música no final dos anos 60 e início dos 70 a partir de três momentos: o lançamento de Quarup, de Antônio Callado, antes do AI-5, o show A Todo Vapor, de Gal Costa – foi da música Como Dois e Dois que ele emprestou o título do seu livro – e a poesia e os escritos de Ana Cristina Cesar até 1983.

Uma interrogação é feita ao longo de todo o livro: qual significado da literatura e da música (em particular, um e espetáculo musical) tiveram para um grupo de jovens que atravessava aqueles momentos cruciais da história brasileira?

Quarup, lançado em 1967, é uma reação ao golpe militar e expressa os anseios e perplexidades dos opositores do regime, exprimindo a forte tensão entre o apelo da militância política e a postura questionadora de todas as soluções à vista. O show Gal a todo vaporfoi montado no período mais duro da ditadura, em 1971, depois do AI-5. O e espetáculo tinha um poder catártico e ocupou uma posição singular no cenário artí ico da época. Já os escritos de Ana Cristina manifestam uma demanda de interlocução. Não se referem diretamente ao que se passava na política. Sua força e também sua dimensão crítica resultam de uma exploração em profundidade da experiência poética em meio a um contexto de extrema aridez.

Essa abordagem original faz com que o livro não seja apenas uma crônica dos acontecimentos, mas um convite à reflexão sobre temas que transcendem todas as épocas — diferentes maneiras de se experimentar a relação da arte com a vida. Tudo em volta está deserto não deixa de ser o depoimento de alguém que viveu com intensidade o seu tempo.

Autor
Eduardo Jardim nasceu no Rio de Janeiro, em 1948. Foi professor de filosofia na PUC-Rio entre as décadas de 1970 e 2010. Escreveu livros sobre modernismo no Brasil, como A brasilidade modernista: sua dimensão filosófica (1978), recentemente reeditado (2016), Limites do Moderno (1999), Mário de Andrade – a morte do poeta (2005) e coordenou a coleção Modernismo + 90 (2012-13). Em 2015, lançou a biografia Eu sou trezentos – Mário de Andrade, vida e obra, vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Livro do Ano de Não Ficção. Pesquisou o pensamento de Hannah Arendt e Octavio Paz, colaborando na divulgação de suas obras e publicou sobre eles: A duas vozes – Hannah Arendt e Octavio Paz (2007) e Hannah Arendt – pensadora da crise e de um novo início (2011). Traduziu a coletânea de ensaios A busca do presente, do escritor mexicano Octavio Paz (2017), parte da coleção Ensaios contemporâneos, que dirige na editora Bazar do Tempo.

Bazar do Tempo é uma casa editorial dedicada a livros e projetos ligados às áreas de fotografia, arquitetura, música, poesia, história, ensaio, literatura infantojuvenil e memória cultural. Criada em 2015 e dirigida por Ana Cecilia Impellizieri Martins, ex-sócia e diretora editorial da Casa da Palavra e Edições de Janeiro, a editora converge em suas parcerias profissionais e empresas que compartilham o desejo de produzir livros e projetos de relevância cultural e social. Com isso, a Bazar do Tempo afirma seu objetivo de valorizar o patrimônio artístico e a memória cultural do Brasil. Além de livros impressos, a Bazar do Tempo também está dedicada a projetos especiais de fôlego, incluindo sites, livros em plataforma digitais, exposições, projetos de incentivo à leitura e produções audiovisuais. Entre os livros publicados estão “Retratos do tempo, 50 anos de fotojornalismo”, de Evandro Teixeira; “Milan Alram”, de Joaquim Marçal; “Nos tempos da Guanabara”, de Paulo Knauss, Ana Maria Mauada e Marly Motta; “A flauta e a lua – Poemas de Rûmî”, organizado por Marco Lucchesi; “Guia da Arquitetura do Rio de Janeiro”; “Lentes da memória – a descoberta da fotografia de Alberto de Sampaio”, de Adriana Martins Pereira; “Carlos Leão, Arquitetura”, organizado por Jorge Czajkowski; “Vi vendo”, de Pedro de Moraes, e “Pra que é que serve uma canção como essa?“, de Adriana Calcanhotto.

Este ano a Bazar do tempo recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro "Lentes da Memória: a descoberta da fotografia de Alberto de Sampaio", de Adriana Martins Pereira. Com dedicação, buscando excelência no conteúdo e apuro gráfico, a Bazar do Tempo espera que seus projetos possam atravessar os tempos, como valioso legado cultural.

Serviço
ESCRITÓRIO DE DR. RODRIGO M.F. DE ANDRADE DE PORTAS ABERTAS PARA O TEMPO – LANÇAMENTOS DA EDITORA BAZAR DO TEMPO
Dia: 25 de novembro, sábado
Hora: 18h às 22h
Endereço: Casa de Dr. Rodrigo M.F. de Andrade. Rua Direita, 85 – Ouro Preto.
18h ALOISIO MAGALHÃES Bens culturais do Brasil um desenho projetivo para a nação – Org. João de Souza Leite
Uma conversa sobre Ouro Preto, Musa do Brasil: da descoberta modernista a patrimônio da humanidade. Com Angelo Oswaldo, João de Souza Leite e Pedro Drummond Bate-papo seguido de autógrafos de João de Souza Leite
20h Tudo em volta está deserto – Encontros com a literatura e a música no tempo da ditadura - Eduardo Jardim
Uma conversa sobre Antonio Callado, Gal Costa e Ana Cristina Cesar COM EDUARDO JARDIM E SÉRGIO ALCIDES Bate-papo seguido de autógrafos
Após os lançamentos haverá participação especial da cantora Maíra Lana.

Informações
www.bazardotempo.com.br
instagram.com/bazardotempo

Fonte: SEC MG

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30