DISTRITO FEDERAL, Brasília - Nesta terça-feira (27), o Comitê Gestor da Serra da Barriga toma posse em Maceió (AL).

O órgão terá como finalidade promover o turismo sustentável no local – reconhecido no ano passado como Patrimônio Cultural do Mercosul – como indutor do desenvolvimento da região. Na ocasião, também será realizado o lançamento do Dossiê Serra da Barriga, Parte Mais Alcantilada – Quilombo dos Palmares, documento que irá nortear as ações do Comitê. A cerimônia começa às 17h30, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Alagoas.

Após o reconhecimento do Mercosul, a posse do Comitê Gestor é o próximo passo para que se realizem um conjunto de ações para fomentar as atividades culturais e turísticas no Parque Memorial Quilombo dos Palmares. No passado, a Serra da Barriga, localizada no município de União dos Palmares, em Alagoas, foi palco da luta pela liberdade de centenas de pessoas que não aceitavam a escravidão, sob a liderança de Zumbi dos Palmares.

A gestão da Serra da Barriga é responsabilidade da Fundação Cultural Palmares (FCP), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC). Além dela, o Comitê Gestor será composto pelo Governo de Alagoas, Iphan, Prefeitura de União dos Palmares, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e representantes de comunidades de capoeiristas, religiões de matriz africana e quilombolas.

O Plano de Gestão da Serra da Barriga prevê a instalação de um Centro de Interpretação de Referências Culturais Afro-brasileiras, a partir de um concurso internacional de projetos. O Comitê também se propõe a desenvolver um projeto de turismo de base comunitária, com as comunidades locais.

O Dossiê Serra da Barriga tem edição bilíngue, em português e espanhol. A publicação reúne fotos, gráficos, mapas, informações históricas, dados geográficos, questões legais, aspectos culturais religiosos e diretrizes de gestão.

No dia 28, a partir das 9h, também na sede do Iphan/AL, será realizada a 1ª Reunião do Comitê Gestor da Serra da Barriga. Ao longo do dia, haverá discussões sobre plano de trabalho, diretrizes de gestão e projetos a serem desenvolvidos. Ao fim da reunião, os membros estabelecerão uma agenda de trabalho até o fim de 2018.

A Serra da Barriga foi palco da luta pela liberdade de centenas de pessoas que não aceitavam a escravidão, sob a liderança de Zumbi dos Palmares (Foto: Ascom/MinC)

Paisagem de Palmares
A Serra da Barriga fica na Zona da Mata do estado de Alagoas. Ocupa uma área de aproximadamente 27,92 km² na Serra da Borborema, no conjunto de matas atlânticas próximas ao litoral do Nordeste brasileiro. Em um planalto de 485 metros de altitude, sobre desfiladeiros, sua paisagem é repleta de palmeiras, que renderam ao local o nome Palmares. As nascentes da região alimentam um açude e a Lagoa dos Negros, local sagrado da Serra, onde os religiosos de matriz africana realizam seus rituais.

A parte edificada é composta por casas simples, ocupadas por antigos moradores, descendentes dos quilombolas. Há também estruturas cenográficas do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, inaugurado em 2007, para promover o valor histórico e simbólico do lugar.

Lugar de resistência
Foi na Serra da Barriga que surgiu o maior quilombo das Américas. Tudo no Quilombo dos Palmares foi e é grandioso: a extensão territorial; a população, que chegou a ter, segundo historiadores, 30 mil habitantes no ápice de sua organização social e política; as incursões realizadas (que chegaram a 23) pelos colonizadores holandeses e portugueses.

O último ataque a Palmares, que destruiu a Cerca Real dos Macacos, em 1694, tinha três comandantes, Bernardo Vieira de Melo, Sebastião Dias e Domingos Jorge Velho, e foi o maior contingente armado que se formou na história do Brasil Colônia, com mais de 20 mil homens, de posse de armas nunca vistas antes, como os canhões para destruir as paliçadas construídas no mocambo. Zumbi dos Palmares, um dos principais líderes do quilombo, foi considerado pelo governo brasileiro herói nacional.

Ao contingente africano escravizado nas Américas somaram-se os povos indígenas. Durante mais de 400 anos de domínio colonial, milhões de seres humanos foram tratados ao descaso, tendo como opções, por um lado, a resistência para suportar o jugo da escravidão e, por outro, a fuga e a busca de refúgios para sua sobrevivência e continuidade. Tais refúgios, conhecidos como quilombos, eram marcados por estratégias de sobrevivência e resistência, e foram povoados por pessoas negras e indígenas que buscavam a liberdade.

Derivado do tronco linguístico africano banto, em Angola e no Brasil, o termo quilombo significa esconderijo, aldeia. Em síntese, são povoações em que se abrigavam escravos fugidos, conhecidos como quilombolas.

Serviço
Lançamento do Dossiê e implantação do Comitê Gestor Serra da Barriga
Local: Superintendência do Iphan-AL, Rua Sá e Albuquerque, 157, Jaraguá
Data e Horário: 27 de março - a partir das 17h30

Fonte: MinC

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