DISTRITO FEDERAL, Brasília - Depois de ficar quatro anos coberta por tapumes e lonas e 18 meses em obras, a Biblioteca Nacional (BN) está de cara nova, exibindo sua imponente fachada, cartão postal do Rio de Janeiro.

O restauro começou em dezembro de 2016, sem a interrupção do funcionamento da Biblioteca Nacional. (Fotos: Marcos Gusmão)

O Ministério da Cultura (MinC) investiu R$ 10,7 milhões na mais abrangente obra de restauração desde a construção do prédio, há 108 anos, que foi entregue oficialmente nesta segunda-feira (18), em uma cerimônia às 18h no saguão da Biblioteca, com um concerto da Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES) e projeção de vídeo com os "tesouros" do acervo de 10 milhões de itens da BN.

Realizada pela empresa Concrejato, a obra contou com verba do Fundo Nacional de Cultura, por meio do PAC Cidades Históricas, e foi fiscalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

"Empenhamos todos os nossos esforços para concluir esta reforma e estamos muito felizes em contemplar o resultado, que ficou belíssimo. Além do brilho arquitetônico e do valor histórico e turístico do edifício, a instituição é responsável pelo patrimônio bibliográfico e documental nacional. Todos os anos, milhares de visitantes e estudiosos se beneficiam da riqueza deste acervo", disse o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

O restauro, que começou em dezembro de 2016, foi feito sem a interrupção do funcionamento da Biblioteca Nacional. "Houve um esforço de todos os servidores, operários e frequentadores para que a obra acontecesse concomitante ao funcionamento da instituição", explica a presidente da BN, Helena Severo. O trabalho e a presença de 120 operários – que fizeram visitas guidas para compreenderem o valor histórico e estético do prédio – foram incorporados à rotina dos 319 funcionários e milhares de visitantes.

A Biblioteca Nacional é a sétima maior biblioteca do mundo e a maior da América Latina. Mensalmente, o acervo é acrescido de 2 mil volumes de obras gerais e em torno de 5 mil fascículos de publicações seriadas, o que anualmente gira em torno de 24 mil volumes de livros e 60 mil fascículos de periódicos. Tem a missão de coletar, registrar, salvaguardar e dar acesso à produção intelectual brasileira, assegurando o intercâmbio com instituições nacionais e internacionais e a preservação da memória bibliográfica e documental do país.

A BN recebeu quase 100 mil visitantes em 2017, uma média de 5 mil por mês. Em 2018, de janeiro a maio, o total de visitantes chega a 24.502. Além disso, atende anualmente em torno de 14 mil pesquisadores de forma presencial e 4,5 mil à distância. O acervo da Biblioteca pode ser acessado também à distância, através da BN Digital, que já tem quase 2 milhões de documentos dos mais variados.

Obra de arte
A fachada estava em processo de deterioração muito preocupante. "Utilizamos um material técnico de excelência em termos de restauro", relata o arquiteto da Biblioteca Nacional responsável técnico pela obra, Luiz Antonio Lopes de Souza.

Construída entre 1905 e 1910, em estrutura metálica de cinco andares, com projeto de Francisco Marcelino de Souza Aguiar, representou um marco tecnológico para a época. Com arquitetura típica do ecletismo do final do século XIX, a fachada mistura vários estilos históricos.

Pela primeira vez, todas as 285 janelas foram criteriosamente restauradas, incluindo as partes de madeira e ferragens originais, depois de um estudo profundo, com levantamento de danos, trincas e vidros quebrados. O mesmo foi feito com os vidros com monogramas contendo as iniciais da Biblioteca Nacional. A aplicação de filtros UV vai contribuir para a proteção do acervo contra o excesso de luminosidade, deixando o ambiente interno mais confortável. Um estudo cromático revelou a cor original, amarelada (ocre claro), reproduzida com uma pintura à base de pigmento mineral.

Esse cuidadoso trabalho de restauração inclui também todos os elementos decorativos feitos em argamassa. O cobre da cúpula foi restaurado. A ferrugem foi removida e os elementos de cobre perdidos foram reintegrados ao conjunto.

A cobertura do prédio é de telhas francesas, com quatro claraboias de vidro, uma delas sobre a cúpula de cobre, que iluminam os vãos internos. Para restaurar o cobre da cúpula, a ferrugem foi removida com o cuidado de manter a patina original, que protege a superfície da ação do tempo.

Durante o processo de restauração, os operários descobriram que as três principais portas de acesso ao imóvel, pintadas de preto, eram, na verdade, de bronze, fabricadas na Inglaterra, com projeto original de Francisco Marcelino de Souza Aguiar. As portas foram restauradas.

Tesouros da literatura
Entre as preciosidades da Biblioteca Nacional, está o acervo da Real Biblioteca, trazido em 1808 juntamente com a corte portuguesa, de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas. Somente em 1810, o acervo da BN foi aberto a estudiosos e, em 1814, passou a ser aberto ao público para consultas. O acervo mudou, em 1910, para o prédio na Avenida Central, atual Avenida Rio Branco.

Outros tesouros da BN são o pergaminho datado do século XI com manuscritos em grego sobre os quatro Evangelhos; o exemplar mais antigo da Biblioteca Nacional e da América Latina; a Bíblia de Mogúncia, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos impressores, os alemães Johann Fust e Peter Schoffer, ex-sócios de Gutemberg; a primeira edição de "Os Lusíadas", de 1572; a primeira edição da "Arte da gramática da língua portuguesa", escrita pelo Padre José de Anchieta em 1595; o primeiro jornal impresso do mundo, datado de 1601, entre outros.

Documentos e coleções do acervo fazem parte da coleção "Memórias do Mundo, da Unesco", como os manuscritos de Ernesto Nazaré e Carlos Gomes, a Carta Real de Abertura dos Portos Marítimos ao Comércio com as Nações Amigas, representações iconográficas e cartográficas da Guerra do Paraguai, entre outros.

O edifício-sede da BN oferece ao público seis salas de leitura e estudo. O local conta ainda com um Escritório de Direitos Autorais para registro e averbação de direitos de autor, que é também a Agência Nacional do ISBN (International Standard Book Number). Ela é quem abriga exemplares de todas as obras lançadas no Brasil, conforme a Lei 10.994, de 2004, do Depósito Legal, a qual se assegura o registro e a guarda da produção intelectual nacional.

A BN mantém um serviço de intercâmbio com cerca de 700 outras bibliotecas (escolares, de organizações não-governamentais e de utilidade pública) e instituições, no Brasil e no exterior, para doação das duplicatas do acervo e permuta de publicações da própria Biblioteca e de órgãos oficiais brasileiros.

Periodicamente, a Biblioteca Nacional lança editais de seleção dentro de seus programas de apoio à pesquisa; intercâmbio de autores brasileiros no exterior; residência de tradutores estrangeiros no Brasil; apoio a pesquisadores residentes; apoio à tradução e à publicação de autores brasileiros no exterior e coedição de livros sem ônus.

A instituição oferece visita orientada de 40 minutos, em português, inglês e espanhol, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h e aos sábados das 10h30 às 14h30. Desde 2016, uma mesa interativa de touch screen foi instalada, por meio da qual se pode manusear virtualmente as obras do acervo.

Fonte: MinC

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