DISTRITO FEDERAL, Brasília - Vasos, urnas funerárias e um machado em pedra polida com tradições típicas Tupiguarani são peças que formam uma rara coleção que será repatriada à cidade de Pereira Barreto, em São Paulo.

Lâmina de machado (Acervo: Iphan)

O material cerâmico, embora fragmentado, oferece preciosas informações sobre os ceramistas pré-históricos que habitavam a região. O acervo arqueológico será entregue no dia 2 de agosto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ao Museu Histórico da Colonização de Pereira Barreto (SP).

As peças foram localizadas em sítios descobertos durante o resgate arqueológico da represa de Ilha Solteira, bacia do Rio Paraná, em 1971. Desde então, a coleção esteve sob a custódia do Museu de Etnologia e Arqueologia da Universidade de São Paulo (MAE/UPS) que realizou a curadoria de cerca de duas mil peças, que agora encontram-se numeradas, acondicionadas e ordenadas em planilhas, prontas para a pesquisas científicas.

O material teve as datações obtidas por termoluminescência e remetem a ocupações que podem ter ocorrido há 2200 Antes do Presente (AP). O acervo será conduzido de volta ao município de origem por arqueólogas da superintendência do Iphan em São Paulo e do MAE/USP.

Pedaços que contam história
Fragmentos de objetos utilizados no passado podem revelar o modo de vida dos ancestrais. E por meio das peças que resistem a ação do tempo, a história vai sendo contada, mostrando em cada detalhe a identidade cultural do povo Tupiguarani. Materiais feitos em cerâmica encontrados na região noroeste do Estado de São Paulo ajudam a traçar o contexto histórico e cultural desses indivíduos que ali habitavam há mais de dois mil anos.

Nos baixos vales dos rios Tietê e São José dos Dourados, até a confluência com o Rio Paraná, abrangendo o município de Pereira Barreto e parte dos municípios vizinhos foram coletadas algumas lâminas de machado em pedra polida de diversos tamanhos, almofariz e mão de pilão, ferramentas típicas para o trabalho de cultivo e preparo de vegetais. Polidores com sulco (abrasadores) utilizados para afiar os instrumentos de corte ou arredondar as varetas utilizadas nos fusos, também foram encontrados, além de um fuso em cerâmica indicando que, antes da era cristã, esses grupos cultivavam o algodão e dominavam técnicas de fiação.

O interesse arqueológico pela área iniciou-se no início dos anos 1970 em decorrência da construção da Usina Hidroelétrica de Ilha Solteira no Rio Paraná. Nessa ocasião, foram encontrados oito aldeamentos pré-históricos pela equipe de arqueólogos do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP).

Todos os sítios arqueológicos ocupavam vertentes de suaves colinas, próximos aos rios, a uma distância que os protegia das inundações periódicas. Realizaram-se datações em quatro dos sítios e assim foi possível afirmar sua ocupação pelos antigos indígenas entre 2200 a 1040 AP (Antes do Presente).

Uma grande quantidade de material cerâmico, assim como alguns artefatos líticos, ou seja, produzidos em pedra, foram recuperados durante as pesquisas. A partir de seu estudo, os arqueólogos concluíram tratar-se de ocupações por grupos pertencentes à Tradição cerâmica denominada Tupiguarani. Eram povos horticultores.

Pouco após a realização desses trabalhos, a usina entrou em funcionamento e a maioria dos sítios arqueológicos foi inundada impossibilitando o aprofundamento das pesquisas. No entanto, o material cerâmico, embora fragmentado, oferece preciosas informações sobre esses ceramistas pré-históricos que habitavam a região.

A técnica de confecção era acordelada, ou seja, os vasos, urnas e tigelas eram confeccionados pelo acréscimo sucessivo de roletes de argila. A decoração era bastante variada, típica dessa tradição. Os vasilhames podiam ser totalmente lisos na cor natural da argila, pintados em vermelho ou decorados com desenhos geométricos requintados, geralmente traços vermelhos sobre uma base na cor branca ou creme denominada engobo. Havia, ainda, a decoração plástica feita na argila antes de ir ao fogo. São os chamados corrugados, ungulados, escovados e incisos.

Serviço
Repatriamento de acervo arqueológico - Pereira Barreto- São Paulo
Data: 02 de agosto de 2018, a partir das 10h;
Local: Museu Histórico da Colonização de Pereira Barreto
Rua Hajime Fujimoto nº 1.000 Centro – Pereira Barreto - SP
O evento será aberto ao público.

Fonte: Iphan

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