RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - As obras de implantação da linha 3 do Veículo Leve sobre Trilhos avançam na Avenida Marechal Floriano e, paralelo a elas, o trabalho arqueológico revela detalhes da história do Rio.

Foto: Divulgação VLT

Dessa vez, a equipe de arqueologia que trabalha nas obras da Prefeitura do Rio sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) evidenciou local da antiga Igreja de São Joaquim e cemitério da elite católica. O templo foi erguido em 1758 ao lado de um seminário (local para formação de padres), área onde mais tarde foi instalado o Colégio Pedro II. Foram identificadas 15 ossadas. Era prática comum na época os cemitérios serem anexos às igrejas.

Nas obras, foram revelados alicerces que ajudarão a delimitar a área ocupada pela igreja, além de fragmentos e objetos ligados àquele espaço, como recipientes e cerâmicas. Uma das formas de avaliar as dimensões aproximadas é o trabalho de espelhamento das fundações encontradas durante o trabalho arqueológico, que ajuda a simular a superfície real ocupada pelas estruturas. A análise desse material tentará indicar mais informações sobre os usos e ocupação da região do imóvel. A pesquisa inclui trabalho de Educação Patrimonial. Na última semana, 850 estudantes dos ensinos Fundamental e Médio do campus Centro do Colégio Pedro II acompanharam palestra de integrantes da equipe de arqueologia no entorno das obras.

Em 1817, já com a família real no Rio, a igreja passou a ser considerada a capela oficial dos batalhões e conservou sua forma até 1904. Naquele ano, o então prefeito do Rio, Pereira Passos, incluiu a demolição da área no projeto de alargamento da então Rua Estreita de São Joaquim, onde hoje está a Avenida Marechal Floriano. Por ser um desmonte planejado, poucos objetos inteiros teriam sido deixados pelos frequentadores, que tiveram tempo de retirar seus pertences.

Cemitério de Escravos
A prefeitura e o Iphan atenderam as reivindicações do movimento negro para não escavar a área do antigo cemitério de escravos no Largo de Santa Rita. O trabalho dos arqueólogos no local fica limitado à delimitação do cemitério com base nas prospecções que já catalogou ossos achados no local. O piso será marcado para mostrar onde os negros escravizados foram enterrados. Este cemitério é anterior ao Cemitério dos Pretos Novos, onde hoje fica o Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN). Com a expansão da cidade para a Região Portuária, o cemitério foi deslocado para mais longe do Centro, no entorno da atual Rua Pedro Ernesto.

Fonte: CDURP (com informações da Concessionária do VLT Carioca)

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