MINAS GERAIS, Belo Horizonte - A UFMG sediará, de 8 a 11 de outubro, no campus Pampulha, a quinta edição do 'Fórum Permanente de Museus Universitários', que pretende, após 12 anos, propor a reestruturação das bases organizacionais do trabalho em rede e delinear diretrizes para uma política de preservação do patrimônio universitário.

Réplica de esqueleto de animal em exposição no Museu de História Natural e Jardim Botânico (Foca Lisboa/UFMG)

O evento ocorre sob os impactos do incêndio que destruiu o Museu Nacional e da edição da Medida Provisória 850, que institui a Agência Brasileira de Museus (Abram), em substituição ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

Participam do Fórum, que integra a programação da Semana do Conhecimento, representantes de universidades de todas as regiões do país, dirigentes de redes de museus universitários dos EUA e da União Europeia e dos membros dos comitês internacionais de ­Museus Universitários e de Formação de Pessoal. As inscrições podem ser realizadas no site do evento.

Segundo a diretora da Rede de Museus da UFMG, professora Letícia Julião, que também participa da comissão organizadora do evento, as novas diretrizes da política de trabalho do Fórum devem contemplar gestão, salvaguarda, comunicação e atuação em rede. “São questões importantes e legítimas que hoje nos parecem inadiáveis, uma vez que, após a tragédia sem precedentes do Museu Nacional, houve a edição da Medida Provisória 850, que extingue o Ibram, o que põe em risco as políticas museológicas conquistadas ao longo de 15 anos”, lamenta.

Trabalhar em rede, na avaliação da professora da Escola de Ciência da Informação, traz vantagens e valores não proporcionados pela atuação isolada. “O trabalho em rede confere identidade às instituições, muitas vezes invisibilizadas. As redes geram fluxos dinâmicos e horizontais de informações, conexões e trocas de ­experiências”, argumenta Letícia.

As redes também potencializam o emprego de recursos para preservação do patrimônio dos museus. “Elas favorecem a construção de políticas, o estabelecimento de parâmetros de gestão de acervo e de riscos e a implementação de projetos de documentação museológica comuns ou de reserva técnica unificadas”, enumera a professora. Para ela, o desafio “é criar uma pauta comum equilibrada, sem ferir autonomias e diferenças, pois as redes funcionam como instância democrática, que pode e deve se
aliar aos órgãos gestores da cultura e educação”.

Patrimônio desconhecido
Para as universidades públicas, a identificação do patrimônio científico e cultural que deve ser preservado é o maior desafio, na opinião da professora. Coleções e objetos de caráter científico ainda não incorporados aos museus e centros de memória correm o risco de ser descartados por falta de identificação. “Com a expansão dos cursos de Museologia (de dois para 14, após o Reuni), observa-se o esforço de algumas universidades, inclusive da UFMG, para mapear e documentar esse patrimônio museológico. A limitação de recursos financeiros e pessoal especializado é um tópico fundamental e inadiável na discussão de uma política de preservação do patrimônio científico e cultural, cuja solução não poderá, absolutamente, ferir a autonomia da universidade brasileira”, afirma.

Criada em 2000, a Rede de Museus da UFMG reúne 21 espaços, cuja diversidade tipológica de acervos atesta a própria natureza universitária dos processos que dão origem a suas coleções. Mais de 90% dos espaços estão abertos à visitação pública, e pouco mais da metade deles oferecem serviço educativo. Mais de 80% organizam exposições de longa duração, e 65%, de curta duração.

200 anos do Museu Nacional
A primeira atividade do Fórum será uma palestra sobre a formação de profissionais de museus na América Latina, que será ministrada pela professora Tereza Scheiner, da Unirio, no dia 8, a partir das 18h, no CAD 2, no campus Pampulha.

Na abertura oficial, terça-feira, 9, a professora Margaret Lopes, da Universidade de Brasília, vai relembrar os 200 anos do Museu Nacional: trajetória do patrimônio científico no Brasil. A conferência terá início às 10h, no auditório 104-A do Centro de Atividades Didáticas (CAD2). À noite, às 19h, haverá uma entrevista pública sobre o Fórum Permanente de Museus Universitários.

No dia 10, durante todo o dia, no mesmo auditório, haverá debate sobre as experiências internacionais de redes de museus universitários. No último dia, o Fórum será sediado no Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, onde haverá debate sobre a gestão dos museus universitários e apresentação de diagnóstico das instituições por região. Os grupos de trabalho formularão proposições e diretrizes que serão apreciadas em plenária.

O encerramento do evento será às 17h, com a palestra da presidente do Comitê Internacional para Museus e Coleções Universitárias (Umac), Marta Lourenço, que é professora da Universidade de Lisboa. Veja a programação do Fórum.

Fonte: UFMG - Teresa Sanches / Boletim 2.034

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