DISTRITO FEDERAL, Brasília - Quem visita o bairro da Liberdade na cidade de São Paulo está acostumado a mergulhar na cultura e tradições japonesas.

Cemitério dos Aflitos (Foto: Alasca Arqueologia)

Mas, no terreno que se estende da Rua dos Aflitos até a Rua Galvão Bueno têm aflorado vestígios arqueológicos de uma história pouco conhecida.

Há algumas semanas, a área vem passando por pesquisas arqueológicas que são acompanhadas sistematicamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que responde pela preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. Essas pesquisas são geridas pelo Iphan, pois desde a publicação da Lei nº3.924 de 1961, todos objetos arqueológicos são de propriedade da União.

No terreno, que tem mais de 400m², funcionou a primeira necrópole da cidade de São Paulo, o Cemitério dos Aflitos, em atividade desde de 1775 e desativado em 1858, quando foi construído o cemitério da Consolação. Ao lado fica a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, ainda hoje em atividade e a única lembrança, até então, do uso do território como cemitério.

Na primeira fase da pesquisa, o levantamento histórico apurou que esse cemitério era reservado a quem, de alguma forma, era marginalizado socialmente: escravizados, presos, pobres, pessoas com doenças contagiosas, condenados à forca e aqueles que não possuíam família. Na última semana, esqueletos encontrados no local, acompanhados de adornos, indicam que se tratam realmente de remanescente de escravos.

A região do terreno que está sendo escavado é classificada como Perímetro Arqueológico Delimitado, em virtude da presença de ocorrências arqueológicas já identificadas nas proximidades e de importantes espaços de memória da cidade, como a Praça João Mendes, Paróquia São Gonçalo, a atual Avenida Liberdade (antigo caminho de Jeribatiba – pré-colonial - e Santo Amaro), a Praça da Liberdade e a Igreja Santa Cruz da Alma dos Enforcados. Segundo o Centro de Arqueologia de São Paulo, responsável por essa delimitação, os projetos de intervenção no perímetro de proteção arqueológica devem ser precedidos por estudos preventivos de arqueologia, que devem ser realizados após a demolição e remoção dos entulhos e antes de qualquer tipo de interferência no subsolo.

No terreno onde foram encontrados os vestígios do Cemitério dos Aflitos havia um edifício que foi demolido para a implantação de um empreendimento comercial. Os dados e materiais obtidos no local, juntamente com as análises de laboratório, vão ajudar a explicar o processo de formação do registro arqueológico, crucial para se compreender as transformações socioculturais que ocorreram na região.

As pesquisas arqueológicas
Além de registros feitos por escrito em documentos históricos, a história é construída ou reconstruída diariamente por meio de pesquisas arqueológicas realizadas. Hoje o Iphan computa mais de 12,5 mil pesquisas realizadas em todo Brasil. No estado de São Paulo são mais de 2 mil pesquisas arqueológicas e, na capital paulista, passam de 250.

A Arqueologia é o estudo da sociedade humana por meio de tudo que é feito ou alterado pelo homem. Potes de barro, vidros, pedras usadas como machados e pontas de flechas, etc, são exemplos de vestígios materiais, objetos de estudo da arqueologia, que podem ser desde coisas muito antigas, com milhares de anos, a objetos mais recentes. A Arqueologia é, portanto, uma ciência que estuda as relações entre cultura material e sociedades humanas, sem limitar-se ao caráter cronológico.

Os lugares onde esses restos são encontrados são chamados de sítios arqueológicos. Eles podem ter pinturas nas paredes (arte rupestre), artefatos de pedra (chamados de sítios líticos), restos de potes (sítios cerâmicos), enterramentos humanos (sítios rituais), restos de fábricas, de casas antigas e, até as lixeiras podem contar histórias das pessoas que habitaram determinada região. Há sítios até debaixo d’água, como navios afundados.

Antes da escavação, há um grande processo de estudo e pesquisa. No campo de pesquisa, os objetos encontrados nos sítios arqueológicos são registrados, catalogados e embalados para serem enviadas para o laboratório, onde as peças são desenhadas, estudadas e armazenadas. Em seguida, tudo deve ir para um local de armazenamento, muitas vezes um museu; parte fica exposta para visitação pública, mas a maioria fica guardada no que se chama de reserva técnica, uma espécie de armazém.

Fonte: Iphan

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