RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - O governador Wilson Witzel participou, nesta quarta-feira (13/3), da entrega de 72 bolsas de pesquisa aos cientistas do Museu Nacional, no Palácio Guanabara.

Governador entrega bolsas de pesquisa a cientistas do Museu Nacional (Foto: divulgação)

As outorgas vão contribuir para a retomada de linhas de pesquisa interrompidas pelo incêndio ocorrido em setembro do ano passado. O edital "Apoio Emergencial ao Museu Nacional – 2018" é uma iniciativa da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Serão disponibilizados R$ 2,5 milhões. Cada um dos contemplados receberá R$ 3 mil mensais.

– Esta é uma importante contribuição do Estado do Rio de Janeiro para que possamos reconstruir o nosso Museu Nacional. É a primeira ação. Estes pesquisadores vão resgatar aquilo que foi perdido no incêndio em termos de pesquisa, são mais de 70 profissionais, cada um na sua área – disse o governador.

De acordo com o presidente da Faperj, Jerson Lima Silva, a contribuição por meio de edital representa um esforço para restabelecer parte das coleções danificadas.

– O Rio de Janeiro perdeu um dos seus maiores patrimônios com o incêndio, mas seu conhecimento, não. Ele é perene. O Museu Nacional sempre estará vivo e poderá contar com o Estado do Rio, através da Faperj. Se uma boa parte do patrimônio físico do Museu Nacional foi perdida, cabe a todos, incluindo a Faperj, apoiar o patrimônio intelectual desta instituição – afirmou.

Segundo a subsecretária de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, Maria Isabel de Castro Souza, a pasta estadual vai investir cada vez mais no desenvolvimento de pesquisas inovadoras.

– Queremos colocar o Rio de Janeiro em primeiro lugar no ranking da produção científica brasileira – ressaltou.

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, agradeceu a sensibilidade demostrada com a instituição.

– Muitos viram incrédulos e chocados a instituição mais antiga do país em chamas, mas já conseguimos muito. Tivemos o apoio oficial do Ministério da Educação, de diversas organizações nacionais e internacionais e de governos, que dentro das suas possibilidades de ação procuraram auxiliar o Museu Nacional – explicou.

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, também comemorou a iniciativa.

– Este programa de fomento é importantíssimo para a nossa instituição – afirmou.

Retomada da linha de pesquisa
Segundo a bolsista do edital "Apoio Emergencial ao Museu Nacional – 2018", Marcela Laura Monné Freire, professora da UFRJ e pesquisadora do Departamento de Entomologia do Museu Nacional, o apoio dado pela Faperj auxiliará na retomada de linhas de pesquisa que foram abruptamente interrompidas em função do incêndio, bem como na recuperação de coleções perdidas e na melhoria da infraestrutura de laboratórios.

– Meu setor foi um dos mais atingidos, quase todos os professores perderam seus laboratórios e perdemos uma grande coleção de insetos, muito antiga – acrescentou a cientista.

Alguns dos projetos contemplados
Dinossauros, múmias, meteoritos e muito mais: recuperação estrutural e operacional do Laboratório de Processamento de Imagem Digital - Neste projeto, Sérgio Alex Kugland de Azevedo pretende recuperar a estrutura computacional do laboratório, que foi totalmente destruída pelo incêndio que atingiu o Museu em setembro de ano passado. Eram 20 computadores de alto desempenho, além de scanners tridimensionais de superfície, tomografia tridimensional helicoidal, fotogrametria e equipamentos para impressão tridimensional, nos quais mais de 500 peças do acervo, como múmias, meteoritos, estelas egípcias, urnas e vasos e o crânio de Luzia foram digitalizadas e alguns reproduzidos.

Os pretos novos contam sua história: bioarqueologia dos africanos enterrados no cemitério de escravizados do Valongo/RJ nos séculos XVIII e XIX - De autoria de Andrea de Lessa Pinto, este projeto busca aprofundar o conhecimento sobre os remanescentes humanos recuperados no Cemitério Pretos Velhos, no Cais do Valongo. A pesquisa investigará os ossos que estavam sob a guarda temporária do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Velhos e, por conta disso, foram salvos do incêndio. A descoberta do cemitério em 1996 trouxe grande quantidade de remanescentes humanos que permitiram a construção de alguns cenários sobre o estilo de vida dos africanos trazidos como escravos para o Rio de Janeiro, assim como a forma dos seus corpos serem tratados após a morte. Curiosidades são encontradas em dentes, queima dos corpos antes dos enterros, entre outras.

Humilhação e excesso: caminhos de análise para uma antropologia da diferença e da desigualdade social em relação à raça, gênero e sexualidade - De Maria Elvira Diaz Benitez, o projeto situa-se em uma atualidade de ânimos acirrados e violência social e se propõe a discutir como gênero, raça e sexualidade são abordados por meio da prática da humilhação, como também no sentir-se humilhado, e focará na pesquisa sobre estupro, feminicídio, castigo racial, abandono social, e nos ataques com ácido a mulheres por ex-parceiros.

Identificação, classificação, restauração, catalogação e reconstrução de meteoritos do acervo do Museu Nacional - A pesquisadora Maria Elizabeth Zucolotto pretende reconhecer e catalogar amostras do Sistema Solar, que tem entre 4,5 a 4,6 bilhões de anos. Icônico ao incêndio do Museu Nacional, o Bendegó intacto foi apenas um dos vários exemplares que ali existiam. Muitos, porém, se desintegraram, enferrujaram e se perderam nos escombros. Com este projeto, a pesquisadora pretende resgatar exemplares desta que é considerada a maior coleção de meteoritos do Brasil.

Reconstrução e informatização da Coleção Entomológica do Museu Nacional - Gabriela Jardim dará andamento ao projeto de reconstrução desta coleção, considerada uma das maiores, mais antigas e representativas da América Latina. Com cerca de cinco milhões de espécimes e mais de 3.600 tipos de primatas, a Coleção ficava situada no Palácio São Cristóvão e só não foi totalmente perdida, pois os dípteros estava em outro local. Além disso, a equipe do Museu conseguiu recuperar parte do que havia sido digitalizada.

Fonte: Governo do Estado do RJ

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