RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta a mostra 'DIÁSPORA', do artista brasilense Josafá Neves.


Cartola (Obra da exposição 'Diáspora'/ Foto: divulgação)

Sob curadoria de Bené Fonteles, a exposição reúne gravuras e esculturas de ícones da cultura afro-brasileira, do patrimônio imaterial e de símbolos da religiosidade de matriz africana. Na exposição, pelo olhar poético do artista, o visitante terá a oportunidade de conhecer sobre a influência dos povos negros que ajudaram a dar forma à cultura brasileira.

A palavra “diáspora” vem do grego “dia”, “à parte, separado”; “sopra”, disseminar sementes para que elas cresçam. No sentido contemporâneo, significa “dispersão”, retirada de povos de seu local de origem. Por extensão, deslocamento, normalmente forçado, de grandes massas populacionais. Entre 1500 e 1900, milhões de africanos foram transportados e escravizados em vários continentes. A Diáspora Africana do artista plástico Josafá Neves é assumida, conforme a acepção de Nei Lopes, como o rico patrimônio cultural construído pelos descendentes de africanos no Brasil. Esta visão provocou o artista a criar um grande conjunto de obras, o qual batizou de “ícones da Diáspora Negra no Brasil”.

Esculpidos em madeira estão orixás como Oxóssi, o senhor das florestas, que acolhe o visitante em seu passeio pela mostra; e Xangô, o rei absoluto, senhor da justiça, o orixá do raio e do trovão. Oxalá, com sua sabedoria ancestral, aparece retratado numa pintura em óleo sobre tela. Neste percurso pela afirmação do negro e de sua existência mais profunda, o artista apresenta ainda séries de pinturas em óleo sobre tela e pastel de personalidades fundantes da cultura nacional, como Pixinguinha, Milton Santos, Clementina de Jesus, Cartola, Elza Soares, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Nelson Sargento, Itamar Assumpção, dentre alguns outros. São retratos que fazem alusão à ancestralidade e aos mistérios desde os tempos da escravidão até os dias de hoje.

“Tento resgatar esses nomes para trabalhar a nossa autoestima. Pelos livros didáticos, infelizmente, você ainda não tem referências positivas”, afirma Josafá.

Em outra série, Josafá Neves trabalha visões fortes do transporte de africanos para serem escravizados. Em “Navios Negreiros” estão pinturas nas quais os escravos parecem, algumas vezes, retratados como feras que disputam restos e seres sem identidade.

Apesar de sua aprendizagem autodidata, o artista percorre diversas técnicas, da escultura à gravura, colagem e pintura em óleo sobre tela, óleo sobre tela e pastel e acrílico sobre madeira. E ao invés de utilizar o habitual suporte branco, ele inicia seus trabalhos a partir de um fundo escuro. “Escureço para clarear. É assim que me afirmo como negro na arte”, destaca o artista.

Criados como gravura em ponta seca, estão duas figuras históricas da Diáspora Negra para Josafá Neves: o ator Grande Otelo e o escritor Luiz Gama. Dois painéis em pintura exprimem os patrimônios imateriais da cultura negra no Brasil: “Capoeira”, que apresenta movimentos e golpes dessa arte marcial, e “Terreiro de Candomblé”, uma releitura da tela Festa do pilão de Oxalá, do artista Carybé.

Há, ainda, um grande painel afro-indígena que é resultado das oficinas que Josafá Neves realiza com crianças e professores da educação básica de escolas públicas do Distrito Federal, e com estudantes da Universidade Católica de Brasília. Neste trabalho, o artista visa a valorização da história afrodescendente.

“Depois de cinco séculos da Diáspora Negra, um artista negro, ao contrário da dispersão, reúne numa mostra contundente e forte relatos da redenção de um povo que, junto com os povos indígenas, mais do que cara, deu coração e identidade à nação brasileira: deu-nos alma com arte poética!”, afirma Bené Fonteles – curador da exposição.

Em 2017, a mostra foi apresentada na Caixa Cultural Brasília, onde ficou em cartaz de 24 de março a 14 de maio, e foi considerada uma das exposições com maior número de visitantes. No ano passado, ficou exposta na Caixa Cultural São Paulo entre os meses de outubro a dezembro de 2018, repetindo o grande sucesso de 2017.



Luiz Gonzaga (Obra da exposição 'Diáspora'/ Foto: divulgação)

Sobre o artista
Nascido na cidade do Gama, em Brasília-DF, em 20 de setembro de 1971, Josafá Neves começou a desenhar aos cinco anos de idade nas calçadas e ruas onde morava. Mudou-se para Goiânia com sua família aos sete anos e foi nesta cidade que passou a se dedicar integralmente às artes plásticas, desde 1996. Autodidata, sua pintura tem como peculiaridade as pinceladas negras, as quais expressam com firmeza seus sentimentos em traços distintos.

Artista plástico conhecido internacionalmente, participante de quinze exposições individuais e dezoito coletivas, em cidades como Brasília, Goiânia, Havana/Cuba e Caracas/Venezuela, Josafá Neves acredita que a atividade artística é motivada pelo exercício diário da pintura no seu sentido inédito. A prática da pintura para o artista é de um valor incontestável e efetivo. Preparando as telas de forma paternal e zelosa, peculiarmente pinceladas na cor preta, atinge a emoção dos espectadores em seus 20 anos de dedicação integral ao ofício das artes.

Serviço
Exposição 'DIÁSPORA'
Josafá Neves inaugura exposição em que apresenta visões poéticas de ícones da cultura afro-brasileira
Abertura: 22 de outubro, às 19h
Visitação: 23 de outubro a 22 de dezembro de 2019
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 21h
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro
Endereço: Av. Alm. Barroso, 25 - Centro, Rio de Janeiro – RJ.
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Entrada franca
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

Fonte: divulgação por e-mail

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