DISTRITO FEDERAL, Brasília - Em 1º de março de 1565, Estácio de Sá desembarcou na Baía de Guanabara, onde fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ).


Evento pretende consolidar plano de gestão da candidatura de 19 fortes e fortalezas nacionais a Patrimônio Mundial. Foto: Forte de São João (Créditos: Ruy Salaverry)

Naquele local, entre o Pão de Açúcar e o Morro de São João, ergueu as primeiras paliçadas para enfrentar os franceses. No século seguinte, foi o início da construção da Fortaleza de São João, que durou mais de 200 anos. 

A fortificação, que hoje guarda um Museu Histórico e organizações militares, vai sediar, de 03 a 05 de dezembro, o II Seminário Internacional Fortificações Brasileiras. Com o tema Patrimônio Mundial – Desafios para Gestão do Conjunto de Fortificações do Brasil, o evento irá reunir gestores dos 19 fortes e fortalezas de 10 estados, que integram a candidatura brasileira a Patrimônio Mundial. Com a presença de especialistas estrangeiros, o seminário é uma iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com a Fundação Cultural Exército Brasileiro.

Com a proposta de aprofundar o debate sobre a candidatura das fortificações, o seminário vai trazer modelos de bens seriados reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O italiano Giovanni Cappelluzzo vai tratar sobre as Obras Venezianas de Defesa, conjunto de seis muralhas defensivas em terra e ao longo do Mar Adriático, inscritas na Lista do Patrimônio Mundial desde 2017. A experiência da gestão do conjunto de fortificações da Cidadela de Pamplona, na Espanha, que encanta por sua paisagem e recebe turistas de todo o mundo, será tema da palestra de José Vicente Valdenebro.

O seminário vai tratar de diversos outros sistemas defensivos no mundo, como os fortes e fortalezas de Portugal, além de uma palestra sobre a cidade portuguesa de Elvas, cercada de muralhas seiscentistas. Os gestores poderão conhecer o plano de conservação da Fortificação de San Luís de Bocachica, em Cartagena, Colômbia. Além dos casos de edificações militares que se consagraram como importantes pontos turísticos pelo Brasil, como o Forte das Cinco Pontas, onde fica o Museu da Cidade do Recife (PE), ou o Forte de Santo Antônio da Barra, com seu simbólico farol em Salvador (BA).

Na abertura do seminário, o historiador Adler Homero, especialista do Iphan, irá lançar o volume 4 da série Muralhas de Pedra, Canhões de Bronze, Homens de Ferro. O livro conta a história das 1296 fortificações construídas no Brasil e das operações bélicas do país, enfatizando o papel dos homens que guarneceram as fortificações, e também as estruturas e armamento dos fortes.

Fortes e fortalezas
O Conjunto de Fortificações Brasileiras é integrado por 19 monumentos de significativa importância na definição das fronteiras marítimas e fluviais do país, testemunhos do histórico de ocupação, defesa e integração do território nacional. A expectativa é que o seu reconhecimento seja analisado pela Unesco em 2022, quando se espera que as construções defensivas do Brasil entrem na rota do turismo internacional.

Implantadas pelos europeus no Brasil, as fortificações tiveram origem em um processo de ocupação do território de modo particular, diferenciado das outras potências coloniais. Baseava-se em um esforço descentralizado, a partir de iniciativas dos próprios moradores das diferentes capitanias que formariam a nação, sem maior intervenção da metrópole. Isso resultou na construção de centenas de fortes e fortalezas, por todo o território nacional, edificadas para atender mais a interesses locais do que os da metrópole. A proposta de candidatura apresenta um conjunto de edificações militares, selecionado dentre as mais significativas dentre dezenas de fortificações luso-brasileiras que marcam a delimitação das fronteiras do território nacional.

As fortalezas são grandes edificações militares, com duas ou mais baterias de canhões instaladas em pontos diferentes no interior da construção onde existem vários prédios, torre de observação, entre outras obras. Algumas encantam os visitantes das belas praias e ilhas brasileiras, como a Fortaleza de Santa Cruz, localizada na Ilha de Anhatomirim, em Santa Catarina.

Os fortes são edificações militares menores do que as fortalezas e possuem uma ou mais baterias de artilharia, mas todas instaladas no mesmo local. Algumas fortificações brasileiras desapareceram, ao longo dos séculos, ou delas sobraram apenas ruínas e registros históricos das batalhas ali travadas. Muitos desses monumentos, tombados pelo Iphan, despertam grande interesse dos turistas, estão abertas a visitantes e promovem atividades culturais ou educativas.


Fortaleza de São João, RJ/Acervo Iphan (Foto: Mônica Zarattini)

Conheça o Conjunto das Fortificações Brasileiras
Fortaleza de São José, em Macapá (AP)
Forte dos Reis Magos, em Natal (RN)
Forte de Coimbra, em Corumbá (MS)
Forte de Príncipe da Beira, em Costa Marques (RO)
Forte de Santo Antônio da Barra, em Salvador (BA)
Forte São Diogo, em Salvador (BA)
Forte São Marcelo, em Salvador (BA)
Forte de Santa Maria, em Salvador (BA)
Forte de N. S. de Mont Serrat, em Salvador (BA)
Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói (RJ)
Forte de Santa Catarina, em Cabedelo (PB)
Fortaleza de São João, no Rio de Janeiro (RJ)
Forte de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá (SP)
Forte São João, em Bertioga (SP)
Fortaleza de Santa Cruz da Barra - Niterói (RJ)
Fortaleza de São João - Rio de Janeiro (RJ)
Fortaleza de Santa Cruz de Anhantomirim - Governador Celso Ramos (SC)
Fortaleza de Santo Antônio de Ratones - Florianópolis (SC)

Serviço
II Seminário Internacional Fortificações Brasileiras
Programação
Data: 03 a 05 de dezembro
Horário: 9h às 19h
Local: Fortaleza de São João – Urca, Rio de Janeiro, RJ

Fonte: Iphan

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