ALAGOAS, Maceió - A Fundação Pierre Chalita inaugura, na noite desta terça-feira (10), às 19h, o segundo ato do projeto 'Monção', da artista alagoana Eva Le Campion, com a curadoria de Rafael Almeida.

Esta etapa da exposição reúne uma série inédita composta por pinturas em grandes formatos, fotografias com intervenções de pintura e um videoperformance, na qual a artista explora toda a beleza e a riqueza dos nossos mananciais de água e fonte de vida.

"O homem está destruindo a majestade dos mangues, o silêncio do lugar, a luz verde-azulada da imensidão das águas. Nossa terra sofre encharcada de águas escuras e com os córregos cheios de lixo. Quilômetros e quilômetros de lagoas, rios e mares são agredidos diariamente por toneladas de esgoto, sem o menor tratamento necessário. É como um vômito da sociedade de consumo, enquanto a corrupção e a alienação está refletida nas águas", disse Le Campion.

"Para entender como a população se relaciona entre si num determinado lugar, basta ver como está a natureza em sua volta. O homem precisa recuperar a potência da natureza. Precisamos criar uma nova consciência, novos valores e a integridade de recuperar nossa cultura de raiz. Só assim voltaremos a nos conectar com o que há de infinito e ancestral em nossas veias", completou.

"Monção" tem a cocuradoria de Didi Magalhães e encerra a pauta de exposições do ano da Fundação criada pelo tio da expositora, o artista plástico já falecido Pierre Chalita. É a primeira mostra individual de Eva como artista convidada do espaço e a visitação pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14 às 18h. A entrada é gratuita e todas as obras estão disponíveis para aquisição.


Obra da série 'Expansão Líquida', fotografia sobre canvas, de Eva-Le-Campion (2018)


O primeiro ato do projeto 'Monção'
A exposição dividiu-se até então em dois momentos. O primeiro, realizado em agosto deste ano, foi um manifesto composto por uma instalação conceitual com fotografias e esculturas expostas na sala onde funcionou o necrotério do Museu de História Natural da Ufal (antigo IML).

As fotos denunciavam o lixo encontrado pela artista nas areias da praia e as cerâmicas remetiam a pulmões em agonia. "Nós nos apropriamos da arquitetura espacial na qual os corpos esperavam a autópsia para fazer uma relação de automutilação entre o ser humano e a natureza, já que ao destruir seu habitat natural o homem também está se destruindo", explicou o curador Rafael Almeida.

Sobre Eva Le Campion
Com mais de 30 anos de carreira, Eva Le Campion nasceu na capital alagoana em 16 de abril de 1960. Filha de Edmond Le Campion e Maria José Le Campion Chalita, teve contato com o meio artístico muito cedo devido a veia artística de sua família (sua mãe era artista plástica e seu tio era o famoso pintor alagoano Pierre Chalita.) Durante a adolescência, fez cursos de desenho e pintura no ateliê da Fundação Pierre Chalita (1979) e cursos de especialização na língua inglesa na Bonners Ferry High School e língua francesa na Universidade de Lyon II, na França. Em 1980, formou-se em letras pela Universidade Federal de Alagoas e no ano de 1988, frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Laje, no Rio de Janeiro.

Desde a adolescência, trabalhou em inúmeros projetos sociais na tentativa de resgatar através da arte, famílias, jovens e adolescentes de alto-risco expostos a criminalidade, drogas, violência e prostituição. Em 1999, iniciou um projeto com crianças e adolescentes carentes junto a Cruz Vermelha de Maceió com uma oficina-olaria, onde a artista as ensinava a fazer peças de cerâmica e tecelagem. Nos anos seguintes, Eva participou de diversas exposições coletivas e projetos sociais, dentre eles se destaca o trabalho experimental e lúdico-sensorial com o barro na comunidade do Muquém, em 2010 e sua participação no Projeto Sarar em 2013, onde Eva, através pintura tentava recuperar dependentes químicos internos.

(Texto por Rivis Gomes)

Serviço
Exposição: 'Monção' (segundo ato)
Artista: Eva Le Campion
Curadoria: Rafael Almeida
Cocuradoria: Didi Magalhães
Produção: Ello 8 Design e Galpão 422
Local: Fundação Pierre Chalita
Endereço: Praça Manoel Duarte, 77, Pajuçara, Maceió – AL, CEP 57030-105
Abertura: 10 de dezembro de 2019, às 19h
Visitação: 11 de dezembro de 2019 a 30 de Janeiro de 2020, das 9h às 12h e das 14h às 18h
Mais informações: (82) 98155-6175 - Rafael Almeida
Entrada Gratuita

Fonte: divulgação por e-mail

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