DISTRITO FEDERAL, Brasília - Considerado um dos elementos essenciais para a Festa de Sant´Ana de Caicó, no Rio Grande do Norte, os 'Bordados de Seridó' serão tema da próxima mostra que será inaugurada dia 12 de dezembro pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP-Iphan).


Bordado de Iracema Nogueira Batista (Foto: Acervo Iphan/CNFCP - Francisco Moreira da Costa)

A exposição traz o trabalho das bordadeiras que vivem nos municípios de Timbaúba dos Batistas e Caicó, localizados na parte potiguar da região do Seridó.

Os visitantes poderão conferir conjuntos de lençol, roupas, toalhas, caminhos de mesa, panos de prato e outras variadas peças que estarão à venda na Sala do Artista Popular (SAP). A diversidade da produção também pode ser observada nas cores, que vão do branco ao matizado; nas inspirações da criação, que trazem flores, folhas, frutos e arabescos e, claro, nos tipos de pontos. Já os bordados das roupas, em especial os baseados em ponto richelieu, são marcantes durante a Festa de Sant’Ana de Caicó considerada Patrimônio Cultural do Brasil desde 2010.

Nos eventos religiosos mais solenes da Festa de Sant'Ana, as vestes brancas de grande parte dos fiéis se evidenciam por meio dos bordados, principalmente os de richelieu. Os paramentos litúrgicos da igreja e dos padres também fazem uso desse tipo de adereço. É comum, ainda, que a última veste usada pela bordadeira, no leito de morte – a mortalha – seja feita com bordado, muitas vezes confeccionado por ela própria, em vida.

Os conhecimentos e práticas sociais do bordado são transmitidos de geração a geração e estão enraizados no cotidiano da comunidade, tendo expressiva importância social, simbólica e econômica. No município de Caicó, por exemplo, os bordados dão o ponto na tão tradicional identidade local. Tanto que Caicó carrega o título de terra do bordado, se sobressaindo internacionalmente pela qualidade de seus produtos.

Herança cultural
O ofício, como contam as próprias bordadeiras, remete à herança portuguesa trazida pelas mulheres dos colonizadores no final do século XVII e início do século XX. Os padrões tradicionais do bordado remetem, inclusive, aos da Ilha da Madeira, em Portugal, com flores, folhas e pistilos. Por muito tempo permaneceu como passatempo e forma de demonstrar o cuidado e zelo das mulheres com o lar, mas pouco a pouco foi se tornando fonte de renda, o que impactou na forma de produzir. O bordado, antes feito à mão, passou a ser feito com máquinas de costura, na década de 1940.

Para atender a demanda comercial, também se formou uma rede de pessoas especializadas em cada etapa. Se antes havia apenas a figura da bordadeira, a partir daí as peças passaram a circular pelas mãos da riscadeira, da própria bordadeira, da lavadeira e da passadeira. É todo esse minucioso processo que está por trás do que é exposto nas feiras de artesanato no Seridó, em Natal e em outros pontos do país, nas lojas, no mercado municipal, e agora também na SAP.

Sala do Artista Popular (SAP)
A SAP foi criada em 1983, com o intuito de ser um espaço de exposições de curta duração, voltado para difundir e comercializar as obras de artistas e comunidades artesanais. O catálogo de cada exposição é desenvolvido a partir de pesquisa etnográfica e documentação fotográfica realizada pela equipe do CNFCP. Em decorrência da divulgação e do contato direto com o público, abrem-se oportunidades de expansão de mercado e da produção para esses artistas e comunidades. Desde sua criação já foram realizadas 200 exposições na SAP, sendo Bordados de Seridó a 201ª.

Serviço
Exposição Bordados de Seridó
Inauguração: 12 de dezembro, às 17h
Período: 12 de dezembro a 02 de fevereiro de 2020
Dias e horários:
Terça-feira a sexta-feira, das 11h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h
Local: Sala do Artista Popular / CNFCP
Realização:
Associação Cultural de Amigos do Museu do Folclore Edison Carneiro (Acamufec)
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto de Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan)

Fonte: Iphan

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