SÃO PAULO, São Paulo - Desenho e anatomia sempre andaram juntos, seja por uma vontade da arte de representar seres humanos de forma mais realista, ou por uma necessidade da ciência de documentar seus achados.


Desenho feito pela aluna Caroline Buoso Cones (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Essa relação pode ter se transformado ao longo do tempo, na medida em que novas técnicas e ferramentas foram desenvolvidas, mas nunca deixou de existir. Por isso, o tema ainda é evocado com frequência, como na exposição Desenho & Anatomia que fica até o dia 28 de fevereiro no Museu de Anatomia Humana (MAH) no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

A mostra é resultado da aula Desenho da Figura Humana, ministrada pelo professor Cláudio Mubarac na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. “As aulas foram estruturadas num grande arco, com sessões de modelo vivo e a colaboração do museu e do ICB quando entramos na relação do desenho do corpo com a anatomia”, diz ele. Os trabalhos dos alunos foram produzidos ao longo do segundo semestre de 2019 através da colaboração entre os institutos.

“Nós já havíamos feito incursões pelo museu em algumas outras edições do curso, mas que se limitaram à visita e conversas com professores do ICB”, afirma Mubarac. Segundo ele, a exposição foi possibilitada depois que Paula Gabbai iniciou o pós-doutorado sob sua supervisão, o que acabou o aproximando novamente do museu. “Acabamos tecendo projetos com os professores Edson Liberti e Simone Cristina Motta, além de toda a equipe do ICB, que nos receberam e acolheram nossas ideias”, destaca ele, que também espera que novos projetos possam nascer dessa parceria entre o ICB/MAH e o Departamento de Artes Plásticas da ECA.

De acordo com o professor, a mostra é bem pouco convencional, coloca as obras dos alunos, que também se aventuram no campo do vídeo e da fotografia, para dialogar com algumas peças do acervo do museu que estavam guardadas. “É o estabelecimento de extratos poéticos que a relação de duas áreas de conhecimento, aparentemente tão distantes, pode proporcionar quando se aproximam”, afirma Mubarac. Como exemplo dessa associação ele cita o tratado de anatomia De Humani Corporis Fabrica, de Andrea Vesalius, que tem um grande impacto científico e artístico até hoje.

Ainda segundo ele, a exposição era um desejo antigo, de experimentar pôr em contato os estudos sobre as formas de representação do corpo, esse antigo contrato estabelecido entre cientistas e artistas. “Iria mais longe, do meu ponto de vista, afirmando que a Universidade deveria incentivar mais essas práticas colaborativas, que na verdade estão na origem dos estudos superiores”, diz o professor.

Paula Gabbai, aluna de pós-doutorado de Mubarac, concorda com a necessidade de mostrar essa importante ligação entre ciência e arte. Quanto à mostra, ela diz que, além das ossadas e dos livros de anatomia digitalizados que foram pegos emprestados do acervo do museu, as obras dos alunos também conversam com a exposição permanente do MAH. Isso porque elas ficam ao final do caminho que geralmente é percorrido pelos visitantes. “Depois de ver as técnicas, os exemplos físicos e ouvir as explicações anatômicas, as pessoas podem entender melhor os desenhos quando chegam a eles.”

Sobre os desenhos, Gabbai ressalta a diferença de estilos entre eles. “Além de traços próprios cada um escolhe o que quer representar, uns preferem os ossos, outros os vasos sanguíneos”, conta. Na exposição também estão presentes alguns desenhos de pessoas que não participaram das aulas de Desenho e Figura Humana mas quiseram colaborar de alguma forma. “Alguns alunos de pós-graduação ficaram interessados e entregaram alguns desenhos. Mas até a Suzana Ramos, aluna do ICB que monitora as visitas aqui no MAH, quis deixar seu trabalho.”

A exposição fica em cartaz até o dia 28 de fevereiro no Museu de Anatomia Humana, ICB III – Av. Prof. Lineu Prestes, 2.415. As visitas acontecem de terça a sexta-feira, das 9h às 16h. A entrada é gratuita.


Paula Gabbai, aluna de pós-doutorado em artes plásticas (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Fonte: Jornal da USP - Maria Laura López

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