SÃO PAULO, São Paulo - O Museu Lasar Segall/Instituto Brasileiro de Museus inaugura, no próximo sábado (15), sua primeira exposição temporária em 2020, que vai exibir obras da artista refugiada alemã Gisela Eichbaum.


Garrafas, copo e fruta'. Gisela Eichbaum, 1959. Técnica mista sobre papel, 21,5 X 30,9 cm (Coleção da família da artista)

A mostra está disponível para visita até o dia 18 de maio.

Como Lasar Segall (1889-1957), a pintora e desenhista alemã Gisela Eichbaum (1920-1996), também de origem judia, adotou o Brasil como refúgio após conhecer logo cedo, em solo europeu, a experiência da hostilidade e perseguição.

“Gisela Eichbaum: trabalhos sobre papel 1957 – 1976” apresentará ao público 38 obras da artista refugiada em São Paulo (SP) nos anos 1930, cuja produção está situada no campo do abstracionismo lírico – vertente artística influenciada pelo expressionismo que valorizava o instinto, o inconsciente e a intuição, resultando em imagens com tons e formas vagos e fluidos, com parentesco onírico e musical.

Refúgio e influência
A música, de fato, não era algo estranho a Gisela Bruch Eichbaum: a artista era filha do alemão Hans Bruch e da judia Lene (Hélène) Bruch, ambos exímios pianistas formados pelo prestigioso Conservatório Superior de Música de Colônia (Alemanha). Com a ascensão do nazismo no início dos anos 1930, que proibiu os chamados “casamentos mistos”, o casal refugiou-se no Brasil com as duas filhas (Gisela e sua irmã Maria Luisa). Gisela chega ao Brasil em setembro de 1935.

Em São Paulo, Hans e Lene Bruch atuariam intensamente na área cultural, apresentando-se em recitais e dando aulas de piano. Gisela viria se casar com outro judeu alemão refugiado na cidade e familiarizado com a música: o renomado médico e pesquisador Francisco Eichbaum, excelente violoncelista e parceiro de Gisela, que era também pianista, em concorridos saraus paulistanos frequentados por artistas de renome internacional.

Na década de 1940, Gisela Eichbaum estudou pintura e desenho com Yolanda Mohalyi, Samson Flexor e Karl Plattner. Também integrou o Atelier-Abstração, um dos espaços mais importantes de formação artística na cidade de São Paulo na década de 1950, e frequentou a Escola de Arte Moderna de Nova York (EUA).

A exemplo do que ocorreu com outros artistas atuantes no Brasil em sua época, Gisela Eichbaum sofreu grande influência de Lasar Segall – de quem, curiosamente, seu marido foi médico pessoal. A artista, entretanto, firmou identidade própria na trilha do abstracionismo lírico, sendo aclamada como “pintora musical” e tendo sua obra reconhecida por exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, bienais, salões de arte e premiações.

Obras de transição
Gisela Eichbaum acumulou em mais de 50 anos de trajetória uma farta produção artística, tendo vivido seu pico criativo entre os anos de 1960 e 1980. A maior parte das obras que o público poderá conferir de perto em “Gisela Eichbaum: trabalhos sobre papel 1957 – 1976” pertence às décadas de 1950 e 1960, período em que a artista empreendeu uma transição da figuração para a abstração.

Na exposição preparada pelo Museu Lasar Segall, que acontece no ano do centenário de Gisela Eichbaum, serão exibidos trabalhos menos conhecidos da artista, além de manuscritos, catálogos e outros itens.

Fonte: Texto: Ascom/Museu Lasar Segall - Edição: Ascom/Ibram

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