RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Nos dias 30 e 31, às 17h, acontece o lançamento em DVD do primeiro longa-metragem da jovem realizadora, que mergulha no passado desconhecido do pai, o intelectual Carlos Henrique Escobar. Os dias com ele revela as descobertas e as frustrações ao acessar a memória de um homem e de uma parte importante da história brasileira, a ditadura militar. Carlos Henrique Escobar, autoexilado em Portugal, é filósofo, dramaturgo, poeta, professor e foi um dos intelectuais mais provocativos dos anos 1960 e 1970, tendo sido preso e torturado durante o regime de exceção. Maria Clara é, por sua vez, uma filha que teve um contato distante com o pai e busca sua identidade. 

No texto que acompanha o livreto do DVD, Maria Clara descreve a dinâmica de seus primeiros encontros com ele para a produção do filme. “Eram muitas camadas de negociação acontecendo, e minha reação automática foi levar, clandestina, uma câmera mini-dv que gravou todo o som dessa primeira conversa, na qual ele conta sua história enquanto homem público. Essa mesma relação iria se repetir muitas vezes ao longo do filme. Ele usando a construção das palavras, e eu, o aparato da câmera. [...] Quase nunca se tinha certeza de quando se estava filmando e o que se estava produzindo do atrito. Eu filmava muito, tudo. Ele encenava muito– e assim íamos definindo a talvez única relação possível. O que retrata e o retratado. O que olha e o que é visto. E, por que não, dentro dessa mesma lógica de relação de poderes negociados e apropriação de sua matéria: o que é pai e a que é filha. Repetimos muitas vezes este procedimento; e de maneira estranha, através da repetição, íamos nos aproximando e conhecendo pouco a pouco as armadilhas de cada um e as armadilhas, talvez, em que cada um se encontrava preso.”

Para José Carlos Avellar, coordenador de cinema do IMS, “a redução do equipamento normalmente usado para a realização de documentários (câmera de 16 mm, gravador, microfone, chassis com 10 minutos de película, material de iluminação) a uma única peça, a câmera digital leve e ágil, tem estimulado a realização de filmes sobre o cotidiano de familiares, e o filme de Maria Clara é um bom exemplo disso”.

Os dias com ele foi o grande vencedor da Mostra de Cinema de Tiradentes em 2013, eleito como melhor filme pelo júri oficial e pelo júri jovem, recebeu o prêmio de melhor opera prima no DocLisboa no mesmo ano, menção honrosa na V Semana dos Realizadores, no 35º Festival del Nuevo Cine Latino Americano de Havana e no Festival Internacional de Cine de Murcia, Espanha, entre outros.

Acompanham o DVD o extra Fragmentos de uma conversa sobre Marxismo, depoimento não incluído na montagem final do filme, e um livreto com depoimento da realizadora e introdução crítica de Carla Maia, ensaísta e pesquisadora de cinema.

Os dias com ele está à venda nas lojas dos centros culturais do IMS, na loja virtual www.lojadoims.com.br  e em livrarias.

Preço: R$ 44,90

Sobre a diretora:

Formada na Escola de Cinema Darcy Ribeiro no Rio de Janeiro, ganhou aos 15 anos o prêmio de desenvolvimento de roteiro de longa-metragem do Ministério da Cultura. Dirigiu dois curtas, Domingo e Passeio de Família, participantes de diversos festivais, como o Festival de Cinema de San Sebastián, na Espanha. 

Maria Clara corroteirizou e foi diretora assistente do longa-metragem Histórias que só existem quando lembradas, de Julia Murat, que ganhou mais de 30 prêmios (como melhor roteiro no Fifale 2012 – Rabat, Marrocos), exibido em mais de 35 festivais internacionais e lançado em cinco países.

Com Os dias com ele, seu primeiro longa-metragem documentário como diretora, esteve no Berlinale Talent Campus –DocStation, no Bafici Talent Campus, em Buenos Aires, no Pitching DocMontevideo (onde foi premiada) e no Edinburgh Pitch 2012. O filme ganhou o edital Histórias que ficam, e estreou em 2013 na 16ª Mostra de Cinema de Tiradentes, onde ganhou três prêmios (júri jovem, oficial e prêmio Itamaraty). Foi pramiado também como melhor opera prima no DocLisboa, e recebeu dois prêmios no IV CachoeiraDOC (júri jovem e oficial). Estreou comercialmente no Brasil em 2014 em salas de cinema, e foi licenciado para o Canal Brasil e a TV Brasil.

Maria Clara produziu três episódios para o programa Sala de notícias, do Canal Futura: Silêncio, família; Memórias do audiovisual doméstico eNa fronteira. Recentemente, participou da residência artística Raum, realizada pela produtora Crim, em Portugal.

Atualmente, desenvolve o documentário Casas partidas, coproduzido pela Crim (que produziu o documentário E agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto), que participa do Tribeca Filmmakers Institute e do Lisbon Docs Pitch. Produz também a série documental Comida imigrante, em conjunto com Ester Fér, premiada para desenvolvimento pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e selecionada para o Pitching DocMontevideo, além do docuficção Explode São Paulo, Gil.

Recentemente, o longa de ficção Desterro, selecionado para as residências artísticas MacDowell, Millay Colony, Yaddo Colony, Cine Qua Non Lab, Plataforma:Lab, BrLab e Cinemundi, e premiado para desenvolvimento de roteiro pelo Programa Ibermedia foi contemplado pela Chamada Pública Prodecine 5/2014, e será produzido em 2016.

Ficha técnica:

Direção, som e fotografia: Maria Clara Escobar 

Produção executiva: Paula Pripas

Edição: Julia Murat e Juliana Rojas

Edição de som e mixagem: Ricardo Cutz 

Companhia Produtora: Filmes de Abril

Produtores associados: Aeroplano Filmes, Klaxon Cultura Audiovisual e Ricardo Leite

Com: Carlos Henrique Escobar, Ana Sachetti Escobar, Emilio Sachetti e Maria Clara Escobar

Ano de produção: 2013

Países: Brasil/Portugal

Duração: 107’

Classificação Indicativa: 10 anos

Programação:

Sábado | 30 de janeiro | 17h

Os dias com ele

De Maria Clara Escobar

Brasil, 2013. 107’

Domingo | 31 de janeiro | 17h

Os dias com ele

De Maria Clara Escobar

Brasil, 2013. 107’

Ingresso

R$ 8,00 e R$ 4,00 (meia)

Ingressos disponíveis também em www.ingresso.com  

Disponibilidade de ingressos sujeita à lotação da sala. 

Instituto Moreira Salles

Rua Marquês de São Vicente, 476

Gávea – Rio de Janeiro – RJ

21 3284 7400

Sobre a coleção de DVDs IMS:

A coleção de DVDs do IMS, lançada em 2012, divide-se em três linhas: filmes documentários, filmes de ficção e registros de entrevistas, mesas de debates e conferências organizadas pelo IMS. “Buscamos filmes que sejam especialmente significativos pelo tema ou pela forma narrativa, que se destaquem na filmografia de determinados realizadores”, explica José Carlos Avellar, curador da programação de cinema do IMS e responsável pela coleção de DVDs. “Algumas vezes, vamos em busca de títulos pouco ou nada conhecidos, outras, da revisão de filmes conhecidos para estimular um reestudo deles”, completa. Com esse objetivo, todo DVD da coleção vem acompanhado de um livreto com análises críticas. 

Alguns títulos da coleção IMS: Shoah, de Claude Lanzmann; La Luna, de Bernardo Bertolucci; Cerimônia de casamento, de Robert Altman; Conterrâneos velhos de guerra, de Vladimir Carvalho; Vidas secas e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos; São Bernardo, de Leon Hirszman; O emprego, de Ermanno Olmi; Cerimônia secreta, de Joseph Losey; As praias de Agnès, de Agnès Varda; A pirâmide humana e Cocorico! Mr. Poulet, de Jean Rouch; Diário, de David Perlov; Elena, de Petra Costa; A batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo;Seis lições de desenho, de William Kentridge; Sudoeste, de Eduardo Nunes; Libertários, de Lauro Escorel;Chapeleiros, de Adrian Cooper; Memórias do subdesenvolvimento, de Tomás Gutiérrez Alea; Contatos, a grande tradição do fotojornalismo; e três títulos dedicados à poesia: Ferreira Gullar lê seu Poema sujo, e diferentes artistas leem trabalhos de Carlos Drummond de Andrade em Consideração do poema e em Vida e verso.

 

Fonte: divulgação por e-mail

(Nota do editor: notícia originalmente publicada em 21/01/2016 - 18 visitas até 12:58h)

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31