Renata Abrantes Baracho [1] 
Cátia Rodrigues Barbosa [2] 
César Eugênio de Almeida Martins [3] 

A intenção desse artigo é sinalizar a importância da discussão conjunta das transformações no campo da museologia com as novas tecnologias que atingem a questão da discussão da sustentabilidade. Sustentabilidade é o conceito que guia pesquisas e procedimentos ao longo de todo o mundo visando a melhoria da qualidade de vida.

Paralelamente estamos passando por profundas transformações sociais oriundas das tecnologias com novas formas tanto de agir e de comunicar como também de relacionamento com a infraestrutura. O estudo da sustentabilidade precisa andar de mãos dadas ao estudo das novas tecnologias. Diferentes dispositivos de hardware e software e principalmente de interfaces estão causando transformações em todos os meios de comunicação da sociedade.

O uso de tecnologias em museus perpassa diferentes formas e caminhos. Importante enumerar algumas delas para embasar a reflexão. A primeira reflexão fica em torno do Museu Virtual que complementa a composição do museu na medida em que pode ter diferentes formas de expressão com utilização das novas tecnologias. O Museu pode ser criado de forma virtual com o propósito de ser virtual sem nenhuma intenção de transpor ou referir a um museu existente fisicamente. O museu pode simular museus existentes permitindo passeios e imersões em virtuais utilizando recurso de visitar um museu sem ter que ir ao local, utilizando recursos de processamento digital de imagens e comutação gráfica. A segunda reflexão é a analogia do museu com sistema de informação a partir do momento que sua composição inclui acervos, documentação, banco de dados. A terceira reflexão é o museu como um site, com toda a proposta de arquitetura da informação que possibilita navegar, passear pelo museu além de acessar as informações referentes aos objetos expostos. A quarta reflexão é a utilização das tecnologias nos museus físicos, com a exploração dos recursos de computação gráfica, e sistemas de informação para compor os ambientes e as exposições museais através de simulações. A quinta reflexão são a formas de interação, redes sociais, tablets, celulares que estão tomando proporções incalculáveis de utilização e de participação na vida social de cada indivíduo. Para citar exemplos que podem ser mensurados para dar uma ordem de grandeza à argumentação são trocadas mais de 500 milhões de mensagens por dia; WhatsApp [4] apresenta diariamente 50 bilhões de mensagens através do serviço em todo o mundo, o que faz do WhatsApp o principal mensageiro do mercado; YouTube [5] tem mais de um bilhão de usuários, todos os dias as pessoas assistem a centenas de milhões de horas de vídeo no YouTube e geram bilhões de visualizações, o número de horas por mês que as pessoas assistem no YouTube cresce até 50% por ano, 300 horas de vídeo são enviadas ao YouTube a cada minuto, até 60% das visualizações de um criador de conteúdo vêm de fora de seu país de origem, está localizado em 75 países e disponível em 61 idiomas, metade das visualizações do YouTube é em dispositivos móveis; Facebook [6] com 1.1 bilhão de usuários. O tratamento, a organização e a disponibilização deste grande volume de informação precisa de soluções criativas e inovadoras.

Importante aliar o domínio da tecnologia com os conceitos fundamentais da Museologia para conseguir avanços consistentes e para que a área possa contribuir efetivamente para a sustentabilidade.

Partindo de algumas possibilidades sem ter a pretensão de apontar todas existentes temos o contexto da museologia convivendo com as novas tecnologias.

Com o advento da Internet e das novas tecnologias interativas inseridas no contexto dos museus, percebeu-se a importância de adoptar práticas informacionais compatíveis com a necessidade dos usuários, cada vez mais integrados a uma sociedade da informação, com característica cada vez mais dinâmicas e exigentes. Sendo assim, evidencia-se que os museus devem se adaptar a estas mudanças, aproveitando o potencial da web e dos recursos online como estratégia de estímulo para a formação de novos públicos e para a disseminação de conteúdos ora tratados nos museus.

Neste sentido, muitos museus utilizam das redes sociais não só para informar o e ao público, mas para verificar os níveis de interação e potencialização da própria ferramenta. Tendo um público cada vez mais dinâmico e interativo, os museus ganharam na web um espaço “livre” para suas interações com o público, transpondo questões de tempo e espaço, permitindo aos visitantes virtuais participar como ator central do processo de transferência da informação em que a interação deste com o sistema resultará em novos conhecimentos ou em novas necessidades informacionais, gerando a partir dessa relação um fluxo de mão dupla capaz de permitir a satisfação das necessidades informacionais tanto do sistema de informação quanto do seu público. Neste sentido, ressalta-se a ideia de que:

A existência simultânea de museus físicos e eletrônicos constitui uma marca deste século no âmbito cultural contemporâneo. Embora as funções museológicas sejam as mesmas, no mundo físico e no ciberespaço, os museus apresentam características diferenciadas: os museus no espaço físico apresentam materialidade, ênfase na obra única, permanência, estabilidade, caráter institucional por definição, linearidade, processo de comunicação e transferência de informação unidirecional e assimétrico; tendência à separação dos pólos receptor/emissor. Os museus no ciberespaço se caracterizam pela imaterialidade, ubiqüidade, provisoriedade, instabilidade, caráter não necessariamente institucional, hipertextualidade, estímulo à interatividade e tendência à comunicação bidirecional ou multidirecional. (CARVALHO, p. 84, 2008 apud LOUREIRO, 2003, p. 172).

O desenvolvimento das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TCI) possibilitou uma ampliação do campo de interação e de intermediação entre os usuários e os mecanismos de informação, mais especificamente no que tange os museus virtuais. Ao maximizar essas possibilidades, leva-se em consideração o avanço tecnológico, e a com isso, as diversas funcionalidades que os recursos virtuais permitem.

Outra reflexão sobre Museologia refere-se ao contexto da Ciência da Informação como uma ciência social aplicada, pensada e utilizada para resolver os problemas de ordem prática como o “boom” informacional pós 2ª Guerra Mundial. A Ciência da Informação por ter uma conotação social, de aplicação às questões humanas recebeu influências das diversas ciências dando-lhe um caráter interdisciplinar (CAPURRO, 2003).

O uso das tecnologias estáfocado no ordenamento técnico, bem como nos processos de organização, gestão e recuperação da informação, por outro lado, haverá uma dimensão simbólica, carregado de sentidos e subjetividades, em contrapondo a objetividade do uso técnico.

O museu é capaz de conduzir seu visitante para um mundo “imaginário”, estabelecendo narrativas explicativas conforme uma construção prévia do conhecimento e da memória.

O estabelecimento de canais informativos cada vez mais amplos e abrangentes assume fundamental valor para maximizar a responsabilidade social dos museus. Com isso, o grau de acessibilidade pode fazer da informação que o museu disponibiliza um fator essencial em sua eficiência informacional. A informação, assim como a comunicação, deve ser peça-chave no arcabouço da museologia.

O museu, enquanto unidade de informação tem a responsabilidade de proporcionar meios comunicacionais que maximizem o aproveitamento das propostas educativas e informativas do museu. Sendo assim, a informação museológica torna-se ponto fundamental, e suas atividades devem-se pautar por uma responsabilidade social, em que a relação entre indivíduos e objetos, que depura como resultado o “fato museal” (RUSSIO, 1989), imprescindível no processo de aprendizagem e conhecimento.

A discussão em torno da comunicação para com o público envolve uma contínua reflexão sobre o papel social da própria instituição frente às demandas globais.


[1] Membro do ICOM (CECA-CIMUSET), Pós- Doutorado em Museologia pela UQÀM, Doutora em Museologia pelo MNHN/Paris, Mestre em Educação- UFMG, Coordenadora do Grupo de pesquisa MUSAETEC (UFMG), Profa. adjunta da Escola de Ciência da Informação – UFMG.

[2] Presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB), Membro do ICOM, Doutora em Ciência da Informação ECI/UFMG, Mestre em Ciência da Computação, Arquiteta - Bacharel em Ciência da Computação, Profa. adjunta da Escola de Ciência da Informação – UFMG.

[3] Doutorando em Ciência da Informação do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação - PPGCI – Escola de Ciência da Informação – UFMG.

[4] http://www.tecmundo.com.br/mensageiros/49318-volume-de-mensagens-trocadas-diariamente-pelo-whatsapp-supera-sms.htm.

[5] http://www.youtube.com/yt/press/pt-BR/statistics.html.

[6] https://pt-br.facebook.com


Referências Bibliográficas

  • BARACHO, R. M. A.; BARBOSA, Cátia Rodrigues. O objeto museal em diferentes contextos emídias. Em Questão (UFRGS. Impresso), v. 17, p. 197-210, 2011.
  • CAPURRO, Rafael. Epistemología y ciencia de lainformación. In: V Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação. Belo Horizonte, Brasil, 10 de Novembro de 2003.
  • CARVALHO, R. M. R. de. Comunicação e informação de museus na Internet e o visitante virtual. Museologia e Patrimônio, [Rio de Janeiro], v. 1, n. 1, p. 83-93, jul./dez. 2008. Disponível em: <http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=186807>. Acesso em: 14 nov. 2011.
  • MACHADO, Rute. O Museu Virtual: as novas tecnologias e a reinvenção do espaço museológico. In: CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO EM CONGRESSO NA COVILHÃ, 1, 2004, Covilhã. Atas... Covilhã: Universidade da Beira Interior, 2005. Disponível em: Acesso em: 5 maio 2012.

 

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