Rui Mourão 

A instituição museu tornou-se nos tempos atuais, um centro de difusão cultural de transcendente importância. Ele atua junto a aglomerados humanos de formação mediana, quando não elevada, sendo em consequência de real possibilidade multiplicadora. Seu potencial educativo é incontestável. Não é por outra razão que vai se impondo universalmente como instrumento civilizatório cada vez mais considerado. Acompanhando a evolução da modernidade do mundo, passou a conviver além do mais com a alta política. Não aquela que diz respeito à disputa por poder no comando da sociedade, mas a que trabalha para a orientação dos povos na sua marcha em direção a seus destinos mais convenientes e mais dignos.

Os museus já superaram a fase em que eram julgados apenas em função da sua mostra de longa duração, seu lado tradicionalmente admitido como totalidade pelo público que os visita, devido a sua presença objetiva. Isso começa a ficar distante. As unidades que alcançaram nível superior de desenvolvimento são contempladas com atividades de toda ordem, envolvendo exposições temporárias, programas educativos permanentes ou circunstanciais, desdobramentos de sua temática através de conferências ou seminários, artigos difundidos em publicações próprias ou não.

Como devem ser entendidos como agentes de vanguarda para o aperfeiçoamento humano e o viver em sociedade, essas casas especializadas não só podem como devem – como têm obrigação de – abrir ao máximo o seu campo de atuação, mesmo quando aparentam extrapolar seus limites mais reconhecíveis, para manter fidelidade a sua destinação maior, de levado sentido. A ciência museológica, se não ultrapassar o limite vulgar de compreensão do seu objetivo, ficando limitada ao exame da expografia de peças num ambiente de visitação, não será capaz de entender a completa grandeza da realidade do todo, que está exigindo dela amplitude de compreensão.

Pensando dessa maneira é que entendemos, a família museológica, na sua totalidade, tem plenas condições de atuação e está no dever de corresponder ao chamamento internacional para se posicionar em defesa de um planeta sustentável. Até o momento, apenas duas das nossas unidades – o Museu da Inconfidência, que iniciou uma campanha de reciclagem do lixo e defesa das águas, e o Museu da República, que vem lutando para a correta preservação do seu magnífico jardim palaciano – já se lançaram por esse caminho. É muito pouco, quando as estatísticas estão anunciando, o universo museológico brasileiro ultrapassou a casa dos três mil.

A encruzilhada em que nos encontramos é de tal seriedade que não pode dispensar nenhuma contribuição, por modesta que seja. As mudanças climáticas ocorridas neste ano de 2015, tão vastas e tão surpreendentes, parecem ter chegado como um aviso. Os cientistas que vêm relacionando o fenômeno com o desenvolvimento material desordenado e irresponsável que afronta a natureza, estão a exigir, cada vez de maneira mais enfática, mudança de comportamento da sociedade. Se cada pessoa dos bilhões que povoam a terra fizer alguma coisa, nessa escala é que o resultado final se contará.

Haverá como o capitalismo se tornar mais ameno? Para mim, o cerne da questão se encontra aí. O mundo da idade moderna em que vivemos acabará sendo obrigado a repensar seus fundamentos. Que os museus não deixem de participar desse esforço de introspecção da humanidade que em dia e hora fatalmente acontecerá é a minha esperança.

 

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