18 Maio 2021 - Dia Internacional dos Museus

Juliana Vellozo Almeida Vosnika [1] 

Tomara que um dia possamos dizer que estamos na Era Pós-Covid. Embora mais de um ano já tenha se passado desde o início da pandemia, ainda estamos aprendendo a conviver com o novo e desafiador cenário.

Em todos os setores, pessoais e profissionais, surgiram novos protocolos e novas necessidades. Ainda não é o momento de fazer afirmações. Estamos no meio de um processo sem saber aonde nos levará. Sem dúvidas, o mundo hoje é outro e, obviamente, os museus também.

Podemos refletir sobre as profundas transformações que ocorreram nos últimos meses. A comunicação dos museus, que até então tinha um caráter informativo, passou também a ser fonte de experiência e inspiração.

Nada substitui a visita presencial, principalmente aos museus de arte, nos quais o corpo do visitante e seu deslocamento pelo espaço estabelecem relações diversas com as obras. Sabemos que a implicação dos sentidos é totalmente diferente ao estarmos presencialmente diante de uma escultura de arte contemporânea, por exemplo, e de apenas vê-la numa fotografia ou vídeo. Portanto, o desafio da comunicação é imenso ao tentar tornar as experiências remotas o mais sensoriais possível.

Desde o início do ano passado, num esforço conjunto, os museus reforçaram suas plataformas digitais e passaram a oferecer incontáveis opções online. Exposições, oficinas, mediações, conversas com artistas e curadores se transformaram em novas versões virtuais. Mas isso é suficiente? Sabemos que não. Soluções criativas são urgentes e ainda estamos no caminho para encontrá-las.

No mundo digital, uma obra não reflete a imagem da sala, a perspectiva é outra, uma escultura não dá a dimensão exata em 3D e a oficina não nos permite a troca de experiências em tempo real com os outros participantes e educadores. A arte é totalmente sensorial e a vivência do espaço físico do museu é insubstituível.

Isso tudo fez com que a comunicação dos museus precisasse se reinventar muito mais do que qualquer outro setor. E alguns resultados positivos já podem ser mensurados.

Como exemplo, ações que eram exclusivamente presenciais antes da pandemia (como oficinas artísticas e programas voltados a públicos específicos, como pessoas com mais de 60 anos) passaram a alcançar um público muito maior, chegando a aumentar a participação de pessoas de outros países. Isso é muito gratificante e motivador, nos permite cumprir, diante de todas as dificuldades, a missão maior de um museu que é a de democratizar a arte.

Também é visível a valorização, por parte do público, da oportunidade da presença física no espaço do museu, quando ela é permitida. Se, em tempos pré-pandemia, muitas vezes a quantidade superava a qualidade, agora, a cada possibilidade de reabertura, percebemos um comprometimento maior do visitante. Antes da visita, na maioria das vezes, o público já acessou as exposições e ações de maneira remota, o que lhe confere mais informações antecipadas, melhorando a qualidade da visita. Uma vez no museu, nenhum minuto é desperdiçado.

A possibilidade de estar presente no espaço físico nunca foi tão valorizada. Isso pode ser considerado um ganho irreversível gerado por este período tão delicado que atravessamos.


[1] Diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer (MON)


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