18 Maio 2021 - Dia Internacional dos Museus

Recuperar e Reimaginar

Celia Maria Corsino [1] 

Os dois temas colocados para a edição comemorativa dos vinte anos da Revista MUSEU na verdade podem ser entrelaçados. Temos a certeza de que nada será igual depois do período de pandemia que estamos vivendo, inclusive no contexto museológico, com abre e fecha de museus, o público afastado das atividades presenciais e de certa forma o medo do retorno as atividades de lazer, principalmente no cenário de mais de 400.000 mortes e vinte milhões de infectados.

Na era pós-covid, os Museus terão que se reimaginar, refazer e repensar suas práticas de acolhimento ao público e de comunicação. Não bastará desinfetar e abrir as portas com protocolos de distanciamento e segurança e ter as mesmas práticas de acolhimento. O público, forçado pelo isolamento, interagiu durante este ano e meio com informações e atividades virtuais, antes não consideradas ou não realizadas pela falta de equipamentos, recursos de conexão e profissionais específicos. Tivemos que enfrentar os desafios com armas improvisadas, mas que aos poucos tomam corpo real e consistente.

Se a comunicação nos Museus já era um fator essencial, até para que pudessem exercer a missão e objetivos através das exposições de longa duração e temporárias, este período de isolamento nos ensinou que, definitivamente, os museus podem estar perto de seus “visitantes” sem estarem abertos, podem transmitir suas mensagens e “expor” seus acervos de forma virtual e que esta forma de apresentação faz com que os olhares e interpretações sejam múltiplas e a participação do público bastante efetiva seja em lives e apresentações virtuais ou simplesmente em visualizações e curtidas das redes sociais. Os questionamentos vêm à tona e as oportunidades de acesso são muito maiores e efetivas pois que não há custo de deslocamento. De alguma forma o museu foi parar na mão do cidadão.

É claro que os acervos, expostos em salas fechadas de exposição ou em reservas técnicas, vêm sofrendo com o afastamento de seus conservadores, curadores, mas, medidas de emergência e protocolos, sejam nacionais e internacionais, logo foram elaborados para minimizar estes impactos. Uma corrente internacional se formou para estudar as possibilidades de ação e inovação na área dos acervos. Assim como, oportunidades foram criadas para recuperar e digitalizar informações importantes que estavam, de certa forma, inacessíveis ao grande público. No Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro, por exemplo, todas as informações constantes nos grandes livros, ainda manuscritos, onde está registrada a enorme coleção de paleontologia foram digitalizados possibilitando o acesso imediato das informações sobre os itens da coleção e a identificação de rumos para uma gestão de acervo mais eficiente. Neste segundo ano as informações, agora acessíveis remotamente, possibilitam a equipe técnica trabalhar a distância fazendo a consistência dos dados. complementando as informações e realizando pesquisas complementares. Neste contexto a identificação de novos itens segue prejudicada, mas oportunidades estão sendo criadas para a difusão das informações sobre a coleção e a disseminação do conhecimento científico no contexto de uma ação de comunicação mais assertiva principalmente nas redes sociais.

Acredito que este é o desafio: acrescentamos definitivamente a dimensão virtual na comunicação museológica e não há volta. Aprendemos neste tempo e ainda estamos descobrindo maravilhosas e alternativas formas de comunicação com o mundo pois que o ambiente virtual projeta as ações dos museus para o mundo. O intercâmbio entre museus, se ontem era realizado basicamente com exposições itinerantes ou residências técnicas, hoje está se desenvolvendo para plataformas cooperativas e fortalecendo redes.

Creio que esta é a tendencia dos museus no futuro – forte trabalho inclusivo, redes cooperativas de museus, comunicação direta e global. O desafio é alinhar os museus nesse novo normal e conseguir equilibrar as ações de comunicação para o atendimento a este público virtual e globalizado com as ações tradicionais dos museus. Caíram as paredes dos museus! E eles se apresentam ao mundo na casa ou na palma da mão do cidadão visitante. Estamos prontos para responder a este desafio?


[1] Museóloga, especialista em Administração de Projetos Culturais pela Fundação Getúlio Vargas, diretora de identificação e documentação do Iphan (1996–2002), membro do GTPI – Grupo de Trabalho do Patrimônio Imaterial (1998–2000), diretora do patrimônio imaterial do Iphan (2011–2015), superintendente do Iphan em Minas Gerais (2015–2019), superintendente de bibliotecas, museus, arquivo e equipamentos culturais da Secult – MG (2019–2020) e atualmente coordenadora museológica do Museu de Ciências da Terra CPRM/SGB. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. .


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