18 Maio 2021 - Dia Internacional dos Museus

Maurício Vicente Ferreira Júnior [1] 

A crise pandêmica provocada pela Covid-19 produziu um desastre sem precedentes na história mundial recente. E o mundo, que procurava enfrentar o impacto do advento da crise, passou a sofrer efeitos ainda mais danosos impostos pelo prolongamento desta.

Para mitigar a catástrofe deste ambiente de crise sem fim, governos, universidades, instituições e entidades do campo organizacional dos museus têm implementado políticas e elaborado uma série de instrumentos em forma de protocolos, recomendações e orientações [2]. Os documentos são unânimes quanto à necessidade de adoção de medidas que garantam a integridade física dos profissionais, das coleções e dos acervos sob a responsabilidade das instituições museológicas. Assim, temas como conservação, gestão e segurança têm sido recorrentes e revisitados diuturnamente na administração dos contratos de serviços de natureza contínua, na incorporação de novas rotinas, na elaboração e implementação de protocolos sanitários, na aquisição de insumos e no treinamento permanente das equipes.

De forma bastante assertiva, os instrumentos avaliam não apenas as condições atuais, como também recomendam a adoção de procedimentos para orientar o pós-crise, como, por exemplo, as medidas de segurança de público, ainda impossibilitado de visitar os museus de forma presencial. E, se considerarmos que as condições materiais para a mitigação da crise já estão postas na medida em que potencializamos a nossa atuação, somos levados a buscar lições do momento atual. No caso do Museu Imperial, um importante aspecto a ser considerado é o envolvimento consciente da sociedade civil. O apoio recebido da comunidade petropolitana, que esteve impossibilitada de frequentar os jardins do Palácio Imperial de Petrópolis durante meses a fio, tem sido um diferencial, assim como o engajamento dos permissionários habilitados a explorar, mediante contratos celebrados após realização de processos licitatórios, espaços de uso comercial nas dependências do Museu Imperial, como a loja de souvenirs e a Casa de Chá, administradas pela Sociedade de Amigos do Museu Imperial (Sami) e pelo Duetto´s Café, respectivamente. E, quando insumos fundamentais foram necessários para a reabertura dos jardins à visitação presencial, o banco de investimento BTG Pactual fez a doação de 40 (quarenta) totens de álcool em gel por meio do projeto #Numerosqueimportam, que suporta ações e iniciativas de combate à Covid-19.

Ainda durante os primeiros meses da pandemia, a equipe do Projeto de Digitalização do Acervo do Museu Imperial (Projeto Dami) detectou situações interessantes para nossa reflexão. Em primeiro lugar, a óbvia migração de público para o ambiente virtual.

Quadro 1: Estatísticas do Projeto Google Arts & Culture – 2020

Museu Imperial, 2020. Google Arts & Culture.Museu Imperial, 2020. Google Arts & Culture.

Ao observarmos as estatísticas do Projeto Google Arts&Culture [3] para o ano de 2020 (Quadro 1), observamos um total de 383.032 visualizações, número bastante significativo se considerarmos o recorde histórico registrado em 2019, quando 446 mil pessoas visitaram presencialmente a instituição. Conferindo a coluna 1 do quadro, vamos perceber também uma variação de 386 para 2.723 visitas à página inicial do Museu Imperial no período de fevereiro a março. Porém, ao compararmos com os números dos meses de fevereiro e abril, vamos encontrar um incremento da ordem de 18 vezes do número de ocorrências, passando de 386 para 7.119. E, mesmo com um decréscimo ocorrido após o mês de maio, quando foi registrado o pico do número de ocorrências, a visitação manteve-serelativamente alta por todo o ano. Já a coluna 3, correspondente aos registros de visualizações de itens específicos das coleções históricas e artísticas, indica um total/ano de 175.002 ocorrências de visualizações individualizadas, embora o item mais visitado tenha sido visto 19.079 vezes, ou seja, menos de 11% do total.Da mesma forma que as ocorrências de visualizações das páginas das três exposições disponibilizadas na plataforma, a saber: “Os costumes da corte e das elites em Debret”, “Paisagem Petropolitana” e “O simbolismo no traje majestático usado pelo imperador d. Pedro II” (coluna 2) e do Tour Virtual pelo Palácio Imperial de Petrópolis (coluna 4) permaneceram constantes por todo o período. Assim, percebemos que o público não apenas migrou para o Museu Imperial virtual, como percorreu praticamente todas as páginas disponíveis para visitação.

Quadro 2: Estatísticas do Projeto Google Arts & Culture – 2021

Museu Imperial, 2021. Google Arts & Culture.Museu Imperial, 2021. Google Arts & Culture.

O Quadro 2, relativo aos quatro primeiros meses de 2021, ainda não nos permite avançar nas reflexões, embora sugira uma consistência dos indicadores da coluna 3, referente aos registros de visualizações de itens específicos das coleções históricas e artísticas. Contudo, cabe ressaltar que não foram feitas novas inserções de dados no Projeto Google Arts & Culture nos exercícios 2020 e 2021. Por outro lado, a equipe do Museu Imperial buscou diversificar a estratégia de comunicação virtual com o público, ampliando seus canais e plataformas, promovendo inserções no TikTok, Facebook, Instagram. Os resultados de ampliação das mídias sociais serão tabulados no decorrer deste exercício para que a instituição possa melhor conduzir seu plano de comunicação com o público, incorporando novas demandas e descobrindo novas formas para a absorção de vontades, participações e expectativas oriundas da consciência cidadã do povo brasileiro.


[1] Diretor do Museu Imperial – Ibram – SECULT – Mtur.

[2] O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) disponibilizou os seguintes documentos e pesquisas em seu portal: ICOM: Museos, profesionales de losmuseos y Covid-19: resultados de laencuesta; ICOM: Museus e o fim da quarentena: como garantir a segurança do público e das equipes; ICOM-BR Recomendações do ICOM Brasil em relação à Covid-19,carta sobre conservação, gestão e segurança de acervos; proteção de profissionais e atuação de instituições museológicas, arquivísticas e bibliotecas em tempos de Covid-19; ICOM-BR: Museus e o fim da quarentena: como garantir a segurança do público e das equipes; UNESCO: Museums around the world in the face of Covid-19; Ibermuseus: Fechado pelaCovid-19? Guia prático para gestores de coleções patrimoniais que estão fechadas a curto prazo devido a uma epidemia ou pandemia; Secretaria de Cultura (México): Guia básico para a reabertura dos espaços culturais; Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB): Impactos da Covid na Economia Criativa; Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM-SP): Conectividade nas instituições museais paulistas; Revista Select: Trabalhadores da arte.

[3] A parceria entre o Instituto Brasileiro de Museus e o Google visa promover os museus brasileiros e seus acervos por meio da digitalização em alta resolução de itens dos acervos nacionais e sua disponibilização no portal do projeto Google Arts&Culture. Como resultado, os museus da rede Ibram e dezenas de outras instituições passaram a integrar uma ação que envolve 180 instituições culturais de 42 países. Para mais informações: https://artsandculture.google.com/


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