Dia Internacional dos Museus 2022

Juliana Vellozo Almeida Vosnika [1] 

Museus mudam pessoas e pessoas mudam o mundo. O poder dessas instituições está na oferta de aprendizagem, democrática e inclusiva, que pode fortalecer o repertório das pessoas e a mentalidade de uma sociedade.

O tema escolhido neste ano pelo Conselho Internacional de Museus (Icom) é apropriado e inspirador. Durante a pandemia, o poder dos museus foi reafirmado. Todos atravessamos um imponderável cenário e chegamos aqui, em 2022, modificados: pessoas e instituições.

Mais do que nunca, a arte tem sido fonte de inspiração numa fase de reconstrução – individual e coletiva. É importante nos reconectarmos àquilo que é essencial para cada um de nós e a arte contribui nessa busca interna. Dentro de um museu, determinadas obras de arte nos levam a uma imersão que nos conecta à nossa própria realidade.

No caso do Museu Oscar Niemeyer, essas possibilidades se multiplicaram recentemente. Os últimos anos foram desafiadores, mas paradoxalmente também consolidaram o expressivo incremento da coleção que quintuplicou de tamanho, indo de 3 mil às atuais mais de 14 mil obras do acervo.

Isso aconteceu principalmente graças à viabilização de vultosas doações que escolheram o MON por suas condições técnicas, por sua capacidade de gestão e pela credibilidade da instituição. No ano passado, 1.700 obras africanas adquiridas ao longo de mais de 50 anos pelo casal Ivani e Jorge Yunes, detentores de uma das maiores coleções de arte do Brasil, foram doadas ao Museu. Fazem parte desse conjunto: máscaras, esculturas, bustos e cabeças de bronze, miniaturas metálicas, objetos do cotidiano e instrumentos musicais. As obras têm origem em países como Costa do Marfim, Mali, Nigéria, Camarões, Gabão, Angola, República Democrática do Congo e Moçambique, entre outros.

Recentemente, em 2022, 4.500 obras do genial artista Poty Lazzarotto (1924-1998) foram incorporadas à coleção do MON graças a outra importantíssima doação, a maior já recebida pela instituição. São mais de 3 mil desenhos e 366 gravuras, além de tapeçarias, entalhes, serigrafias e esculturas, entre outros.

Desde 2018, o MON já conta em seu acervo com a mais significativa coleção asiática da América Latina – quase 3 mil obras de arte da Ásia, oriundas de vários países daquele continente, doadas ao Museu pelo diplomata e professor Fausto Godoy.

Essas doações ratificam o nosso trabalho e nos fazem ter a convicção de estarmos no caminho que leva à democratização da arte. Entendemos que o acervo é a alma de um museu, seu espaço vivo, portanto, sua ampliação e consolidação estão entre os focos principais de nosso esforço.

A ampliação recente do acervo do MON também é resultado do Programa Sou Patrono, um movimento pela valorização da cultura e da arte, criado em 2015 e abraçado por pessoas singulares que entendem a importância da arte e apoiam seu desenvolvimento.

Mais do que o apoio financeiro, nossos patronos fazem parte ativamente do dia a dia do Museu, participando de diversas atividades exclusivas que valorizam e fazem crescer ainda mais o sentido de pertencimento a esse equipamento cultural de suma importância para a arte do País.

Museus são importantes instrumentos de preservação da memória cultural de um povo. Se no início eram locais seletivos, frequentados apenas pela elite cultural, hoje cada vez mais o desafio é fazer o caminho inverso. Os museus consolidam sua força ao receberem e incluírem todos os públicos sem distinções. São lugares de conexão entre passado, presente e futuro, com a missão de colecionar e expor. Mas também, de maneira educativa, museus são espaços que proporcionam experiências transformadoras e diálogos entre público e arte.

Estar à frente do MON, maior museu de arte da América Latina, é um desafio, mas algo recompensador. A instituição tem o poder de interferir diretamente na vida das pessoas, aumentando o conteúdo, instigando na busca pelo novo ou simplesmente levando a reflexões sobre temas diversos.

A principal motivação é contribuir para uma sociedade melhor ao oferecer arte e cultura de qualidade ao maior número de pessoas. O poder dos museus, longe de ser algo consolidado, é construído dessa maneira, todos os dias.


[1] Diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer.


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