BRASIL, Rio de Janeiro - O Festival de Veneza - mostra de cinema mais antiga do mundo – deu partida nessa quarta feira (1º) com a estreia mundial de “Madres Paralelas”, de Pedro Almodóvar, uma das celebridades que prestigiam esta 78ª edição


Pedro Almodóvar (Crédito: Divulgação)

Tendo como pano de fundo os efeitos da guerra civil na Espanha dos anos 1930, o filme segue Janis (Penélope Cruz), que se encontra com Ana (Milena Smit) em um hospital. Ambas estão ali para dar à luz, são solteiras e não planejaram a gravidez. Ana, saindo da adolescência, está temerosa e assustada, diferente de Janis, de meia-idade, que está exultante e tenta encorajar a jovem. As poucas palavras que trocam nessas horas criam um vínculo estreito que se complica e muda decisivamente suas vidas.

Na coletiva de imprensa, o diretor – acompanhado de Penélope – disse que para esse filme quis falar nas mães imperfeitas.

“Desde o roteiro, eu decidi que o filme seria um drama tenso e contido, difícil de interpretar e com uma protagonista que talvez não seja um modelo de comportamento, mas que me atraiu justamente por isso. A intenção era focar naquelas que são questionáveis ou que, ao menos, atravessam períodos muito difíceis”, explicou.

“Simplesmente porque as mães anteriores que retratei em meus filmes eram mulheres poderosas, inspiradas em minha própria mãe e nas figuras femininas que me criaram”, ressaltou o autor que, entre outros, aborda o tema em “Tudo sobre Minha Mãe” (1999) e “Volver” (2006), ambos também estrelados por Penélope Cruz (“Madres Paralelas” é o sétimo filme que ela faz com Almodóvar).

Reconhecendo a complexidade da personagem de Penélope em “Madres Paralelas”, acrescentou: “Quanto mais complexa ela fosse, mais me interessava porque representava uma novidade para mim como diretor”.

Penélope complementou: “Foi uma das personagens mais difíceis que interpretei e estava ciente disso, ainda mais nesses tempos que estamos vivendo. Mas não foi algo que me fez temer. Tive meses de ensaios com ele, um dos poucos diretores do mundo que dedicam tanto tempo à sua equipe e principalmente aos seus atores”, elogiou. “Fiquei honrada de ter tido a oportunidade de fazer parte de algo tão especial e tão importante. Foi um presente que Pedro me deu”, concluiu.

“É um tema sobre a identidade. O filme fala de uma verdade pessoal e de uma verdade histórica – de ancestrais e descendentes”, resumiu o cultuado cineasta que, mesmo trazendo um viés diferente na abordagem do tema, mantém sua inconfundível assinatura.

O festival, que ano passado, mesmo no contexto da pandemia, decidiu manter sua edição, segue em 2021 a mesma forma presencial com medidas rígidas de segurança, locais reservados, uso de máscaras, além do passaporte sanitário.

Ao contrário, no entanto, de 2020, que teve uma programação mais enxuta e pouca presença de nomes famosos, esta edição está repleta de grandes autores. Além de Almodóvar, disputam o Leão de Ouro nomes renomados como o americano Paul Schrader (The Card Counter), a neozelandesa Jane Campion (The Power of the Dog) e também sul-americanos como o chileno Pablo Larraín (Spencer) e os argentinos Gastón Duprat e Mariano Cohn (“Competencia Oficial”), estrelado por Antonio Banderas, sobre um rico empresário que contrata um famoso cineasta para ajudá-lo a fazer um filme de grande sucesso.

Como havia antecipado Antonio Barbera, diretor do evento, é como se a pandemia tivesse estimulado a criatividade e o nível dos filmes.

“Estamos celebrando o reinício do cinema e torcendo para que seja a hora certa”, ressaltou Barbera à frente do festival desde 2012.

Fonte: Jornal do Brasil - Myrna Silveira Brandão

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