PORTUGAL, Lisboa - O IndieLisboa divulgou nessa segunda feira (6) os vencedores de sua 18ª edição, marcando o retorno do evento às salas de cinema e com sessões ao ar livre


A camaronesa Delphine em 'Les Prières de Delphine' (Foto: Rosine Mbkam)

Os prêmios privilegiaram enredos relacionados com questões raciais, imigração, inseguranças na ambiência do trabalho, empoderamento, feminismo, conflitos, enfim retratos que fazem parte do mundo atual.

O Grande Prêmio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa foi para Les Prières de Delphine, da camaronesa Rosine Mbakam. O documentário, que traz uma reflexão sobre posicionamentos, classes e imigração, é sobre uma jovem pertencente à geração de mulheres africanas destruídas pelas sociedades patriarcais. “Elogiamos a cuidadosa mise-en-scéne e cinematografia desta poderosa obra de Mbakam”, destacou o júri na justificativa para o prêmio.

“No Táxi do Jack”, de Susana Nobre, foi o melhor longa-metragem português. O filme, que teve estreia mundial em Berlim/2021, aborda determinada parte da sociedade portuguesa que emigrou durante a ditadura e regressou à pátria ao fim de décadas.

O Prêmio Especial do Júri Canais TVCine foi para “The Inheritance”, de Ephraim Asili (EUA). O longa cria um espaço para a reunião de vozes, histórias e práticas artísticas da libertação negra.

O prêmio de melhor realização para um longa-metragem Português foi conquistado por Marta Souza Ribeiro com ”Simon Chama”. A estreia de Marta na direção conta a história de um menino de cinco anos que precisa enfrentar a separação dos pais.

Laura Carreira ganhou o Prêmio Novo Talento The Yellow Color, com “The Shift” que trata sobre o desespero e crueldade da segurança no mundo do trabalho.

O Melhor Curta-Metragem de Ficção foi para “Come Here”, de Marieke Elzerman (Bélgica), que recebeu um forte elogio do júri no final do texto da justificativa para a concessão do prêmio: “... além de tudo, pela nossa sincera esperança de que esta cineasta continue a criar”.

Principais prêmios
Grande Prêmio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa: Les Prières de Delphine, de Rosine Mbakam
Melhor Longa-Metragem Português: No Táxi do Jack, de Susana Nobre
Especial do Júri Canais TVCine: The Inheritance, de Ephraim Asili (EUA)
Melhor Realização para um Longa-Metragem Português: Simon Chama, de Marta Souza Ribeiro
Novo Talento The Yellow Color: The Shift, de Laura Carreira
Melhor filme da Mostra Novíssimos: Hunting Day, de Alberto Seixas (Portugal)
Melhor Longa-metragem da Mostra Silvestre: By the Throat, de Effi & Amir (Bélgica)
Anistia Internacional: Radiograph of a Family, de Firouzeh Khosrovani (Irã/Noruega/Suiça)
Melhor curta-metragem de ficção: Come Here, de Marieke Elzerman (Bélgica)
Melhor curta-metragem de Animação: Thank you, de Julian Gallese (Reino Unido)
Melhor curta-metragem de Documentário: À La Recherche D’Aline, de Rokhaya
Marieme Balde (Suiça / Senegal)
Dolce Gusto para melhor Curta-metragem português: O que Resta, de Daniel Soares
Grande Prêmio de Curta-Metragem: Keep Shiftin’, de Verena Wagner
Audiência para Longa-Metragem: Au Coeur Du Bois, de Claus Drexel (França)
Audiência para Curta-Metragem: T’es Morte Hélène, de Michiel Blanchar (Bélgica)


Joaquim Veríssimo em 'No Táxi do Jack' (Foto: Susana Nobre)

Tradição
Embora as dificuldades impostas pela pandemia, o festival apresentou uma programação de qualidade com 276 filmes, divididos em nove mostras e sessões especiais.
A começar pelo título de abertura, o ótimo “Summer of Soul”, de Ahmir “Questlove” Thompson, um resgate do lendário Festival Cultural Harlem (1969), que celebrou a música afro-americana com nomes como Stevie Wonder e Nina Simone, e cujas imagens ficaram esquecidas numa caverna durante mais de 50 anos.

Entre os destaques das competitivas, foram incluídos títulos como “No Táxi do Jack”, de Susana Nobre – o melhor longa-metragem português – e “Nous”, da francesa Alice Diop, ambos mostrados com muito sucesso em Berlim 2021.

O festival também apresentou uma retrospectiva da magistral obra da cineasta Sarah Maldoror, pioneira do cinema africano, além de uma mostra com clássicos de consagrados diretores, como Stanley Kubrick, Luchino Visconti, François Truffaut, entre outros.

Brasileiros
Embora não tenha estado na mostra oficial, o Brasil esteve bem representado, valendo destacar a seleção para a paralela Director’Cult, de “O Amor Dentro da Câmera”, de Jamille Fortunato e Lara Beck, sobre o romance de 60 anos do cineasta Orlando Senna e Conceição Senna, mesclando fatos do audiovisual brasileiro e latino-americano nesse período.

Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO BRASIL, a diretora havia explicado o viés espontâneo que adotou para a dualidade que queria expor no documentário. “Foi esse caminho que nos ajudou a equilibrar assuntos como memórias de vida e acontecimentos históricos relevantes do cinema brasileiro”, ressaltou Jamille.

Outro selecionado que nos fala de perto foi o documentário “Ney à Flor da Pele”, de Felipe Nepomuceno sobre o famoso cantor, narrado através de imagens de arquivo dos seus concertos e entrevistas, ao longo das décadas.

Por fim, “Paraíso”, filme de encerramento do IndieLisboa, também prestigiou o Brasil. A história real da trama é dirigida pelo luso-franco-brasileiro Sérgio Tréfaut e tem por locação o Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, onde idosos iam todas as tardes aos seus jardins cantar músicas do nosso cancioneiro popular.

A realização do IndieLisboa / 2022, segundo intenção dos realizadores, é que ele volte ao calendário entre abril e maio, mas tudo dependerá, é claro, de como estará a situação da pandemia.

Fonte: Jornal do Brasil - Myrna Silveira Brandão

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