BRASIL, Brasília - Curador da 32ª Bienal de São Paulo, o historiador de arte alemão Jochen Volz foi anunciado como o nome escolhido para fazer a curadoria do espaço brasileiro na Bienal de Veneza do ano que vem.

Ao portal do Ministério da Cultura, o curador detalhou a importância do espaço para a representatividade brasileira no intercâmbio cultural mundial. Fundada em 1895, a Bienal de Veneza, na Itália, é a exposição bienal mais antiga do mundo.

"Ela [a bienal] é uma das principais plataformas internacionais de experimentação artística, de liberdade, de respeito pela diversidade, e promove um intercâmbio cultural. O Brasil continua tendo um papel central neste processo. Estamos vivendo num País com uma diversidade natural e cultural extraordinária, que precisa ser preservada. Desta diversidade, se alimenta a imaginação que é tão necessária para se criar o novo", afirmou o curador.

A Bienal oferece uma grande mostra coletiva e exposições em pavilhões nacionais. No pavilhão brasileiro, são expostos artistas que representam o País a cada edição. O Brasil é representado desde a década de 1960 - a partir de 1995, as representações nacionais no evento passaram a ser organizadas em colaboração entre a Fundação Bienal de São Paulo, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Cultura. O anúncio da escolha de Volz foi feito após encontro, em São Paulo, entre as três instituições.

Volz tem larga experiência no Brasil e no exterior.  No Instituto Inhotim, em Minas Gerais, atuou como diretor geral entre 2005 e 2007 e diretor artístico entre 2007 e 2012. No local, foi ainda o curador de uma série de projetos de arte e arquitetura em grande escala, incluindo artistas como Adriana Varejão, Dominique Gonzalez-Foerster, Hélio Oiticica e Rirkrit Tiravanija. Em 2012, organizou apresentações permanentes das obras de Lygia Pape e Tunga, entre outros. Editou publicações como Gasthof 2002 Städelschule Frankfurt/M. (Frankfurt 2003) e, como crítico, escreve para revistas e catálogos. É ainda editor colaborador da Frieze, publicação britânica de arte contemporânea.
 
De onde e porquê surgiu o interesse em atuar no Brasil? Desde quando mora e trabalha aqui?
O motivo da minha aproximação com a arte brasileira sempre foi pela arte em si, para além de questões de nacionalidade. Bons trabalhos são aqueles nos quais você reconhece uma certa questão, uma investigação urgente com a qual compartilha. Eu tive a sorte de trabalhar com artistas como Rivane Neuenschwander e Cildo Meireles, já antes da minha mudança ao Brasil, em 2004. Já naquela época, eu encontrei aqui inúmeros artistas contemporâneos com os quais eu tive o privilégio de aprender muito ao longo dos anos.

Como foi a experiência de fazer a curadoria da Bienal de São Paulo? A partir da experiência profissional em diferentes países, pode citar as peculiaridades da atuação no Brasil?
Cada instituição, cada local e cada cultura tem suas especificidades. E a Fundação Bienal de São Paulo, com certeza, hoje, é reconhecida mundialmente como uma das instituições mais consolidadas e profissionalizadas do mundo. É um enorme privilégio poder colaborar com uma equipe, da diretoria da Fundação para a produção da mostra, totalmente apostando na potência transformadora da arte na sociedade, reconhecendo a importância da cultura e da educação e promovendo uma ideia de 'arte para todos'.

De que forma recebeu a notícia de que será o curador da participação brasileira na Bienal de Veneza? Qual a importância dessa participação para o Brasil?
É uma honra receber este convite. Com o mundo cada vez mais globalizado, uma representação nacional não tem mais o mesmo peso que no final do século 19, quando a Bienal de Veneza foi criada. Ainda assim, ela é uma das principais plataformas internacionais de experimentação artística, de liberdade, de respeito pela diversidade, e promove um intercâmbio cultural. O Brasil continua tendo um papel central neste processo. Estamos vivendo num País com uma diversidade natural e cultural extraordinária, que precisa ser preservada. Desta diversidade, se alimenta a imaginação que é tão necessária para se criar o novo.

Apesar de ter sido anunciado recentemente, já consegue imaginar o que pretende incluir no seu trabalho na curadoria do ano que vem?
Para mim, um trabalho de curadoria sempre começa por conversas. Curadoria hoje não significa apenas reunir obras de arte em uma exposição, mas realmente definir e defender um campo de expressão da liberdade artística. Ainda não posso dizer como vai ser o projeto para o Pavilhão Brasileiro de 2017, mas eu consigo afirmar que, a partir da minha prática, eu estou pensando em trabalhar com um comissionamento específico - quer dizer convidar alguém para desenvolver um trabalho para o pavilhão. Eu gosto de pensar que um curador ideal atua como um parceiro apenas. Arte é feita por artistas.
 
Fonte: MinC

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