BRASIL, Brasília - Aprofundar e ampliar os estudos para a efetivação do Parque Histórico Nacional das Missões Jesuíticas dos Guaranis, compartilhando conhecimento em estratégia e gestão da paisagem cultural, intervenções paisagísticas, metodologia e políticas aplicadas aos bens históricos e culturais de Parques Históricos, tidos como referência na Espanha.

Este é o objetivo principal da missão técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), junto à UNESCO no Brasil e ao Instituto Andaluz de Patrimônio Histórico (IAPH), entre os dias 5 e 15 de junho deste ano.

Parte do Projeto de Valorização da Paisagem Cultural e do Parque Histórico Nacional das Missões Jesuíticas dos Guaranis, que o Iphan participa desde 2004 com cooperação do IAPH, a missão terá uma programação densa, voltada principalmente ao estudo e conhecimento da aplicação, desenvolvimento e gestão do Guia da Paisagem aplicado em sítios arqueológico, natural e urbano, todos em locais declarados, na Espanha, como Patrimônio da Humanidade.

Entre as atividades previstas, estão reuniões sobre estratégia da Paisagem de Andaluzia, bem como a Rede de Informação Ambiental de Andaluzia (Rediam) e Sistema de Informação sobre a Paisagem de Andaluzia; apresentação de estratégias de gestão da paisagem no Parque Nacional de Doñana; visita à Enseada de Bolonha com apresentação de seu Guia da Paisagem Cultural e do projeto Paisagem Histórica Urbana de Sevilha; visita ao Conjunto Arqueológico de Baelo Claudia e do Projeto de Intervenção da Paisagem na Enseada de Bolonha (realizada entre os anos 2008 e 2012); visita ao Conjunto Monumental da Alhambra e ao Generalife (Granada), para conhecer o Plano Diretor da Alhambra, ao Real Alcázar de Sevilha e ao Conjunto Arqueológico de Itálica e Dólmenes de Valencina; apresentação do Mosaico (Sistema de Gestão e Informação dos Bens Culturais de Andaluzia); a participação no curso “A Gestão Transdepartamental da Paisagem”, sobre as estratégias da paisagem na Comunidade Autónoma de Andaluzia; entre outras.

Projeto de Valorização da Paisagem Cultural e do Parque Histórico Nacional das Missões Jesuíticas dos Guaranis
O Programa de Desenvolvimento Turístico-Cultural das Missões Jesuítico-Guarani realizado pelo Iphan desde 2004, com a cooperação do IAPH, do governo espanhol, voltou-se para a recuperação e valorização do patrimônio cultural da região do Brasil onde estão concentrados os remanescentes das antigas Missões Jesuíticas, considerando suas dimensões históricas, paisagística, material e imaterial. As atividades empreendidas à época serviram para consubstanciar o Projeto de Cooperação Internacional que ora se implementa, pelo Iphan, com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação e o suporte da Representação da UNESCO no Brasil.

Parque Histórico Nacional das Missões
Criado em 7 de maio de 2009, por meio do Decreto nº 6.844, o Parque Histórico Nacional das Missões, no Rio Grande do Sul, reúne os sítios arqueológicos missioneiros de São Miguel Arcanjo (localizado no município de São Miguel das Missões), de São Lourenço Mártir (em São Luiz Gonzaga), de São Nicolau (em São Nicolau), e o de São João Batista (em Entre-Ijuís).

O território das Missões Jesuíticas dos Guarani, no Brasil caracteriza-se por possuir uma paisagem cultural de alto valor patrimonial e ambiental, abrangendo uma região de 26 municípios do noroeste do Rio Grande do Sul. As transformações ocorridas nesses sítios missioneiros ao longo de mais de dois séculos apresentam, nos dias atuais, situações distintas que podem ser caracterizadas desde aquelas onde se encontram estruturas expressivas, vestígios arqueológicos dispersos, até sítios sobre os quais se desenvolveram novas cidades.

Sítio Histórico São Miguel Arcanjo
Tombado como Patrimônio Cultural, em 1938, e declarado Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO, em 1983. São Miguel Arcanjo, ou São Miguel das Missões, era uma das reduções jesuíticas da República do Paraguai que formava, com seis outras, os Sete Povos das Missões. Reunia grupos catequizados jesuítico-guaranis situados no nordeste do atual Estado do Rio Grande do Sul, em território brasileiro, às margens do rio Uruguai. As outras reduções dessa região se transformaram em cidades ou, simplesmente, desapareceram: São Borja (1682), São Nicolau (1687), São Luiz Gonzaga (1687), São Lourenço (1691), São João Batista (1697) e Santo Ângelo (1706).

As Missões Jesuítico-Guarani - São Miguel das Missões (Brasil) e San Ignacio Miní, Santa Ana, Nuestra Señora de Loreto e Santa María La Mayor (Argentina) - formam um sistema de bens culturais transfronteiriços reconhecidos pela UNESCO, e compõem-se de um conjunto de remanescentes dos povoados implantados em território originalmente ocupado por indígenas. Os vestígios materiais existentes do sítio - corpo principal da igreja, campanário e sacristia, partes das construções conventuais, fundações e bases das habitações indígenas, praça, horto, canalizações pluviais, objetos sacros - expressam o modelo de ocupação territorial permeado pela interação e troca cultural entre os povos nativos e os missionários europeus.

Sitio Histórico São Lourenço Mártir - A Missão de São Lourenço Mártir foi fundada pelo padre jesuíta Bernardo de La Veja em 1690, entre São Luiz Gonzaga e São Miguel das Missões, com mais de dois mil indígenas catequizados na redução de Santa Maria La Mayor. Destacou-se nas praticas da agricultura, criação de gado, cavalos, ovelhas e cultivo da erva mate. Sua população ultrapassou os 6.400 habitantes, em 1731. No local, é possível visitar remanescentes da igreja, da adega, e da escola, também são criadas as ovelhas da raça crioula Lanada, raça introduzida pelos jesuítas nas Missões e no Rio Grande do Sul.

Sítio Histórico São João Batista - Os remanescentes da Redução Jesuítica de São João Batista, um dos Sete Povos das Missões, formam esse sítio fundado em 1697 e onde foi montada a primeira fundição de ferro do atual território brasileiro e pelo grande desenvolvimento das habilidades artísticas (arquitetura, produção de variados instrumentos musicais e corais). Entre o povo de São João Batista, havia artistas de todas as profissões, orientados pelo padre Antônio Sepp. No sítio, observa-se restos da estrutura do cemitério, da igreja e do colégio, além de estruturas complementares como olarias, barragem e estradas. Uma exposição com achados arqueológicos e a trilha de interpretação eco-cultural complementam o roteiro de visita.

Sítio Histórico São Nicolau - São Nicolau do Piratini foi a primeira redução, fundada em 1626, antes mesmo da  fase dos Sete Povos das Missões. Segundo relato do escritor ebotânico francês, Auguste de Saint Hilaire, que por passou pelo local em 1821, São Nicolau possuía uma das mais bonitas igrejas da região das Missões. Os índios Guarani tinham capacidade para criar e os melhores escultores das Missões estavam nessa redução, onde o povo se desenvolveu na religião, música, cantos, dança teatro, desenhos, pinturas e esculturas.

Fonte: Iphan

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31