ITÁLIA, Roma - Morreu nesta segunda-feira (6), aos 91 anos, o maestro italiano Ennio Morricone, autor de inesquecíveis trilhas sonoras para o cinema e vencedor de duas estatuetas no Oscar, incluindo uma pelo conjunto de sua obra.


Morte de Ennio Morricone repercutiu tanto entre o mundo artístico como na política (Foto: Ansa)

O músico e compositor faleceu em uma clínica de Roma, capital da Itália, devido às consequências de uma queda. A família anunciou, por meio do advogado Giorgio Assumma, que o funeral de Morricone será fechado ao público, "no respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou os atos de sua existência".

Morte de Ennio Morricone repercutiu tanto entre o mundo artístico como na política (Foto: Ansa)
Segundo Assumma, o maestro "conservou a plena lucidez e grande dignidade até o fim". "Ele saudou a amada esposa Maria, que o acompanhou com dedicação em cada instante de sua vida humana e profissional e esteve a seu lado até o último suspiro, e agradeceu a filhos e netos pelo amor e pelo cuidado que lhe doaram", declarou.

Ainda de acordo com o advogado da família, Morricone também "dedicou uma comovida recordação a seu público, de cujo afetuoso apoio sempre tirou a força da própria criatividade". Em uma mensagem no Twitter, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, disse que o país sempre se lembrará do "gênio artístico" do maestro.

"Ele nos fez sonhar, nos emocionar, refletir, escrevendo notas memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema", acrescentou. Já a atriz Monica Bellucci, que trabalhou com Morricone em "Malèna", de Giuseppe Tornatore, afirmou que o músico tinha a capacidade de "tornar o mundo melhor porque sabia criar a beleza".

"Ennio Morricone, com sua música, nos eleva para um lugar mais alto, do qual precisamos tanto para poder ainda acreditar na nobreza da alma", declarou.

Trajetória
Nascido no dia 10 de novembro de 1928, em Roma, o maestro criou mais de 500 melodias para o cinema e a televisão, e suas grandes paixões eram a música sinfônica e a experimentação.

Filho de trompetista e formado no Conservatório de Santa Cecilia, uma das escolas de música mais renomadas da Itália, Morricone faz parte do restrito panteão dos grandes maestros da história do cinema, como confirmam a estrela na Calçada da Fama de Hollywood e os dois prêmios no Oscar: um em 2007, pelo conjunto de sua obra, e outro em 2016, pela trilha sonora original de "Os Oito Odiados", de Quentin Tarantino, um de seus maiores fãs.

Além disso, foi indicado outras cinco vezes: por "Cinzas no Paraíso", em 1979, "A Missão", em 1987, "Os Intocáveis", em 1988, "Bugsy", em 1992, e "Malèna", em 2001. Outros grandes trabalhos de Morricone são as trilhas originais de "Por um Punhado de Dólares" (1964), "Cinema Paradiso" (1988) e "Bastardos Inglórios" (2009).

Ao relatar sua grande capacidade de trabalhar com o cinema, o maestro explicou certa vez que gostava de ter liberdade. "Há diretores que pedem coisas razoáveis e, neste caso, eu os ouço. Mas, depois, coloco minha assinatura, a minha atenção criativa. Essa aceitação dos pedidos dos diretores não é passiva."

Segundo Morricone, a trilha sonora, antes de agradar ao diretor e ao público, precisava agradar a ele próprio. "Eu devo ficar contente antes do cineasta. Não posso trair minha música", dizia. O maestro italiano também conquistou três prêmios no Globo de Ouro, seis no Bafta e 10 no David di Donatello, o "Oscar" do cinema italiano.

Personalidades lamentam
Após a morte de Ennio Morricone, 91 anos, inúmeras personalidades da política e do mundo das artes lamentaram a perda de um dos maiores compositores italianos da história.

"A morte de Ennio Morricone nos priva de um artista ilustre e genial. Musicista que unia o refinado e o popular, deixou uma marca profunda na história da música na segunda parte dos anos 1900. Através de suas trilhas sonoras, contribuiu grandemente para difundir e reforçar o prestígio da Itália no mundo. Desejo que chegue à família do maestro os meus profundos pêsames e sentimentos de afetuosa proximidade", afirmou o presidente da Itália, Sergio Mattarella.

Também o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, se manifestou pelo falecimento e destacou que o artista "sempre será lembrado, com infinito reconhecimento, o gênio" que ele era. "Nos fez sonhar, nos emocionou, nos fez refletir escrevendo notas memoráveis que permanecerão indeléveis na história da música e do cinema".

Ainda na política italiana, os líderes de partidos e grupos políticos das mais variadas vertentes se manifestaram e lamentaram a morte de Morricone em tom uníssono, falando sobre a perda de um dos maiores italianos de todos os tempos.

O diretor musical da Orquestra Sinfônica de Chicago, Riccardo Muti, ressaltou que seu compatriota era um "musicista extraordinário, não só pelas músicas de filmes, mas também por suas composições clássicas". "Um maestro pelo qual nutria amizade e admiração. Nos fará falta como homem e como artista", pontuou.

Através das redes sociais, o teatro La Fenice, de Veneza, afirmou que o maestro "nos deixa, mas não nos abandona" porque "toda a sua narração musical é incancelável [...] e viverá com todos pela eternidade".

"O meu mais doloroso adeus ao maestro Ennio Morricone. Nos anos de ouro da RCA, ele compôs e fez os arranjos para muitas das minhas músicas. Obrigada, maestro", escreveu no Twitter a cantora italiana Rita Pavone.

Outro expoente da música italiana, Vasco Rossi, lamentou o óbito e ressaltou que "o privilégio do artista é morrer sabendo que nunca morrerá".

A atriz italiana Monica Bellucci lembrou da capacidade do italiano de "criar a beleza".

"Há pessoas que tem a capacidade de tornar o mundo melhor porque são capazes de criar a Beleza. Ennio Morricone, com a sua música, nos eleva para o alto, onde precisamos tanto ir para ainda poder acreditar na nobreza da alma", afirmou a artista.

A Bienal de Veneza, que deu o Leão de Ouro para Morricone em 1995, lamentou "profundamente" a morte do maestro.

Também nas redes sociais, inúmeros usuários lamentam a morte do músico e compositor italiano.(Com Agência Ansa)

Fonte: Jornal do Brasil (com informações da Agência ANSA)

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