DISTRITO FEDERAL, Brasília - Entrevistas à distância foram a solução na reta final da série do Cedoc, devido à pandemia


Marília Trindade Barboza, pesquisadora e escritora. © Reprodução de vídeo / Coopas

Os vídeos da série Memória Funarte serão disponibilizados no portal da Fundação Nacional de Artes, no primeiro semestre de 2021, com versões legendadas – em português, inglês, francês e espanhol – e com mecanismos de acessibilidade (interpretação em Libras e audiodescrição). A Cooperativa de Trabalho de Produção Audiovisual em Saúde, Saneamento e Meio Ambiente (Coopas), licitada para produzir documentários e minidocumentários sobre destaques do acervo do Centro de Documentação e Informação (Cedoc) – Funarte, a partir do início de 2020, realizou a maioria das gravações antes da pandemia de covid 19.

A produção precisou se readequar e se cercar de cuidados para concluir as gravações da última leva de vídeos, em dezembro. As novas entrevistas — gravadas a distância — possibilitaram o registro das memórias de outros personagens importantes da arte brasileira, como o ator e diretor Daniel Filho, o desenhista José Luiz Benício, o poeta e produtor Hermínio Bello de Carvalho e a escritora e pesquisadora Marília Trindade Barboza, entre outros.

“Encontrar uma pandemia pela frente é um desafio pessoal e profissional para todos os envolvidos e, assim, tudo que a Coopas fez foi buscar um meio de garantir a segurança dos profissionais envolvidos sem perder a qualidade das entregas”, diz a responsável da Coopas pela coordenação e produção executiva dos documentários, Paula Lagoeiro.

A produtora conta que, para dar prosseguimento à produção do material, o primeiro passo foi reunir o corpo técnico da cooperativa — formado por profissionais de direção, produção, direção artística e operação de sistemas. Optou-se pela realização das entrevistas por meio plataformas de videoconferência e pela gravação pela captura de tela, por meio de software específico. Para garantir a qualidade, nos mesmos níveis das entrevistas realizadas antes da pandemia, decidiu-se também por submeter o material a um tratamento de áudio e imagem.

“Quando marcamos de entrevistar a diretora teatral e pesquisadora Alice Viveiros de Castro, sobre o acervo da família circense Cardona, ficamos preocupados quando soubemos que ela estaria em um sítio — meu Deus, como será internet rural?!”, conta o diretor dos documentários, Geraldo Borowski. “Por incrível que pareça, a conexão foi supersegura e estável. No fim das contas, funcionou muito melhor do que muitas conexões de internet urbanas.”

Entre as lembranças de Geraldo Borowski relacionadas à produção de documentários para o portal da Funarte, uma das mais fortes remete às vésperas da pandemia, quando a equipe entrevistou a coreógrafa e professora Angel Vianna. “No alto de seus 92 anos de idade, ela nos recebeu em seu apartamento no Leblon em fevereiro de 2020, logo após ter saído de uma consulta médica domiciliar, com orientação de distanciamento social”, relembra o diretor. “Conhecer a sua história e perceber sua importância para a dança brasileira e para as terapias de reabilitação corporal é enriquecedor”, avalia.

“As entrevistas e reuniões virtuais são também um retrato do tempo de hoje e, assim, quando virmos estes documentários no futuro lembraremos desse momento repleto de desafios que estamos atravessando atualmente”, reflete Paula Lagoeiro. “Um momento em que, mesmo na adversidade, seguimos trabalhando na produção de conteúdo sobre a memória da arte brasileira”.

A pandemia levou à criação de leis de incentivo e iniciativas direcionadas para os artistas, entre elas os editais lançados pela Fundação Nacional de Artes – Funarte no segundo semestre do ano passado.

Fonte: Funarte

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