RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Lucienne Figueiredo cuida das políticas públicas para os museus do estado


Lucienne Figueiredo diz que conteúdo online veio para ficar (Crédito: Gui Maia/SECECRJ)

Lucienne Figueiredo, Superintendente de Museus e Coordenadora do Sistema Estadual de Museus da SECEC, ressalta que a pandemia lamentavelmente fechou os espaços para o público, mas obrigou instituições a criarem conteúdo virtual

De que forma a Superintendência de Museus ajuda na formulação de políticas públicas voltadas para o setor?
A função da Superintendência é de prestar auxílio e assessoramento aos museus do Estado do Rio e ao mesmo tempo é o setor da SECEC responsável formulação das políticas para os equipamentos culturais que lidam com acervos, patrimônios e memória. Grande parte das nossas atividades é fruto de demandas espontâneas das instituições públicas ou privadas que nos chegam, principalmente pedindo orientações. Mas também atuamos formulando diretrizes para os museus fluminenses e criando instrumentos para a capacitação do corpo técnico desses lugares, como oficinas, seminários e fóruns. Estamos alinhados com a Política Nacional de Museus, gerida pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus).

Como os museus do estado atuaram durante a pandemia e como a superintendência ajudou-os a lidar com o problema?
Os museus enfrentaram muitos desafios nesse período. O primeiro deles foi manter atividades essenciais em funcionamento com a necessidade de afastamento de parte dos funcionários. O quadro funcional dos museus já é na maioria das vezes reduzido e funcionários que estão no grupo de risco para a Covid não podem exercer o trabalho presencial. Mas as instituições fizeram o possível para garantir a manutenção e a segurança dos museus, mesmo com o fechamento para o público. Nossa orientação foi principalmente no sentido de manter a higienização dos acervos e procurar na medida do possível disponibilizar conteúdos online para o público.

E qual sua avaliação dessa tendência?
Alguns museus já tinham investido na digitalização dos acervos e tinham até conteúdos disponibilizados online. Para esses, criar uma visita virtual foi mais fácil. Mas muitas instituições tiveram que começar do zero. Acredito que praticamente todos os museus do estado avançaram bastante nesse quesito. É uma vertente que veio para ficar, mesmo depois do fim da pandemia. Afinal, uma coisa não exclui a outra. A experiência de ver uma exposição pessoalmente é insubstituível, mas a internet facilita a difusão das informações para os lugares mais distantes, desde que feito com qualidade técnica. O Museu Histórico de Campos, a Casa do Colono, em Petrópolis, e o Museu de Astronomia do Rio são exemplos de instituições que criaram belas exposições virtuais.

Quando os museus estarão preparados para a reabertura?
Acredito que paulatinamente à medida que a Covid for dando trégua. Alguns museus no Rio reabriram no início do ano, como o MAM, o MAR e o Museu do Amanhã, e o Paço Imperial também reabrirá com nova exposição. Outros museus retomaram atividades em seus jardins e alguns estão se organizando para isso, pois são locais de menor risco de transmissão e que proporciona bem estar aos seus visitantes. A reabertura só pode ocorrer mediante a adoção de protocolos rígidos de segurança. Tudo tem que ser feito com muita responsabilidade. As visitas em grupo, que são muito comuns, terão que atender um número menor de pessoas por grupo, por exemplo. Os horários também terão que ser reduzidos. Mas acredito que a partir de agosto, museus maiores possam começar a abrir aos visitantes.

O uso da tecnologia é um imperativo para os museus hoje em dia?
A tecnologia é muito bem-vinda, mas não obrigatoriamente tem que estar massivamente nos museus. O MAR e o Museu do Amanhã foram criados mais ou menos na mesma época. Enquanto o primeiro tem um formato mais tradicional na sua concepção museográfica, o outro tem bastante uso de recursos tecnológicos. Mas ambos são muito visitados. Os mais jovens são bastante atraídos pela interatividade, mas nem sempre há recursos financeiros para a manutenção desses equipamentos. O mais importante é a mediação correta para que o museu cumpra sua função de transmitir conhecimento e promover uma reflexão crítica por parte do visitante

Que radiografia a senhora faz da rede de museus do estado?
Apesar da importância do Estado do Rio para a Cultura no país, cerca de metade dos municípios fluminenses não tem qualquer museu. Temos que mudar esse quadro. Também seria interessante adotarmos uma política de aquisição de acervos, mas há limitações orçamentárias. Os museus dependem muito de doações para ampliar suas coleções. Estamos organizando o V Fórum de Museus do Estado do Rio de Janeiro, que será realizado em setembro, para discutir os desafios que a pandemia trouxe para os museus e o aprimoramento técnico do setor.

Fonte: SECEC RJ

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