RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, ela estreou na TV em 1953, aos 20 anos


Eva Wilma (Fabio Braga/Folhapress)

Um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, a atriz Eva Wilma morreu neste sábado (15), aos 87 anos. Ela estava internada no hospital Albert Einstein desde abril tratando um câncer de ovário.

A atriz havia sido internada em janeiro deste ano com pneumonia.

Eva Wilma estreou na TV em 1953, aos 20 anos de idade. E só por ele já teria entrado para a história do novo meio, inaugurado no Brasil apenas três anos antes. O seriado "Alô, Doçura" —onde Vivinha, como era conhecida na intimidade, contracenava com seu então marido John Herbert (1929-2011)— foi concebido por Cassiano Gabus Mendes, como uma versão nacional de "I Love Lucy", e exibido pela Tupi até 1964.

Não havia personagens fixos, mas os atores sempre interpretavam um casal que enfrentava alguma rusga conjugal. Com episódios de apenas 15 minutos, "Alô, Doçura!" marcou época e foi um precursor do que hoje chamamos "sitcom".

"Isso foi só o começo. A segunda etapa da carreira televisiva de Eva Wilma deslanchou no final dos anos 1960 e prolongou-se até o final da década seguinte, quando ela se tornou a maior estrela das telenovelas da Tupi.

Apesar do crescimento irresistível da Globo, a mais antiga emissora do país emplacou vários folhetins de sucesso naquele período, quase todos assinados por Ivani Ribeiro e protagonizados por Eva Wilma: "A Viagem", "A Barba Azul", "Mulheres de Areia"...

Nesta última, a atriz teve seu papel mais icônico —ou papéis: as gêmeas Ruth e Raquel, uma boa e a outra má. Uma atuação tão memorável que não foi eclipsada pelo "remake" global de 1992, com Glória Pires.

Foi também na Tupi que Eva Wilma conheceu seu segundo marido, o ator Carlos Zara (1930-2002).

A derrocada da Tupi em 1980 fez com que ela finalmente se transferisse para a Globo. Já madura, Eva Wilma escapou de interpretar mocinhas na nova casa. Em compensação, ganhou inúmeros personagens marcantes, como as aristocráticas vilãs Francisca Moura Imperial ("Transas e Caretas", 1984) e Maria Altiva Pedreira de Mendonça Albuquerque ("A Indomada", 1997).

O tipo físico ajudava: ela manteve até o fim a beleza que encantou Alfred Hitchcock, para quem fez um teste na década de 1960, e sua forte presença diante das câmeras jamais a relegou a mera coadjuvante.

Nos últimos tempos, com a saúde debilitada, Eva Wilma fez-se rara na TV. Mas sua última aparição, em "Verdades Secretas" (2015), foi grandiosa, apesar de relativamente pequena: Fábia, uma grã-fina arruinada e entregue ao alcoolismo. Um fecho de ouro para uma trajetória excepcional.

Fonte: JB e Folhapress

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