PERNAMBUCO, Recife - A nossa relação com a cidade pode ter diferentes acessos. Pelo seu patrimônio, por sua memória, por sua arquitetura e também por sua arte, que ajuda a promover um diálogo mais afetivo com o espaço urbano.

O projeto 'Ruas Literárias do Recife', um aplicativo para dispositivos móveis, insere-se neste propósito: aproximar o Recife de seus habitantes e visitantes a partir da ótica de diferentes escritores, em diferentes épocas. Por meio do mapeamento das ruas da cidade, a plataforma possibilita um roteiro literário e poético, no qual a população pode descobrir como as ruas e suas edificações foram descritas e representadas por escritores pernambucanos.

Idealizado e produzido pelo cineasta Eric Laurence (Uma Passagem para Mário), que, sempre apaixonado pela literatura, encontrou no aplicativo uma forma de aproximar a população dessa rica cultura pernambucana. O projeto foi realizado por meio do Funcultura e pretende estabelecer um diálogo entre a produção literária e a urbe, “estimulando a imaginação do que fomos e fortalecendo a identidade do que somos”, explica Laurence. Poesias, romances, crônicas, contos, é extensa a jornada que se pode empreender pelo Recife a partir de suas referências na literatura.

O 'Ruas Literárias' traz um itinerário rico e diversificado, com indicações poéticas, afetivas, culturais e históricas da cidade. Para tanto, foram elencados aproximadamente 150 pontos de localização no Recife (os pins do aplicativo), que remetem a trechos de escritos feitos por 82 autores, de diferentes épocas e estilos, desde o século 19 até os dias atuais.

Entre os autores pesquisados e citados no aplicativo, estão Raimundo Carrero, Ronaldo Correia de Brito, Joaquim Cardozo, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Audálio Alves, Lucila Nogueira, Luzilá Gonçalves, Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho, Micheliny Verunschy, Carneiro Vilela, Rubem Rocha Filho, Paulo Mendes Campos, José Teles, Antônio Maria, entre outros. Carneiro Vilela, aliás, é quase sinônimo de uma das ruas mais famosas da cidade – a Rua Nova, que virou romance e lenda com A emparedada da Rua Nova. Tão sinônimo quanto é o nome de Bandeira para a Rua da União ou da Aurora.

“O grande objetivo do 'Ruas Literárias do Recife' é possibilitar à população apropriar-se de sua memória patrimonial – tanto em sua dimensão material quanto imaterial, fazendo emergir entre as ruas da cidade a sua poesia e prosa. O projeto resgatará a beleza e a importância da literatura pernambucana, assim como contribuirá para valorização do patrimônio arquitetônico e urbanístico da cidade.”, explica Laurence.

Para a produção dos textos que sintetizam as referências literárias das ruas do Recife o projeto contou com Luzilá Gonçalves, uma das grandes escritoras pernambucanas. Doutora em Estudos Literários pela Universidade Paris VII, Luzilá possui 44 livros publicados, entre contos, romances, biografias e ensaios, além de muitos artigos em periódicos nacionais e internacionais. A produção de textos também contou com a colaboração e pesquisa da poeta Cecília Villanova.

A Edição Geral dos textos ficou a cargo da jornalista pernambucana Olivia Mindêlo, que tem forte atuação na área de arte e cultura. Além de editora e repórter, é também curadora e crítica de arte, tendo participado de vários projetos expositivos, como o de consultora da Unesco para a elaboração do projeto do novo site  do Museu do Homem do Nordeste/Fundaj. Foi editora do caderno C no Jornal do Commercio e, atualmente, edita o site da revista Continente.

O aplicativo 'Ruas Literárias do Recife' é co-produzido pela Ideiaimagem, tendo a sua realização técnica sob responsabilidade da Conbuss e da Z4 Web, sob a coordenação do analista Nilton Heck. O aplicativo é gratuito e está disponível para Android e iOS, nas versões mais modernas de smarts-phones e tablets. Com internet, o usuário pode navegar pelo mapa do Recife e compartilhar os textos em redes sociais. “A programação do aplicativo teve como principal  característica o uso de técnicas e tecnologias com foco na experiência do usuário na navegação”, explica Heck, diretor da Conbuss.

Fonte: Jornal do Brasil

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