RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Estilista faria 100 anos neste sábado


Zuzu Angel no ateliê-casa da Rua Nascimento Silva, RJ (Acervo pessoal/Hilde)

Nos anos 1960 duas estrelas da moda carioca reinavam em Ipanema, em seus ateliês separados por um muro: Ethel Moura Costa começava a Bijou Box e Zuzu Angel confeccionava roupas chiques, vestidos de noiva. A Bijou Box cresceu, chegou a exportar para a Europa e tinha fábrica em Providence, nos Estados Unidos. Zuzu, no começo dos anos 1970 decidiu investir no estilo brasileiro, trocando as sedas e brocados por chita, bordado inglês, rendas do Norte.

O sucesso no lançamento de uma moda tão especial, em meio às minissaias copiadas das inglesas ou das liberdades do jeito hippie foi atropelado por um fato comum na época da ditadura militar: seu filho, Stuart Angel sumiu em 1971, preso como muitos jovens na época, considerados subversivos.

A mera criação de moda e a comercialização das coleções começou a se confundir com a busca desesperada da mãe Zuzu. Estampas de anjinhos decoravam bolsas, lenços e cintos, lembrando o filho, já considerado morto. A moda e a tragédia ganharam o olhar do mundo, graças ao convite para uma apresentação na Bloomingdale´s, grande magazine novaiorquino na Lexington Street. Saias e vestidos tinham barras pintadas com tanques do exército.

Na volta ao Brasil, pouco se falou deste evento, provavelmente pela censura imposta aos jornais. Zuzu escrevia cartas para quem pudesse ajudar a saber notícias do filho, o que havia acontecido, onde estava o corpo. Apelava para a cobertura de moda, ligando para a redação para avisar que havia uma grande novidade na loja inaugurada no Leblon, atrás da Elle et Lui.

Em uma destas visitas vi que realmente havia novas bolsas, novos vestidos de bordado inglês e rendas brancas. Mas o que a criadora queria era pedir mais uma vez que se comentasse o caso do Stuart, mesmo que fosse no meio de uma matéria de moda. Triste e digna, ainda acrescentou “estou sozinha”. Na volta à redação, entreguei uma carta dela ao Zuenir Ventura, então editor no JB, que autorizou o conceito da matéria como Zuzu pedia.

Neste sábado (5), Zuzu Angel faria 100 anos. Talvez chegasse a tanto, não fosse o acidente suspeito em São Conrado que a matou em 1976. Deixou de herança para a moda a valorização com sofisticação do estilo brasileiro. E para o país, um importante alerta no processo de abertura para a democracia.

Homenagem: grande exposição ao ar livre será aberta, neste sábado, com a presença da filha Hildegard Angel, amigos e familiares (Foto: Acervo pessoal/Hilde)

Agenda de celebrações - por Hildegard Angel
Neste sábado, será inaugurada em Curvelo, cidade natal de Zuzu, em Praça Pública, uma grande exposição ao ar livre, contando sua história, através de imagens do arquivo pessoal e da sua moda. A curadoria é do Ivan Penna, um artista mineiro importante, grande artista mesmo, sobrinho do não menos talentoso Alceu Penna.

Haverá neste sábado também a apresentação da peça "Eu, Zuzu Angel, Milito", por um grupo teatral da Bahia, via internet.

Em Nova Friburgo, o escritor David Massena fará o relançamento do livro infantil Zuzu, história de uma onça brava na defesa dos filhotes.

Em 7 de Setembro será a inauguração, na Casa Zuzu Angel, da mostra Modernos Eternos, que faz um paralelo da arquitetura da casa, eclética, com a moda de Zuzu, que não seguia tendências, estilos e orientações de Paris, como era a prática na sua época.

O curso de Design da PUC dedica o ano a Zuzu – ZUZU AGORA - , com palestras, mesas, performances, a cada mês, até o fim do ano. Abordando, vida, moda política, morte, Zuzu e Stuart, referências, influências, legitimidade.

Fonte: Jornal do Brasil - Iesa Rodrigues

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