RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Equipamentos culturais se reinventam na pandemia e contam com apoio do Governo do Estado para modernização e acessibilidade do acervo


Fachada do antigo Convento de N. S. dos Anjos, sede do Museu de Arte Religiosa e Tradicional (Mart), em Cabo Frio

Dez museus fluminenses estão encarando o desafio de se transformar para serem mais inclusivos, cumprirem seu papel educacional, aprimorarem as técnicas de preservação de acervo e tirarem o máximo de proveito das ferramentas tecnológicas digitais. Em edital do projeto Hub+, patrocinado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e pela Oi, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, as instituições aprovadas passam por reformulação no período de pandemia para atender as demandas do público.

A Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, destacou a importância do edital em parceria com a HUB+, através da Lei de Incentivo à Cultura, para modernização dos museus em diferentes áreas do estado.

“A pandemia mostrou a importância da cultura na vida de todos nós. Especialmente quando falamos no uso da tecnologia para poder mostrar o acervo e os itens que presencialmente ainda estamos impedidos ou podendo acompanhar de forma limitada em virtude da pandemia. Esta é uma forma de valorizar iniciativas de preservação de nossos acervos museológicos e ao mesmo tempo representa a retomada de uma iniciativa importantíssima de consolidação para as instituições museológicas do estado”, disse.

À frente da iniciativa está a empresa Coeficiente Artístico, que selecionou o grupo entre mais de 60 candidatas, abrangendo as diversas regiões do estado. Um deles é o Museu de Favela, que já surgiu como uma proposta inovadora da comunidade do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul carioca.

Apesar de parte de suas atividades terem sido suspensas durante o período de isolamento social, a instituição pretende dar uma guinada na fase pós-pandemia, com a retomada das visitas guiadas pelas ruas do território. A diretora Alini Rangel ressalta que o MUF sempre recebeu contribuições do meio acadêmico, mas tem que avançar em termos de acessibilidade e recursos tecnológicos.

“Acredito que esse aprendizado será muito útil. Inevitavelmente, precisaremos de recursos para o aprimoramento tecnológico. Vai requerer infraestrutura. Mas é um processo que acontecerá por etapas”, diz a diretora.


Primeiro portal de entrada ao Museu de Favela (MUF) restaurado com recursos da Lei Aldir Blanc

Capacitação e modernização dos museus do estado
A capacitação dos museus ajuda na elaboração de projetos que podem criar oportunidades de aporte financeiro através de editais públicos e privados ou de programas nas três esferas do poder público. Para a diretora do Museu de Arte Religiosa e Tradicional (Mart) de Cabo Frio, Carla Renata Gomes, o conhecimento que será adquirido por ela e pela equipe nos próximos meses dará o embasamento para as decisões mais apropriadas em termos de investimento.

“As oficinas e mentorias do projeto Hub+ vão nos auxiliar e trazer o aporte técnico necessário para nossa equipe elaborar projetos adequados à nossa realidade. Algumas ações poderemos realizar através do nosso pessoal interno. E se tivermos que realizar contratações, esse conhecimento nos ajudará muito também. Foi uma alegria muito grande termos sido escolhidos para participar desse projeto”, conta a diretora.

Outra instituição de pequeno porte que participa do Hub+ é o Museu Casa do Colono, de Petrópolis. Além do aprimoramento das condições de acessibilidade a pessoas com deficiência e busca de inovações tecnológicas, o lugar procura fortalecer e ampliar suas conexões com outros museus do estado.

“Por ser um museu de pequeno porte e do interior do estado, esse ambiente de troca e aprendizagem em rede, com formação e experimentação através do processo de mentorias e laboratório de inovação, trará uma rica diversidade de experiências, diálogos e parcerias com os outros museus participantes e de diferentes municípios do estado, além de trazer maior visibilidade institucional e fortalecimento da sua atuação e compromisso social no território que atua”, diz a museóloga Ana Carolina Maciel.


Museu Casa do Colono, de Petrópolis, participa do Hub+

Museus modernizam acervo e promovem integração
As inúmeras possibilidades de parcerias e sinergias entre os participantes foram até uma surpresa inicial para Rafaela Zanete, gestora cultural e sócia da Coeficiente Artístico. Segundo ela, a atuação em rede vai ajudar a fortalecer as instituições participantes, que já viram na pandemia uma oportunidade de reformulação e de maior diálogo com o público através das plataformas digitais.

“Todos os museus participantes têm em comum o fato de terem voltado mais seus olhares para o mundo das plataformas digitais depois da pandemia. Há uma mística de que essas soluções são caras, mas isso nem sempre é verdade. Tendo o conhecimento dos diversos recursos disponíveis, cada instituição terá condições de escolher a melhor alternativa, partindo até de recursos gratuitos, a fim de ampliar e atender melhor seu público e garantir acessibilidade aos que precisam desse conhecimento”, explica Rafaela.

A gestora ressalta que, apesar de alguns conteúdos serem necessários a todos os participantes, o processo de mentoria do Hub+ prevê um diagnóstico e um acompanhamento personalizado para cada um dos dez participantes. Além dos cursos e oficinas com especialistas, os museus selecionados terão pelo menos um encontro presencial no Museu das Comunicações e Humanidades (MUSEHUM), do Oi Futuro, no Flamengo. Essa instituição também funcionará como um laboratório de práticas museológicas para os integrantes do Hub+.

“Os museus participantes estão de parabéns pelo esforço que fizeram para serem selecionados pelo Hub+. Também é notória a superação que essas instituições realizaram durante esse período de pandemia em que tiveram que mergulhar nesse universo do digital para continuarem a prestar esse serviço fundamental para a população. A Secretaria tem enorme orgulho de apoiar esse projeto”, disse a secretária Danielle Barros.

Além das instituições citadas, participam do projeto o Espaço Cultural Luciano Bastos (Bom Jesus de Itabapoana), o Museu da Cultura Finlandesa Eva Hilden (Penedo), o Museu Histórico Antônio Ventura Coimbra Lopes (Miracema), Museu e Biblioteca Corina Peixoto de Araújo (São Fidelis), o Museu Bispo do Rosário (Curicica), o Museu da Geodiversidade (MGeo) na Cidade Universitária e o Museu da Patologia da Fundação Oswaldo Cruz (Bonsucesso).

Fonte: SECEC RJ

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