RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Exercício de imaginação coletiva conduz os cursos do segundo semestre da Escola de Artes Visuais


A Escola de Artes Visuais foi criada em 1975, pelo artista Rubens Gerchman, para substituir o Instituto de Belas Artes (IBA). Foto: Felipe Azevedo

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage convoca seus alunos e professores a um exercício de imaginação coletiva: crer na arte como ferramenta para interpretar, elaborar e reconstruir mundos. Inventar uma outra forma de coexistência, mais justa, plural e verdadeiramente democrática. Como testar hipóteses e alternativas para um mundo em colapso senão num exercício de imaginação? Urge suspeitar da ordem, da norma e da regra.

No dia 2 de agosto de 2021, a instituição - que ocupa a maior floresta urbana do mundo - abre o segundo semestre com cerca de 50 cursos remotos e presenciais*. Um corpo docente de aproximadamente 40 professores-artistas oferece proposições bastante diversas, com valores mensais a partir de R$ 330. Os cursos estão subdivididos em oito núcleos: pintura e desenho; imagem em movimento; estudos críticos e curatoriais; volume e espaço; corpos; desenvolvimento de projetos/poéticas; oficinas gráficas e fotográficas; e parquinho lage.

De 27 de julho a 7 de agosto, será realizada mais uma edição da EAV de Portas Abertas. A proposta é apresentar as várias possibilidades de formação e experimentação que compõem esta escola livre de arte. Por meio de diálogos transmitidos ao vivo, professoras e professores de diversos cursos se reunirão em duplas ou trios para compartilhar suas reflexões no canal do YouTube da EAV.

E mais: entre os dias 2 e 7 de agosto, a escola disponibilizará gratuitamente, através do site, links de acesso aos cursos on-line. Durante as aulas abertas, será possível tirar dúvidas sobre as propostas pedagógicas, metodologias e abordagens, e conhecer um pouco do corpo docente, que inclui nomes como Anna Bella Geiger, Iole de Freitas, Charles Watson, Clarissa Diniz e Fernando Cocchiarale. A participação é livre e ilimitada.

Para o curador da EAV, Ulisses Carrilho, imaginar é uma tarefa radical. Ele acredita que as salas de aula, ainda que online, são espaços de criação e debate importantes como alternativa à tensa coreografia do distanciamento social:

“Nosso último ano serviu não apenas para remodelar estratégias pedagógicas, mas também para compreender que juntos podemos exercitar outras perspectivas, mais interessantes, para tudo aquilo que criamos e enxergamos com alunos em todos os estados do Brasil e até mesmo fora dele”, reflete Carrilho. “É urgente que imaginemos outras estratégias para a solidariedade e o cuidado mútuo. Precisamos ampliar nossas redes na direção de um corpo coletivo, alargado. Para isso, precisaremos também aventar aquilo que ainda não foi imaginado. Em tempos de crise humanitária e social, estamos seguros de que a arte sozinha não oferece todas as respostas esperadas, mas pode contribuir com o alargamento radical de nossos imaginários”, afirma.

De acordo com Yole Mendonça, diretora da EAV Parque Lage, “as aulas remotas eliminam fronteiras e estabelecem um fluxo de comunicação potente com públicos de outros países, inclusive. As salas de aula virtuais passaram a ser um ponto de encontro da diversidade cultural e isso é de uma riqueza inestimável para alunos, artistas e professores”.

*Diante das medidas preventivas para a contencao da disseminacao e combate ao coronavirus (COVID-19), o cronograma de aulas podera sofrer ajustes ao longo do ano.

Confira alguns cursos do 2º semestre
(02/agosto a 11/dezembro)
Em “Artistas mulheres no Brasil”, as professoras Fernanda Lopes e Carolina Martinez propõem um panorama da história da arte brasileira no século 20, tendo como ponto central a produção de artistas mulheres no país, com o objetivo de debater a inserção e ressonância da atuação feminina no campo das artes.

A colagem como uma importante chave de compreensão na produção de imagens históricas e contemporâneas é a abordagem do curso “Colagem como forma de pensamento”, ministrado por Pedro Varela. Ao longo do semestre, os alunos serão provocados a se aproximar desta linguagem em seus aspectos formais, técnicos e conceituais por meio de exercícios práticos seguidos de acompanhamento crítico.

O curso presencial “Linguagens do espaço e tempo”, da professora Fabiana Éboli, se organiza a partir das práticas de experimentação, desenvolvimento de linguagem e pesquisa em oficina, no campo da escultura, objeto, instalação, ambiente, poema-objeto e linguagens híbridas objeto-imagem, com vídeo e foto. Dentro deste universo, serão apresentadas obras referenciais, artistas e processos, incluindo visualização de imagens e filmes seguidos de debate coletivo em aula.

Em seu curso “Práticas artísticas de vida”, Anna Costa e Silva cria um laboratório vivencial-on-line sobre as relações entre práticas artísticas e narrativas pessoais, com ênfase no desenvolvimento dos projetos de cada participante. Tendo a escuta e a experimentação como principais metodologias, a artista busca um olhar atento às questões que movem cada indivíduo. O distanciamento social, as novas imposições cotidianas e o autocuidado serão pensados como provocações possíveis para outros desdobramentos de artevida, bem como a criação de um campo afetivo que dê suporte ao fazer artístico.

A partir de vivências e pesquisas, os participantes do curso “Linguagens visuais: teorias e práticas em fotografia e videoarte”, com Marcos Bonisson, serão orientados em suas práticas experimentais com fotografia, videoarte e outros suportes em diferentes estruturas de narrativa, campos poéticos e procedimentos híbridos.

Sobre a EAV
A Escola de Artes Visuais foi criada em 1975, pelo artista Rubens Gerchman, para substituir o Instituto de Belas Artes (IBA). Seu surgimento acontece em plena Guerra Fria na América Latina, durante o período de forte censura e repressão militar no Brasil. A EAV afirma-se historicamente por seu caráter de vanguarda, como marco da não conformidade às fronteiras e categorias, e propõe regularmente perguntas à sociedade por meio da valorização do pensamento artístico.

Alguns exemplos marcantes da história do Parque Lage são a utilização do palacete como sede do governo da cidade de Alecrim em Terra em Transe, dirigido por Glauber Rocha em 1967; e a exposição Como Vai Você, Geração 80?, que reuniu 123 jovens artistas de diferentes tendências numa mostra que celebrava a liberdade e o fim do regime militar. O palacete em estilo eclético também foi palco de “Sonhos de uma noite de verão”, clássico shakespeariano, e serviu como locação para Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade.

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage está voltada prioritariamente para o campo das artes visuais contemporâneas, com ênfase em seus aspectos interdisciplinares e transversais. Abrange também outros campos de expressão artística (música, dança, cinema, teatro), assim como a literária, vistos em suas relações com a visualidade. As atividades da EAV contemplam tanto as práticas artísticas como seus fundamentos conceituais.

A EAV Parque Lage configura-se como centro educacional aberto de formação de artistas e profissionais do campo da arte contemporânea. Como referência nacional, com uma consistente imagem no meio da arte, a EAV busca criar mecanismos internos e linhas de atuação externa que permitam um diálogo produtivo com a cidade e com o circuito de arte nacional e internacional. A instituição integra a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do estado do Rio de Janeiro.

Serviço
Escola de Arte Visuais do Parque Lage
Rua Jardim Botânico, 414
Rio de Janeiro | RJ
Website / Instagram: @parquelage / Whatsapp: (21) 99232-8162

Fonte: Jornal do Brasil

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